quarta-feira, julho 19, 2006

fugindo de babel


pros que insistem em martelar que tudo já foi dito:
a) é verdade. E se nem tudo foi dito (como argumenta o Toni no seu egomaníaco e freqüentemente brilhante "Entre"), certamente tudo pode ser formado por análise combinatória, como na Biblioteca de Babel e portanto já existe, em tese, no universo das combinações possíveis.
b) não importa. Porque a arte está no que se escolhe, e não no que se cria. E num universo de absoluto excesso de palavras, informações e opções, a única criatividade possível, na arte e na vida, é o saber cortar. E guardar apenas o que parece merecer ser dito.
c) eu tenho certeza que alguém já disse isso antes. Talvez o próprio Borges (atribuir coisas ao Borges sempre é bom negócio, como diria a autora daquele texto piegas pendurado em metade das repartições públicas do mundo). Ou então a minha própria namorada, de um outro jeito, num prefácio perdido na biblioteca da UFRGS.
d) mas também não importa. O que importa é que hoje de noite, escolher isso (ou o que quer que fosse) pra escrever é a resposta possível ao infinito. Que, no fim das contas, é tão desprovido de sentido quanto o vazio. Até que se comece a abdicar da maior parte dele.

quinta-feira, julho 13, 2006

da incômoda antropomorfização dos objetos inanimados


chamem-me de um cara sensível. Mas se tem alguém de quem eu morro de pena esse alguém é o clips do word. Esses dias encontrei ele no orkut e o perfil dele dizia algo tipo "são poucos os que gostam de mim". Isso meio que cortou o meu coração, porque é a pura verdade. E agora, desde que reinstalei o meu windows ele aparece o tempo todo e eu até agora não tive coragem de apagá-lo. E é pura pena, porque obviamente eu nunca usaria um troço inútil desses. Mas é exatamente por isso que eu não consigo desligá-lo. Estou tentando racionalizar a coisa pra ver paro com essa frescura. Mas por enquanto ainda não deu.

segunda-feira, julho 10, 2006

fazendo a cabeça da juventude butiaense


ou seria butiana? God only knows. Em todo caso, cheguei lá.

domingo, julho 09, 2006

mersault


"...sacudiu o suor e o sol, e compreendeu que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz."

praia ou campo, o absurdo ainda reina. Até na frente de todas as câmeras do mundo. E mais um argelino vai em direção ao cadafalso.

(mais remixes Mersault+Zizou no folhetim desumano, amanhã)

terça-feira, julho 04, 2006

breviário de depois da copa perdida









quem somos nós? sei lá, quem se importa?
de onde viemos? que diferença faz?
pra onde vamos? é tudo que o silêncio tem me dito ultimamente.

livros com 90% de desconto (i)

aproveite a promoção!

