terça-feira, junho 26, 2007

se alguém ainda duvidava que a indústria cultural é um mero subproduto do capitalismo sem coração




















(contracapa da última BRAVO!, junho/2007)
sério, esse deve ser o anúncio de pior gosto que eu já vi em toda a minha vida. Vá lá, suponho que um banco tem que manter uma certa imagem de capitalismo sisudo e malvado. Mas putz, isso é ridículo. E o mais engraçado de tudo é que essa é em tese a revista de cultura mais importante do país. Suponho que isso deva dar alguma medida de quem seja o "consumidor de cultura" dessas paragens. Afinal, o banco deve fazer uma boa pesquisa de marketing antes de decidir onde botar um estrupício desses.
aliás, não sei se é ironia de propósito de algum editor mais clarividente e adepto do autoescárnio, mas abrindo a página a primeira coisa que se encontra é um trecho de novela do Marçal Aquino sobre um escritor frustrado que assiste impotente a um bando de mulheres que gravita em torno dum anão milionário. Se tiver sido de propósito, parabéns ao responsável, não podia ter sido mais eloqüente. Mas se tiver sido o destino, enfim, isso é só mais uma prova que esse cara é um artista massa.

5 comentários:

Pedro Furtado disse...

Olavo, este anúncio é ridículo mesmo, a ironia é que ele é um anúncio mais "honesto", que acaba revelando o que a empresa e a indústria da propaganda realmente querem. E a gente ainda não viu tudo.

Biti disse...

Se este te indignou, para mim fez muito mal o anúncio de cerveja nas páginas 38 39 (difícil contá-las com tanto anúncio...) da Veja desta semana. Uma PISCINA(!) cheia de gelo e latinhas e cinco babacas numa piscininha de criancinha. No canto, à esquerda, "Se beber não dirija". Droga por droga... E os publicitários se tem como descolados e comprometidos. Hahã...
Bom domingo, after all!
Beijo,

Biti

olavo disse...

parece massa. onde fica essa piscina?

Biti disse...

Menos...

daniel disse...

Velho, um comentariozinho quantitativo baseado em evidências:

Nos EUA e Europa, revistas que trazem anúncios de cigarro tendem a publicar menos matérias sobre os malefícios do cigarro (Brown & Witherspoon, 2002)