segunda-feira, março 19, 2007

e agora um boicote que vale a pena


quer dizer, valeria a pena, se não fosse um movimento restrito a um punhado de nerds norte-americanos que mal sabem escrever, tipo esses aqui, esses aqui, e uma larga quantidade de outros ainda mais ridículos. E me deixa sinceramente chateado que todo mundo se preocupe com os filmes de terror, mas que nessas horas ninguém chie. Porque sério, parece ser o clássico caso de uma imensa maioria silenciosa e passiva cedendo a uma minoria de cinco ou seis megaconglomerados extremamente vocal, ativa e legalmente assessorada. Porque eu não consigo realmente imaginar que alguém que não seja acionista da Viacom realmente apoie eles nessa ridícula pataquada de partir pra cima do Youtube pedindo um mísero bilhão de dólares em danos. E que por favor ninguém me venha com uma argumentação legal em cima disso (ainda que a maior parte das pessoas que entende do assunto parece ser da opinião de que eles não têm razão de qualquer maneira). A questão é muito mais simples. Se uma única supercorporação multimilionária pode legalmente estragar o veículo de expressão de milhões de pessoas botando conteúdo no mundo por pura boa vontade (misturada com o narcisismo, naturalmente, mas nada mais saudável do que isso) por causa de copyrights de pedacinhos de coisas que em grande parte das vezes já foram ao ar, nunca mais irão, e não dão dinheiro pra mais ninguém, é a lei que está errada. Ponto. E nenhum ato digital de copyright do milênio ou Sepúlveda Pertence vai me convencer do contrário.
mas aparentemente ninguém parece se preocupar muito. Talvez porque todo mundo tenha crescido desde o bercinho com essa noção absolutamente criada que pirataria é um troço ruim e feio (sem nunca ter se questionado como diabos um troço cujo nome técnico é “compartilhamento” tenha o nome legal de “pirataria”). Ou porque elas tenham crescido com a idéia de “viva o sonho americano” de que se o CEO da Viacom chegou lá é porque ele trabalhou duro e merece ter três bilhões de dólares ao invés de dois (mesmo que pra isso seja necessário suprimir a produção intelectual de alguns milhões de pessoas, já que o sonho americano, como todo mundo sabe, é sempre só pra uns dois ou três). Ou simplesmente porque prefiram deixar a questão pros advogados. O problema é que, pelo menos nessa briga, os advogados estão todos do lado onde costumam estar. Do lado onde o dinheiro está concentrado. E assim a oportunidade de uma revolução cultural de verdade ainda é capaz de escapar por entre os nossos dedos (digo, por entre as letras miúdas da legislação), por pura inércia.
não pretendo começar movimento nenhum, nem adentrar na organização política nesse exato momento, até porque tá na hora da janta e além disso a minha namorada acabou de se atirar em cima da cama. Mas acho que cada um de nós podia pelo menos tomar um pouquinho de consciência e fazer um único gesto político. Que pode ser muito bem o de piratear desesperadamente tudo o que tenha alguma coisa a ver com a Viacom, pra começar (ou seja, paramount pictures, CBS, dreamworks, MTV, nickelodeon e mais meia torcida do flamengo, como mostra a figura acima). Ou de xingar a mãe deles em público e pelo menos colocar a questão em pauta. Mas já que isso pega mal em jantares chiques, ainda acho que piratear é a melhor opção. Pelo menos pros mais quietinhos. Se alguém precisa, os links pro Pirate Bay e pro Soulseek tão aí do lado. E pros mais tradicionalistas, o centro de sua cidade certamente está zunindo de camelôs com DVDs a cinco reais. Eu tenho certeza de que algum bem pelo mundo a gente vai estar fazendo. E não é todos os dias que se tem a oportunidade de fazer isso comendo pipoca.

Um comentário:

Biti disse...

falou e disse!