sábado, dezembro 23, 2006

auschwitz no quintal de casa



por algum motivo acho que essa versão moderna da lista de schindler não vai ganhar aqueles óscares todos. Mas me fez botar o link da anistia internacional aí no canto da página. De vez em quando um soquinho no estômago faz bem. Pena que tenha estreado com ridículas 15 cópias lá na terra dos klingons e tenha desaparecido da programação do cinema por aqui tão rápido quanto entrou. Suponho que a assessoria de imprensa dos judeus deva ser melhor do que a dos paquistaneses. De qualquer maneira, não custa clicar no link da anistia. Funcionando ou não, é sempre divertido mandar e-mails pra endereços tipo f_castro@cuba.gov.

terça-feira, dezembro 19, 2006

breviário de uma ponte aérea comprida

todos os posts que eu teria colocado anteontem se já tivesse internet na estratosfera

(a) agradecimentos à Organização Mundial do Comércio e às Leis de Propriedade Intelectual
pela oportunidade única de ver as economias de pessoas doentes serem revertidas para entreter o meu vôo de San Francisco pra Miami com anúncios televisivos de homens de meia idade felizes recomendando remédios pro colesterol, antialérgicos e descongestionantes nasais. Era exatamente o que eu queria ter de volta por toda a grana que já gastei em Claritin D na vida. Sério, como diabos o mundo pode ter sido convencida de que a grana que se gasta em remédio serve pra fazer ciência?

(b) frases que eu gostaria de ter dito mas deixei a oportunidade pra alguém mais (i)
“If you’re a creative doctor, someone dies and you get sued”
(um certo Miles Beckett, ex-residente de cirurgia plástica e atual co-criador do bizarro fenômeno pop chamado Lonelygirl15).

(c) gestos brilhantes de autopromoção gratuita (i)
se algum dia eu for grande o suficiente em qualquer coisa pra despertar a ira dos críticos, eu juro que quero fazer igualzinho a esse cara. A história tá na “wired” desse mês.

(d) aliás
você sabe que o mundo anda estranho quando as tuas fontes sobre cultura pop passam a ser as revistas de informática.

(e) e por fim, um último comentário sobre idiotas correndo atrás duma bola do outro lado do mundo
tal como eu disse na alfândega, tão logo terminei de assistir o jogo no desembarque internacional, nada a declarar.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

