
(ranking do público, Film Festival Rotterdam, 28/01/08. Atentem pros números 14 e 15. Pelo menos por enquanto, um a zero pra nóis)

como poucas temporadas alhures, talvez como nenhuma antes, essa definitivamente começa no meio. Já faz mais de mês que eu estou aqui, e estranhamente em nenhum momento pareceu o começo de nada. Certamente não parece o fim de coisa nenhuma tampouco. Só o meio.
não sei porque essa impressão é tão presente. Mas é fato que todos os dias acordo com a impressão de que a seta do tempo tirou férias. Vá lá, talvez isso tenha a ver com o fato de eu estar um pouco de férias, pelo menos de horário formal. E na ausência de rotina tudo acaba virando um pouco um contínuo. A semana e o fim-de-semana. O trabalho e o lazer. A paz e o tédio. Até o amor e o desejo. Como em poucas vezes na vida, as divisões são pouco claras, e aquela história de dividir a luz e da escuridão e fazer-se o verbo parece só um papinho pretensioso. E eu me sinto o tempo todo no meio de alguma coisa que não começa, não termina, e não se dirige muito claramente pra lugar nenhum.
eu ando me sentindo tri bem, aliás.
estranho, talvez. Porque vá lá, “falta de direção” nunca foi um dos meus valores preferidos. Pelo contrário, se eu for ler tudo que é bobagem que tem escrita nos meus documentos da vida (nunca faria isso de verdade, seria um porre), aquele monte de palavras são sempre permeados de uma constante sensação de “estar por vir”. De estar indo em direção a alguma coisa, de estar prestes a conseguir alcançar a compreensão de algo, de estar na soleira da porta, de se enxergar sempre mais como potencial do que como presença, de enxergar o futuro sempre maior do que o presente.
a grosso modo, isso tudo parece andar meio sumido.
vai ver eu cheguei em algum lugar.
onde? Sei lá. Em todo caso, talvez valha a pena comparar com as minhas expectativas de uns tempos atrás. Eu sempre tive a impressão que o dia ia chegar em que eu ia me livrar de todos os compromissos e aí ia ter tempo pra (a) descobrir o segredo do universo, (b) escrever uma obra-prima, ou no mínimo (c) ler todos os livros que eu queria. Ou mais provavelmente (d) todas as anteriores.
bem, se a evidência empírica até agora significa alguma coisa, isso tudo era provavelmente uma grande bobagem. Faz um mês que eu tô aqui, e não descobri grande verdade nenhuma. A minha produção literária tem sido absolutamente exígua. A parte de ler tá indo um pouco melhor, vá lá, mas ainda assim acho que anda abaixo do esperado. Na verdade o que tem me acontecido é acordar tarde, ser tragado por bobagens e pendengas no computador, numa mistura caótica de trabalho e tempo perdido, e aí precisar ir no supermercado, ou arrumar a casa, ou alguma outra burocracia. E aí começa a ficar tarde e eu sinto que tenho que sair pra aproveitar o sol, já que ele se põe tri cedo. E aí quando eu volto eu já dispersei e tentar produzir algo mais elaborado fica meio difícil. E por aí vai. E eu sigo flutuando num meio, que não vai pra frente e certamente não volta atrás.
por outro lado eu tenho comido um monte de presunto cru, azeitonas recheadas com anchovas, pimentões em conserva e queijo camembert. Comprados no super, são baratos e bons pra caralho.
e o engraçado é ir descobrindo, devagar, que o meio não tem me feito tão mal assim. Há não muito tempo eu morria de medo do dia em que todas as turbulências de fins de noite de inverno iam desaguar num dia claro. Ou, como dizia um amigo meu, do dia em que a era de aquário ia chegar. Inclusive tentei sem sucesso escrever um roteiro comprido e engavetado (ainda bem) sobre esse medo uma vez. Vá lá, alguma coisa talvez se perca quando o meio chega. Tipo aquela sensação megalomaníaca orgulhosa de flecha que se move em direção a um futuro promissor e glorioso. Por outro lado, também se perde um pouco a incômoda presença da porta logo à frente, aquela sensação de que o futuro nunca chega porque sempre tem alguma coisa entre a gente e ele.
então não sei muito bem se o futuro chegou, ou se a porta se abriu. Mas pelo menos a sensação dela na minha frente tem se tornado bem menos nítida.
eu diria que talvez tenha chegado o meio.
e como dizia o Luiz Tatit, o meio não parece ruim. Fato consumado, não me sinto com nada de muito novo a dizer sobre o mundo. Mas provavelmente isso tem a ver com o fato da eloqüência quase sempre nascer da vontade de dizer, e a vontade de dizer quase sempre nascer da angústia, e da angústia quase sempre nascer daqueles incômodos cães do porão que rosnam no fundo do inconsciente. E que, ao menos por hora, têm se mantido plácidos e quietinhos no seu canto. Talvez apaziguados por uns pedaços de presunto cru.
