domingo, novembro 27, 2011

antes

bater de cabeça na parede. Dormir bêbado na frente do portão de casa. Dançar balé clássico na loja de enfeites. Não dar explicações. Trepar com o fracasso até o limite do suportável. Correr sem rumo até que a terra firme acabe. Mergulhar de cabeça no Rio Guaíba. Quebrar a cara, over and over again. Primeiro com os outros batendo. Depois comigo mesmo, até o braço não aguentar mais. E só então concluir que chega. Acreditar em sonhos e pressentimentos imbecis. Ejacular contra a porta. Dar tiro nos pés dos homens e roubar as bolsas das mulheres. Enfiar o ouvido na caixa de som atrás do trítono. Perder a expectativa do dó maior. Encarar os meus próprios fantasmas. Ditar o meu próprio rumo. Ainda que qualquer um enxergue que é o caminho errado. Tatuar na testa a seta do tempo. Dar direção às coisas. Fazer a terra rodar ao contrário. Causar meus próprios acidentes. E nunca, nunca mais esperar pelos acidentes dos outros.
e depois de tudo isso, com ossos quebrados, reputação manchada, cheiro de esgoto e ficha na polícia, por fim criar coragem de encarar a pior das perguntas: por que caralho eu não fiz tudo isso antes?

4 comentários:

karine disse...

Antes tarde do que nunca. Te adoro, bj

olavo disse...

também.

Bípede Falante disse...

Sem a pergunta final, nada teria o mesmo sentido :)

olavo disse...

ainda inquieto com a pergunta, aliás, causei um acidente com 3 carros na Linha Vermelha na quarta-feira. Não sei se é exatamente um avanço, mas enfim, parece que o mundo tem ouvido as minhas preces... Agora resta fazer os pedidos certos.