américa, essa puta

digam o que queiram, o fato é que os Estados Unidos são uma puta. Uma puta fazida, é bem verdade. Fazem um charminho aqui e ali e vivem se fingindo de difíceis, feito na hora de te deixar tomando chuva na calçada enquanto espera pra pegar visto (pra alegria dos camelôs vendendo guarda-chuva a vinte reais), ou na cara cada vez mais mal-humorada dos funcionários da imigração. Mas no fim das contas, em menor ou menor grau, a América acaba dando pra todo mundo. Verdade que a qualidade do sexo varia conforme a grana do cliente. Pra alguns ela se entrega de fato, bundinha e tudo; pra maioria, por outro lado, sobra só um carinho de vez em quando, um cafuné aqui e ali, uma rapidinha num banheiro público. Mas qualidade do sexo à parte, todo mundo nesse país vai te contar que alguma vez teve uma de suas maiores fantasias realizada pela América.
Como uma meretriz da melhor qualidade, os Estados Unidos conseguem atender a todos os tipos de demandas, desejos e fetiches. Porque independentemente das possibilidades e expectativas do cliente, sempre haverá algo a ser conquistado aqui. Uma casa de subúrbio pra molhar o jardim depois de quarenta anos de dedicação à empresa? Got it. Internet sem fio com um emprego part time numa república de estudantes? Também tem. Educação razoável pros filhos que ficam em casa enquanto você carrega sofás? You bet. Maconha importada do Afeganistão via tele-entrega? Quando quiser, é só ligar.
É foda ter de admitir, mas essa ainda é a terra das oportunidades pra muita gente. E numa idade em que a minha geração está no momento de se agarrar nelas com unhas e dentes isso só se faz mais claro. E em cada cidade por que passo eu encontro alguém que de alguma maneira foi seduzido pelo fascínio da Grande Puta e conta que anda comendo ela de um jeito ou de outro. Uns são imigrantes clandestinos, outros são importados com méritos, outros estiveram aqui desde que se conhecem por gente. Mas todos parecem ir atrás de alguma coisa, e parecem encontrá-la. Sejam eles mexicanos de inglês porco trabalhando no McDonald’s, jovens empresários promissores em empregos de quatorze horas por dia, pseudointelectuais que acabaram a universidade e relaxam trabalhando como baby sitters ou surfistas brasileiros subempregados na Califórnia. Todos se aproveitando dos Estados Unidos, cada um pros seus próprios fins.
E ainda assim, mesmo com a genitália assada de tanta gente pra satisfazer, a América segue se comportando como uma profissional do sexo por excelência. E como as melhores prostitutas, ela jamais se deixa apaixonar por nenhum dos seus clientes. Por mais que trepe com montes de gentes nos mais diferentes níveis e posições, ela nunca se entrega de fato, e o seu cerne permanece intocado e inalterado. Porque independentemente do uso que se faça do sistema, o pressuposto básico da vida aqui é que o sistema em si permaneça imutável, e que sua lógica fundamental não seja questionada. Paga-se uma quantia e se recebe por um serviço, de maneira geralmente mais regular e previsível do que em qualquer outro lugar. Os Big Macs são sempre iguais, como são os Whoppers, como são as highways, como são os shoppings de beira de estrada, como são as lojas de souvenirs. As ruas são sinalizadas, os correios funcionam, os garçons são gentis, e os Republicanos e Democratas se alternarão eternamente no poder pelo resto dos dias. Mudar o mundo e fazer revolução já saíram de moda há uns 40 anos, e mesmo mudar o país não parece um discurso particularmente efetivo. Até porque quem ia alimentar os mendigos se o Mc Donald’s fosse embora?
E o que me deixa meio perplexo, de vez em quando, é tentar entender como diabos a máquina continua rodando tão vigorosamente e sem acidentes quando a vida é fácil mesmo pra quem se mantém à parte dela. É fácil entender que a galera estrebuche trabalhando no Brasil, em que mesmo com uma jornada de doze horas muita gente mal consegue pagar as contas. Mas quando qualquer um se sustenta mais ou menos tranqüilo trabalhando de entregador de pizza, às vezes parece paradoxal que o sistema não entre em colapso. Mas suponho que o grande mérito da América seja exatamente o de saber seduzir as pessoas pra continuarem correndo. As cenouras na frente dos cães são inúmeras, elas brilham nas vitrines da Quinta Avenida enquanto o pessoal faz as compras de natal, elas se escondem atrás da parede de clubes lotados em que seguranças expulsam arbitrariamente as pessoas da fila, elas escorregam entre as celebridades nas revistas de fofocas. E mais do que qualquer outra coisa, talvez a maior das cenouras que mantêm a máquina girando seja a própria indiferença da Grande Puta. Porque como qualquer mulher esperta, ao nunca se entregar por inteiro, ela sempre deixa entrever alguma coisa a mais. E enquanto houver alguém que parecer estar comendo ela dum jeito diferente, é quase certo que todo mundo vai continuar tentando melhorar.
E assim, independentemente da gente, das eleições, do Iraque, do aquecimento global ou de quem quer que seja, a América segue andando em frente como um monolito imutável, proporcionando a satisfação garantida, imediata e previsível do consumo, contanto que se tenha grana. E ao mesmo tempo em que nunca pareceu tão fácil mudar o mundo (pelo menos se você for o dono do Google), nunca pareceu tão improvável que alguém consiga mudar os Estados Unidos, que vão continuar botando gasolina nos carros, comendo fast food, comprando nachos em jogos de baseball e enrolando copos de plástico em sacos plásticos pra servir drinks de plástico. O sistema é simples e direto demais pra aceitar sutilezas, e é exatamente isso que torna ele acessível pra tanta gente. E os detratores não se dão conta que o que faz o fascínio da América é justamente a sua previsibilidade.
Vá lá, pra quem quer virar o mundo de cabeça pra baixo, pode parecer péssimo. Mas a maior parte das pessoas está mais preocupada com a certeza do sustento em troca duma quantidade pré-estabelecida de suor e de grana. E pra isso, feliz ou infelizmente, continua não havendo lugar melhor no mundo. Pouco poético? Sim, e certamente em alguma outra terra os poetas hão de continuar sonhando com pássaros revoando e fontes murmurantes de água fresca. Mas em resposta a eles, os americanos hão de perguntar, perplexos, por que diabos se precisa de água fresca quando o Gatorade é mais barato. E não deixarão de ter alguma razão.

você sabe que a sua anorexia está ficando séria quando...