por enquanto, eu não ando reclamando.
e se alguma angústia dá as caras de vez em quando, é só a percepção racional de que tamanha tranqüilidade não pode durar pra sempre. O conhecimento de que tudo é incrivelmente tênue, muito mais do que parece, e que em algum momento alguma coisa sempre acaba. Às vezes é o dinheiro, às vezes é o amor, às vezes é o tempo livre. E mesmo se em alguma conjunção astral contribui pra manter todo o vento a teu favor, em algum momento é um corpo que acaba por quebrar. Mas isso tudo parece uma angústia surpreendemente bem recalcada hoje em dia. Talvez porque percepções racionais, no fundo, nunca tenham tido muita importância pra ninguém mesmo.

não fosse a citação ao mestre lá no meio disso aqui, talvez tivesse passado batido, ao menos pra mim. Mas agora tudo me parece claro como a luz do dia. Michel Houellebecq e Bernardo Soares são a mesma pessoa. A mesma depressão melancólica. A mesma visão clarividente e desiludida do mundo. E a mesma lógica ferrenha de guarda-livros (ou engenheiro agrônomo), tão inquebrável e desprovida de ilusão que chega a ser míope de vez em quando. Aliás, por acaso alguém já viu os dois juntos numa mesma sala?
verdade que com o tempo (e a reencarnação), tio Bernardo parece ter perdido o pouquinho de capacidade de transcendência que ainda lhe restava quando o Esteves passava do outro lado da esq... (oops, isso foi o Álvaro de Campos). Mas certamente compensou ganhando vários pezinhos no mundo. Além de uma capacidade pra escrever cenas de sexo sanitizado e desinfetado de sentimento que teriam feito Ofelinha corar. A idade não lhe cai mal.
deus dá nozes a quem não tem dentes


na real sempre achei essa coisa de postar clipes de música um ato ridículo de tietagem. Mas é um pouquinho como se o espírito do Tom Waits tivesse feito uma música sobre o meu último mês de vida e encarnado num corpinho mais desejável só pra cantar ela pra mim. Então eu simplesmente não tinha nada melhor pra dizer sobre esses dias de verão.
até uns tempos atrás volta e meia alguém batia na porta desse blog digitando a pergunta "frases para botar no orkut" no google. Suspeito que esse pessoal procure algo pra responder àquela incômoda perguntinha "quem sou eu?" que fica do lado da fotinho. Bem, amigos adolescentes, se vocês querem respostas prontas, aqui vai a minha sugestão do dia, para o delírio dos setores de recursos humanos de todo o mundo...
r em cachorros, leões, golfinhos e mamíferos evoluídos em geral). E sentado na mesa do almoço enquanto os pirralhos sobem em cima dela, fico pensando que se a idéia é a de que a vontade de brincar faz com que a criança explore o mundo e por isso fique mais inteligente, o troço há de realmente funcionar. Caso contrário não justificava tanto tombo.



"AS INVESTIGAÇÕES científicas mais relevantes para a preservação da saúde e da vida humanas resultaram de estudos feitos com base na clínica, na observação e no mapeamento das doenças que mais incidem sobre a população humana ou de estudos voltados para a prevenção das doenças, não exclusivamente para o combate de seus sintomas.
(OK, a afirmativa que “a prevenção é mais importante do que o combate dos sintomas” pode até estar certa. Só que esquece que (a) estudos animais são obviamente importantes pra estratégias de prevenção primária e secundária (vide estudos de vacinas ou métodos diagnósticos) e (b) a oposição “prevenção vs. combate dos sintomas” é completamente esdrúxula. A importância de prevenir não diminui em nada a importância de saber remediar ou controlar os sintomas com a doença instalada. Não há nada de errado agir exclusivamente no combate dos sintomas quando o resto falha. Negar isso seria recusar analgésico pra paciente com câncer terminal, o que é uma idéia completamente sádica e vil)
"As descobertas científicas que mais contribuíram para prolongar a vida humana resultaram basicamente de estudos e observações clínicos, e não de testes feitos em animais vivos de outras espécies."
(sim, e os estudos clínicos se baseiam no quê, querida? Como essa pessoa acha que as pessoas desenvolvem não só as drogas a serem testada, mas toda a base de conhecimento de fisiologia, genética, bioquímica e patologia que permite construir modelos teóricos pra interpretar as observações clínicas de maneira que elas sirvam pra alguma coisa?)