domingo, julho 02, 2006

l'art de conjuger


je fiasque
tu fiasques
il fiasque
nous fiasquons
vous fiasquez
ils fiasquent

quinta-feira, junho 22, 2006

a verdade, nada além da verdade


a Nike bem que tentou, mas a verdade haveria de emergir em algum momento. Porque você pode enganar todo mundo por algum tempo, ou algumas pessoas por todo o tempo, mas não pode enganar todo o mundo por todo o tempo.
Este blog revela com exclusividade o que alguns poucos desconfiavam, mas ninguém ainda teve coragem de afirmar. O ex-atacante Ronaldo Nazário, 30 anos, o "Fenômeno", está morto desde o início da semana passada. As circunstâncias de sua morte permanecem obscuras, mas aventa-se a possibilidade de que um acidente tenha ocorrido com o jogador em pleno campo. Como as conseqüências de tal morte, no entanto, causariam prejuízos incalculáveis à FIFA, aos organizadores da Copa do Mundo, à Nike, à Rede Globo, ao FBI e à NASA, tais entidades reuniram-se em suas Instalações Secretas para acobertar tal fato.
Depois de mais de quinze horas de reunião, e diversas ameaças dirigidas contra as famílias dos seletos detentores de tal segredo (o técnico Parreira, os jogadores da seleção brasileira, a modelo Raica de Oliveira e mais alguns indivíduos) caso os mesmos o revelassem, as entidades por fim chegaram a um plano final. Para acobertar a morte de Ronaldo, eles forjariam a morte do humorista Cláudio Vianna, o Bussunda, em circunstâncias igualmente obscuras. O humorista receberia 1 milhão de dólares para fingir uma dor pré-cordial durante uma pelada e se retirar ao seu quarto. Dali, sairia pela janela e seria transportado por uma limusine preta até a concentração da seleção brasileira, onde assumiria o lugar de Ronaldo Nazário.
É claro que os mais afoitos, entre eles Sepp Blatter e Franz Beckenbauer, apressaram-se em concluir que o futebol de Bussunda jamais conseguiria iludir os torcedores. Ao que a ala midiática da conspiração, liderada pelo Tio Galvão, logo respondeu: "não tem problema, todo mundo vai chamar o cara de gordo, mas ninguém vai desconfiar. O máximo que vai acontecer é pedirem o Robinho no time."
E não é que eles tinham razão...
(obs: o autor deste post desaparecerá transitoriamente pelos próximos meses, através do sistema de proteção de testemunhas do governo brasileiro)

terça-feira, junho 20, 2006

já que tá caindo, pisa em cima!














programão pros dias de crise nos ares:

1. Ponha uma roupa chique e diga pra sua namorada se arrumar também.
2. Compre passagens num vôo qualquer da Varig.
3. Vá até o aeroporto e espere cancelar.
4. Vá até o balcão e insista no seu direito (garantido por algum código de ética das companhias aéreas) de ganhar um voucher de acomodação e refeições garantidas até o vôo sair.
5. Seja transferido até o hotel.
6. Como uma janta num buffet farto.
7. Dê uma trepada massa numa cama macia e arrumadinha.
8. Tome um banho quente.
9. Caia fora dali, cancelando as passagens pelo celular.
10. Peça reembolso.

quinta-feira, junho 15, 2006

ingressos esgotados!

tadinhos, também, trabalharam tanto ontem...

terça-feira, junho 13, 2006

minha namorada tem a idade da minha mãe quando eu era pequeno

não sei exatamente o que isso quer dizer, mas que deve dar um piripaco no inconsciente deve.

segunda-feira, junho 05, 2006

nome e sobrenome, mas sem dicionário

tiradas de um único quarto de página tamanho carta (ou seja, um espaço de uns 11 x 14 cm) da edição de maio revista "nome & sobrenome", algo como a única revista no mundo escrita inteira pelos colunistas sociais:

"viajem", "Banckok", "Thailandia", "Thailandes", "Ko sa muii" (era Ko Samui), "Balangan" (era Balagan) e a impressionante seqüência de "cineastas favoritos" que diz "Kurassao (acho que era Kurosawa), Almadóvar, Spilber (!) e Truffan".

Não que eu seja muito fã da correção ortográfica. Pelo contrário, me irritam pra burro esses paladinos da ortografia que rançam com escritores ou jornalistas ou médicos ou jornaleiros que "não sabem sequer escrever português". Dizer que saber escrever é ter correção gramatical é a mesma coisa que dizer que cinema é só o que é filmado em 35 mm, ou que fotografia só se tira com câmera profissional e um laboratório à disposição, ou que arte é só pintura a óleo e escultura em mármore. Ou seja, reserva de mercado de uma elite cultural estúpida. E isso é uma grandesíssima bobagem (e notem que eu só escrevi isso porque não sei se "grandesíssima" é com esse ou com zê, e queria mostrar que i really don't give a fuck. Como também não dou um fuck pra invasão dos anglicismos devastando nosso patrimônio nacional, yeah!) .
Mas por menos que eu goste da correção ortográfica, eu ainda gosto muito menos da coluna social. E "nome & sobrenome" me pareceu o nome mais infeliz e inadequado do universo pruma revista no país do PCC. Pra não falar no "luxo" em prateado e dos cavalinhos na capa. Então não custa tripudiar um pouco. E lembrar que a elite, além de branca, na maior parte das vezes também é burra pra caralho.