... até as placas de trânsito começam a rir da sua cara.















(Big Sur, 14/12/06)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

este blog orgulhosamente anuncia

que já é o sexto hit do google para os termos de procura "bebendo+própria+porra". Agradecimentos ao extreme tracker pela estupefaciente notícia. Aparentemente o meu hábito de usar a palavra "porra" pra qualquer porra finalmente anda rendendo frutos.

duas imagens pra ficar com um pé atrás em relação à tal de esperança


duas imagens pra se ter esperança no mundo
















(Utah, 10/12/06)

sábado, dezembro 09, 2006

uma razão pra perder a esperança no mundo

Discotecas que tocam hip hop nos EUA. Algo assim tipo um baile funk em que ninguém come ninguém.

uma razão pra ter esperança no mundo



depois de cruzar com incontáveis cinemas que viraram igrejas pelo mundo, eu finalmente encontrei uma igreja que virou uma discoteca. OK, pode ser só uma gota no oceano, ou só um gol de honra numa goleada contra. Mas mesmo que seja, ainda assim é uma bicicleta de fora da área.

(Denver, 8/10/06)

seja artificial, mas seja sincero















(num McDonald's no meio do kansas, 7/12/06)

terça-feira, dezembro 05, 2006

brinque você também de robin hood

nunca fui muito com a cara desses filhos da puta da indústria farmacêutica. Mas já que eles querem expiar a sua parcela de culpa pelo sofrimento do mundo e melhorar a sua imagem, não custa entrar no site da Bristol-Myers Squibb e doar um dólar deles pro National Aids Fund. Dinheiro fora do bolso dos outros é colírio.

todos os caminhos levam a Roma


a) New York é o centro do mundo
b) O Times Square é o centro de New York
c) No centro do Times Square tem um centro de recrutamento das forças armadas norte-americanas
não sei o que isso quer dizer, mas na dúvida não parece muito bom. Ainda mais quando botaram o posto das forças armadas exatamente no lugar aonde costumava ter uma barraquinha que vendia ingresso com desconto pro teatro.

breve agradecimento a deus pela existência de Kurt Cobain

na real nunca gostei muito do Nirvana. Mas depois de ver o Sebastian Bach com quarenta e poucos anos abrindo um show do Guns n’ Roses e gritando uns troços tipo “are you ready to fuckin’ rock n’roll with guns n’ fuckin’ roses” pruns gordos cabeludos de quarenta anos, deu pra ter um feeling tipo aquele de “o que teria sido do mundo se os nazistas tivessem ganhado a segunda guerra”. E enfim, um pouquinho de gratidão eterna não faz mal pra ninguém.