Via de regra, estudos baseados no modelo animal vivo (vivissecção) servem apenas para desenvolver a habilidade dos cientistas na construção de modelos que terão de ser, mais tarde, redesenhados para a aplicação em estudos destinados à investigação de possíveis terapêuticas para doenças humanas.
(pra começar, não entendi lhufas dessa frase mal escrita. Mas me parece que jogar esse “desenvolver a habilidade” ali no meio parece uma tentativa de sugerir, falsamente, que os cientistas usam animais pra “treinar habilidades”, o que é absolutamente falso. Eles os usam pra construir conhecimento. Aliás, o próprio uso do termo “vivissecção” pelos “abolicionistas” da experimentação animal pra denominar experimentação animal é um erro de utilização da palavra (que a rigor significa “o ato de examinar internamente um ser enquanto ele ainda está propriamente vivo”, o que é o destino de uma porcentagem ínfima de cobaias sacrificadas no mundo – eu chutaria menos de 1%), que me parece querer evocar cientistas mutilando animais e confundir a questão (válida, a meu ver, pelo menos como debate) da necessidade da vivissecção para o ensino com a questão (completamente descabida, a meu ver) da necessidade da experimentação animal para a pesquisa científica e para a saúde humana)
Após todo esse esforço, as drogas não funcionam como prometido. Muitas delas são retiradas do mercado após constatada sua letalidade para humanos
(esse argumento é completamente idiota. A lógica aqui é (a) “a ciência utiliza animais”. (b) “a ciência tem fracassos e produz drogas que tem que ser retiradas do mercado”. Logo (c) “a culpa é da experimentação animal. Excuse me, qual é o sentido que isso faz? Pense um pouquinho, meu doce. Se a ciência já erra e produz drogas inefetivas e perigosas usando milhares de cobaias, imagine o cenário dantesco que se produziria se ela testasse elas direto em gente).
A ciência usa o dinheiro e investe o tempo de seus operadores se perdendo nos labirintos da vivissecção. Seu investimento nesse único método de pesquisa é diretamente proporcional ao seu fracasso em responder satisfatoriamente às questões às quais se propõe responder com a investigação.
(mesma lógica, mesma bobagem)
Enquanto gerações e gerações de jovens cientistas são transformadas em vivisseccionistas sob a imposição hegemônica de uma ideologia claramente fracassada, outras tantas gerações de jovens, bebês e adultos morrem a cada ano daquelas mesmas doenças que o cientista há mais de cinco ou seis décadas promete curar ao buscar em organismos de ratos e camundongos a resposta para males que afetam cada vez mais devastadoramente organismos de indivíduos humanos.
(de novo o mesmo argumento: (a)“a ciência tem fracassos”, logo (b) “ela não funciona e a culpa da experimentação animal”. De novo, se depois de décadas de pesquisa as pessoas continuam morrendo das mesmas doenças – ainda que geralmente menos – isso só quer dizer que a gente precisa do máximo de ferramentas possíveis)
A ciência vivisseccionista não tem feito nenhum progresso na busca da cura dos grandes males que produzem as doenças crônicas, dolorosas e letais mais comuns em organismos humanos: câncer, acidentes vasculares, diabetes, hipertensão, mal de Alzheimer, mal de Parkinson. Além do fracasso evidente de todas as drogas até hoje empregues para a "cura" dessas doenças, é preciso contabilizar o fracasso de outras inventadas a partir do modelo vivisseccionista para o tratamento das demais doenças que afligem os seres humanos, a exemplo da depressão e de outras formas de sofrimento psíquico
(me dêem licença pra ser um pouco sarcástico, mas isso é um completo atentado contra o bom senso, e um insulto blatante a milhões de cientistas bem-intencionados. Eu não vou citar exemplos de por que isso está errado porque me parece que não precisa, qualquer pessoa que tenha passado do jardim da infância consegue reconhecer o absurdo total das frases acima. Em todo caso, se alguma referência é necessária recomendo à autora que dê uma olhadinha em qualquer estatística de expectativa de vida ou mortalidade por doenças específicas de qualquer lugar do mundo desse século. Falar que a ciência não tem feito nenhum progresso na busca da cura das doenças mencionadas é um descalabro completo e total, e é simplesmente insultante pra humanidade em geral)
(notem que a autora insiste no conceito de “cura” de maneira a enganar o leitor: de fato, a maior parte das doenças citadas permanecem incuráveis (com a honrosa exceção do câncer, que vou discutir abaixo). No entanto, é completamente inegável que o controle, a mortalidade, a morbidade e o sofrimento associado a coisas como diabetes, hipertensão, doenças vasculares cerebrais e Parkinson foi imensamente afetado pela medicina moderna e pela farmacologia, em grande parte devido ao suporte de experimentos animais. O tratamento correto da diabetes faz a diferença entre décadas vividas com qualidade de vida semelhante a um indivíduo saudável e a cegueira, a amputação, a insuficiência renal e a morte precoce por um infarto. Dizer que a doença “não foi curada” pode até ser uma verdade relativa, mas tentar sugerir através daí que a vida dos diabéticos não foi vastamente melhorada pela ciência é um insulto a milhares de cientistas que pesquisam na área e a milhões de pessoas doentes que tem que ouvir uma estultície tamanha)
(ainda no parágrafo acima, gostaria de destacar que também sou um puta crítico da “invenção” (ou pelo menos da diagnostização de sintomas) por parte da psiquiatria moderna. Agora, puta que o pariu, o que diabos isso tem a ver com os pobres dos ratos. É o típico argumento de um observador tosco que coloca a ciência toda dentro dum saco plástico pra jogar dentro do rio)
Ao adotar o organismo de camundongos, ratos, cães, gatos, porcos, cavalos, aves e primatas não humanos como referência para a investigação, a ciência deixa de estudar e conhecer o organismo e o psiquismo dos seres da espécie humana, a destinatária de seus resultados.