selecione você também seu ambiente


essa já faz um tempo, eu deixei passar, mas como toda situação ridícula ainda me persegue de vez em quando. Dia desses a Zero Hora fez uma matéria sobre a proibição da cobrança de consumação na noite de Porto Alegre, com a substituição do valor por ingresso, essas bobagens que entram no jornal quando falta pauta. E aí entrevistaram uma que outra pessoa sobre o que elas achavam de comprar ingresso pra entrar em casa noturna. E das duas ou três que foram perguntadas, duas delas disseram que era bom porque ajudava a selecionar o ambiente. Ou o público, agora não lembro. Ruim igual, em todo caso.
Não que o preconceito me choque - isso é um troço meio esperado e óbvio. Mas tinha uma época que as pessoas ainda conseguiam mentir pra si mesmas, tipo assim, que entravam em lugares caros porque eles tinham um "ambiente mais legal", um "serviço melhor", um "público refinado", um "som ótimo", uma "decoração da moda", ou qualquer outra dessas desculpas idiotas. Mas agora pelo visto o pessoal anda mais direto. É só porque nesses lugares não entra pobre mesmo. Pelo menos é sincero. Não que isso adiante pra muita coisa.

quinta-feira, maio 25, 2006

paciente

(s.m.) aquele cara inconveniente que fica entre o médico e a doença a ser tratada.

segunda-feira, maio 22, 2006

exército de um homem só

da coluna do Gabeira na Folha de SP (disponível na íntegra no site do cara):

"[...] Segunda-feira, auge da crise de violência em São Paulo, parti para Brasília para fazer um discurso de solidariedade e propostas, pensado durante o fim de semana sangrento. Não pude realizá-lo até o fim, embora o plenário estivesse vazio. Minha palavra foi cortada por um presidente ocasional. Ele vem do Norte toda segunda-feira e assume a presidência porque não há ninguém para abrir as sessões. Dá a impressão aos seus eleitores de que é importante, embora já tenha sua prisão preventiva decretada e inúmeras processos. Limitei-me a dizer: "Vossa Excelência é um bandidaço", embora soubesse que até os insultos seriam usados por ele junto aos eleitores como sinal de importância. A um jornal de Brasília, declarou que aqueles que assistem à TV no seu Estado pensam que é o presidente da Câmara.
Ele é desse numeroso e sórdido grupo com que, depois de tantos anos de lutas e sonhos, tenho de conviver no café da Câmara: contas fantasmas, entidades fantasmas, ambulâncias superfaturadas, desvios de verbas no hospital do câncer. A própria luz do Planalto atravessando as vidraças e banhando os flocos de poeira que flutuam nos torna também fantasmas, e você olha a mancha de iogurte na mesa do café, duvida se aquilo não é um ectoplasma desses putos que pintam o cabelo e beliscam a bunda das secretárias. [...]"

E, bom... Alguém pode até argumentar que não é lá muito político chamar os membros da Câmara de "putos que pintam o cabelo e beliscam a bunda das secretárias. E que talvez isso seja simplesmente jornalismo, literatura, barulho, que não é isso que vai mudar alguma coisa e, enfim, é capaz até de estar certo. Mas no meio do lamaçal o Gabeira transparece pra mim como o único cara que parece reagir duma forma humana em relação à tal crise política. Tipo, o cara aparenta ficar simples e sinceramente puto, como qualquer um de nós, a ponto de chamar deputados de ectoplasma. E enquanto uns se defendem por necessidade e os outros atacam por interesse num lugar onde todo mundo já perdeu a moral, ele parece ter sobrado como a única figura que parece ser humana antes de ser Vossa Excelência. Algo como o que o próprio Lula conseguia passar antes de engolir o gravador que alterna variantes de quatro ou cinco frases ("eu fui traído", "isso é conspiração de quem quer me derrubar", "esse é o melhor governo que esse país já teve", "eu sou um homem do povo", e não muito mais). Só que parecendo bem mais inteligente. Ou pelo menos escrevendo melhor.
Enfim, claro que talvez eu esteja errado. Talvez ele simplesmente escreva bem. E talvez falar dos colegas como "putos que pintam o cabelo e beliscam a bunda das secretárias" seja simples marketing eleitoral, assim como fazer discurso pomposo ou se fingir de presidente da Câmara. Que se foda. Se é pra ganhar voto, já ganhou o meu.