terça-feira, novembro 28, 2006

confissões de um ex-cidadão do mundo

nunca me senti tão estrangeiro. E não são os Estados Unidos da América que fazem isso comigo. Verdade que a cara dos funcionários da alfândega não colabora muito pra eu me sentir em casa. Como não colabora a proibição de levar pasta de dente no avião a não ser que seja num saco plástico transparente (alguém me explica?) E como definitivamente não colaboram as placas que dizem que fazer piadas sobre bombas pros fiscais da alfândega é passível de punição por lei (tristes aqueles que perdem a capacidade de rir de si mesmos, aliás). Não surpreendentemente, um fiscal da alfândega me cutucou quando fui tirar uma foto da placa e eu tive que enfiar a câmera na mochila às pressas (o registro fora de foco tá aí em cima).
Mas não, não é isso que incomoda. A verdade é que já ontem, ainda no Salgado Filho, eu já tinha me dado conta que não me sentia mais tão cidadão do mundo como em outros tempos. E não sei bem se a culpa é minha ou do mundo. Mas como me disseram um escritor deveria ser acima de tudo “humano”, vou tomar a atitude mais humana de todas, que é botar a culpa nos outros. E partir do princípio que foi o mundo que começou a briga, quebrou a xícara e deu laxante pro cachorrinho.
Foi em algum ponto ao longo desse ano que eu senti que o filho da puta do mundo tinha fugido definitivamente do meu controle de acompanhá-lo. É verdade que um pouco disso é circunstância. Depois que eu passei a morar num lugar sem assinatura do jornal nem TV a cabo e o google virou a forma predominante de informação na minha vida, eu passei a receber só a informação que ativamente procuro. Pelo menos na maior parte do tempo. E aí nos restritos momentos em que a mídia não-interativa se intromete na minha vida (geralmente uns dois almoços semanais de cerca de hora e meia na casa dos meus pais, ou alguma noite solitária em que eu perambulo além dos cinco ou seis sites de sempre na internet), eu tenho a impressão de que não tenho mais como dar conta do ritmo em que as coisas acontecem. E o problema não é mais simplesmente não conseguir entender o mundo. O problema é não ter mais certeza se o jeito em que eu vivo nele ainda faz algum sentido.
Eu sei que vinte e sete anos parece cedo pra estar se queixando que a vida anda rápido demais. Mas é sincero, mesmo que seja exagerado. Até porque o pior de tudo é pensar que a situação só tende a piorar. Porque hoje, por mais que me queixe, a verdade é que eu represento a nata intelectual da sociedade. Pelo menos em termo de faixa etária. Afinal, ainda faço parte do estreito grupinho que consegue lidar com o transbordamento de informação e ao mesmo tempo ter idade e educação suficiente pra conseguir fazer algum sentido dele. Mas esperem uns cinco anos, e aí vejam se vocês vão conseguir acompanhar esses adolescentes que cresceram no MSN quando eles entrarem na pós-graduação.
O que mais me incomoda, no fundo, é que as formas de comunicação se renovam muito rápido, e aquelas que foram minhas (e da humanidade) até agora parecem se esvair. E isso não é o futuro, é o presente. Mesmo postar isso aqui nesse exato momento (por mais simples que pareça) já parece ocupar com atraso um espaço e um formato e uma linguagem que já foram colonizados e determinados por outrem. Verdade que isso é uma frustração eterna do artista, mas ao contrário de coisas como “a língua portuguesa”, ou “o livro”, que pareciam imemoriais, blogs, youtubes e congêneres estão sendo inventados por caras da minha idade do outro lado da rua. Pela primeira vez na história, mudar o mundo sem sair do sofá de casa é uma possibilidade factível (pensem em quantos milhares de relacionamentos o tal Orkut Seiláoquê destruiu pela idiossincrática invenção de uma página de recados que todo mundo podia enxergar). Mas pros noventa e nove vírgula nove por cento que chegam atrasados, a frustração de não conseguir só se torna maior.
E na mesma linha de raciocínio, se a infelicidade das pessoas no mundo moderno de fato era fruto de não poder ser ou ter o que elas vêem na TV, a web só há de piorar as coisas cada vez mais. Porque, sem exagero, a oferta de coisas para se ter, ver, fazer e viver é bilhões de vezes maior (eu, por exemplo, ainda não consegui superar o trauma de saber que de alguém financiou esse cara). Então fechem as portas e as janelas, maidarlins, e protejam-se dos rumores da rua. Ou então deixem entrar todos os insetos, e preparem-se para a grande depressão.
Não me parece que eu seja uma voz de consenso, no entanto. Pelo contrário, a reação natural da maior parte da minha geração a tudo isso, como a de todas as outras antes dela, parece ser feita de frases tipo “ah, isso é modismo, vai passar”, “isso é tudo uma grande bobagem”, “bons mesmos eram os velhos tempos”, e outras variantes nessa linha. E de fato eu ando ouvindo isso cada vez mais ao meu redor, e de gente que não tem sessenta, e sim vinte e poucos anos. Mas por experiência própria, tipo lembrar de professores meus no início da faculdade me pedindo pra procurar artigos porque “ah, eu não gosto dessas coisas de internet, não me dou bem com o computador, sabe”, não me parece que a opção de aderir ou não à modernidade seja completamente verdadeira. O mundo não dá opção, o mundo engole a tecnologia e é transformado por ela, fazendo que não seja possível viver dentro dele e ignorá-la. Mesmo que a gente opte por não dirigir, a gente ainda assim tem que aprender a atravessar a rua cheia de carros pra não ser atropelado. E ao ver que em pleno ano de 2006 a gente continua pensando em lançar livros, gravar discos e fazer filmes em 35 mm, isso às vezes me parece um frenesi riponga quase tão bizarro viver sem luz elétrica. Ou pior do que isso, parece simplesmente tentar ignorar os carros e atravessar a rua sem olhar pros lados.
E o mais bizarro de tudo isso, no fim das contas, é saber que, no meio desse tsunami todo, os fatos fundamentais da condição humana não mudaram um milímetro. O mundo em volta pode ser um troço completamente diferente do século passado, da década passada, do ano passado, mas a porra do DNA não deve ter mudado mais do que uns poucos pares de bases. E os hard facts de estar vivo e preso a um corpo que come, dorme, fode, defeca e apodrece continuam exatamente os mesmos. Então a aeromoça pode até dar o aviso de “desliguem os seus wi-fis” antes da decolagem, mas isso não disfarça o fato de que se a porra do avião cair a morte vai ser a mesma de sempre. E tentar equilibrar a condição humana de sempre com o mundo nunca dantes visto é um troço que dá um nó na cabeça. Porque o aumento exponencial das escolhas e opções disponíveis não é capaz de mudar o fato inexorável de que elas continuam todas únicas, intransferíveis e sem precedentes.
E é assim confuso, modesto, com a dimensão da própria pequeneza e com os pés mais fincados no meu próprio nicho, que eu rumo humildemente pro centro do mundo uma vez mais. Nunca antes tão livre pra andar pelo mundo, e nunca antes tão preso ao que eu já sou e não posso mudar. Porque no fim das contas dizer que foi o mundo que quebrou a xícara é só uma maneira de esconder que quem envelhece é a gente. E, por mais que tente evitar, a gente vai se tornando cada vez mais parte do próprio nicho, da própria casa, da própria vida. Todo gesto é uma escolha, toda escolha é uma porta que se fecha, toda porta que se fecha é uma morte pequenininha. E isso não é necessariamente ruim, os nossos neurônios também morrem numa velocidade astronômica a partir do nascimento e nem por isso a gente fica mais burro. Limar, refinar, podar, esse trabalho de ourives todo é necessário, e é intrínseco a estar no mundo. Mas que dói um pouquinho, ah dói.
E enquanto as portas do mundo se abrem e as nossas se fecham, por mais devagar que aconteça, estrangeiro é aquilo que a gente vai se tornando. Coincidência ou não, da última vez que eu tinha vindo pra essas bandas, uns meses antes do Bin Laden mudar tudo, o fiscal da alfândega olhou pro montão de entradas e saídas no passaporte e disse “Welcome back, Sir”. Hoje, seja por causa do passaporte novo, do buraco no sul de New York ou por alguma coisa transparecendo no meu rosto, tudo o que o cara que me botou pra dentro do país me disse ao fazê-lo foi “Take care”. Por mais estúpidos que sejam, às vezes esses americanos acertam na mosca.

quarta-feira, novembro 15, 2006

das incômodas fontes de perplexidade na era digital

olha, não que eu tenha grandes ânsias de popularidade. Mas o fato de que a gata morta duma amiga minha tenha 4 vezes mais amigos, 7 vezes mais fãs e (pasmem) 11 vezes mais recados do que eu no orkut me perpassa. Vá lá que esses gatos mortos tendem a se comunicar bastante, mas isso chega a ser meio constrangedor.

terça-feira, novembro 14, 2006

mais um maldito livro que eu queria ter escrito













mais placas legais no site do lonely planet. Não sou muito de fazer marketing de graça, mas esses filhos da puta são dos poucos merecem.

quarta-feira, novembro 08, 2006

pra quem tinha medo da pastorinha do youtube...


...tremble in fear! jesus... digo, pelo amor de deus... digo, goddamnit... digo, damn god...

segunda-feira, novembro 06, 2006

cinco minutos para salvar o mundo

licenciei essa porra no creative commons hoje. Como "uso liberado, contanto que não comercial e igualmente compartilhado, citando a fonte", ou alguma coisa assim. Me levou uns cinco minutos, e parece um gesto de civilidade tão óbvia que eu não sei como eu não fiz antes. E ao contrário dessa brincadeira de votar e tantas outras coisas duvidosas, essa não tem como vir pra mal. More on this to come. E espelhem-se, please.

domingo, outubro 29, 2006

foi comprar cigarros e nunca mais voltou

não sei porque diabos eu não fumo também.