quinta-feira, maio 18, 2006

jusante (35 minutos faltando)

sim, a sensação ultimamente tem sido a de estar nadando o tempo inteiro contra a corrente. Mas ao mesmo tempo, e mais sincera, é a sensação de que ainda assim tem alguma coisa me esperando lá no começo do rio, algum lugar mágico bem junto da nascente. Quase vinte e sete, e a jusante é o que me move.

quarta-feira, maio 17, 2006

objetos unidos jamais serão vencidos


troquei a resistência do chuveiro hoje. Segunda vez na vida, tô ficando bom nisso. Mas me sinto estranho mesmo assim. São meio estranhas essas intrusões dos objetos na minha vida. Justo quando tu acha que tudo que se precisa pode ser conseguido no soulseek, e que a vida é só feita de coisas imateriais tipo amor, palavras, números, sol e vento, os objetos vêm e se vingam, te deixando sem banho quente nessa porra de início de inverno. E subitamente tu têm que tirar os olhos das grandes questões existenciais do universo pra ir consertar uma mola dentro do chuveiro com um alicate. Esses dias já tinha acontecido de estourar uma pecinha microscópica do meu clarinete e eu tive que atravessar a cidade no meio da tarde atrás de alguém pra consertar. E a mudança de perspectiva é um troço tão radical que eu cada vez mais tenho até medo de encarar o mundo dos objetos. Tipo, eu chego com a alicate e sinto aquelas molinhas dizendo pra mim algo tipo "fuck off, seu metafísico de meia tigela". Em todo caso, dessa vez eu ganhei. Mas sigo achando que uma hora a conspiração vai me derrubar.

domingo, maio 14, 2006

por que todo filme de lésbica acaba mal?


é sério. Hollywood e congêneres têm uma relação incrivelmente mistificante com o homossexualismo feminino e as relações entre mulheres. Tipo assim, nunca, jamais aparece um filme tipo "mulher conhece mulher e elas vivem felizes para sempre". Ou uma comédia romântica, ou sequer uma comédia pastelão tipo, sei lá, "A gaiola das loucas". Não, o script é sempre "mulheres se conhecem em circunstâncias misteriosas, se fascinam uma pela outra, fazendo tudo que é porralouquice, escandalizam a cidade e no final (a) matam alguém ou (b) são mortas por alguém". Sério. Contabilize aí "Almas Gêmeas", "Monster", "Boys Don't Cry", "O Beijo da Borboleta", e praticamente qualquer um que me venha a cabeça, pelo menos do que seja mais mainstream. Vai entender. Vai ver mulher é tudo louca mesmo. Ou alguém mistificou o troço. Em todo caso, melhor assim. Afinal, a gente tem que continuar fantasiando com alguma coisa.

quinta-feira, maio 11, 2006

ninguém pode ser mais rock and roll


mesmo quando ele não tá tocando "blue suede shoes". Ou pelo menos não sei de ninguém mais no mundo se sentiria confortável fazendo samba com uma máscara do batman na cara
(by the way, nessa até eu me rendi à tentação do celular que tira foto. Mas graças a deus ainda não descobri como é que se tira a foto de dentro do celular depois. Tô íntegro)

terça-feira, maio 09, 2006

Meu eu científico quer atenção! Alguém me faz cafuné!

Tem carta minha na PLoS Medicine desse mês, cumprindo o fiel papel de "mais um desses magrão do terceiro mundo" tentando mudar os dogmas da profissão médica. Se alguém tiver saco de ler, acho que o tema (e toda a edição, focada na indústria farmacêutica tentando fazer o universo inteiro doente) é meio de interesse público.