(esse é o outro argumento freqüentemente usado que também é completamente idiota. É claro que seres humanos são diferentes de porcos e camundongos, qualquer criança retardada sabe disso. A questão é que é a melhor maneira que a gente tem pra se aproximar. O que a autora pretende defender, que a gente injete células tumorais nos nossos filhos e depois abra a barriga deles pra implantar capsulazinhas de remédio? Ou será que ela acha que um programa de computador ou uma escultura de argila são mais próximos das pessoas do que um camundongo?)
O que o cientista vivisseccionista faz é estudar a fisiologia dessas doenças em organismos que, via de regra, nem sequer as produzem naturalmente. É preciso "fabricar" um camundongo com câncer para testar nele as drogas prometidas para curar o câncer em organismos que não foram "fabricados" com câncer, mas que o desenvolvem.
(sim, e qual é o problema disso? Um engenheiro que quer estudar um cinto de segurança que funcione tem que modelar um acidente de carro, seja no computador, no papel ou numa demonstração ao vivo. O acidente (e o carro) não são intrínsecos ao computador e o papel. O acidente do carro batido ao vivo também é fabricado. Mas a demonstração funciona e produz conhecimento válido e útil. A “naturalidade” ou “inaturalidade” do câncer no camundongo pouco tem a ver com a importância do conhecimento gerado)
A morte por câncer continua a ser praticamente previsível, apesar das drogas às quais o paciente humano é submetido na "luta contra" ele.
(ô sua ignorante, dá uma olhada nisso aqui. Atente particularmente para números como “sobrevivência em cinco anos de câncer de tireóide: 94,6%; testículo: 93,3%; melanoma: 85,1%; útero: 83,2%; mama: 80,4%. Dizer que “a morte por câncer continua a ser praticamente previsível” denota um grau de desinformação grotesco e é um desserviço enorme à saúde pública e ao bem-estar de um monte de gente)
Adiar a morte não cura.
(OK, vá lá, esse é um ponto de vista válido. Que por sinal, se adotado, significa “joguemos fora toda a ciência médica, o sistema de saúde, os profissionais de saúde e por aí afora”. Afinal, tudo que a gente sempre fez em termos de aumentar sobrevivência foi “adiar a morte”. Que eu saiba, nem a medicina nem ciência nenhuma fez ninguém imortal até hoje. Por outro lado, ela provavelmente aumentou a expectativa de vida média da população numa escala de décadas e, ainda que eu (e provavelmente ninguém) possa dizer ao certo o quanto isso se deve à experimentação animal, certamente dá pra dizer que foi um bom naco (uma vez ouvi uma estimativa de dez anos, mas como não sei daonde veio, não vou usar de argumento). Se a autora quiser botar os seus anos a mais de vida fora, sinta-se à vontade e pule dum prédio. Mas deixe os meus pra mim e pros outros, por favor, por favor)
Essa ciência pode abrir mão do uso de animais vivos, pois, embora ela tenha produzido uma quantidade incalculável de drogas para combater os sintomas de tais males, ao sustentar sua investigação no vivisseccionismo, não produz resultados que garantem a "cura" de nenhum daqueles males mais freqüentes que afetam crônica ou agudamente a saúde e destroem a vida humana
(de novo o mesmo argumento tosco. As minhas perguntas que ficam, no fim das contas, são as seguintes: (a) se essa pessoa fosse diagnosticada com diabetes ou hipertensão ou HIV amanhã, será que ela não se trataria porque “o tratamento não cura”, mesmo sabendo que ganharia talvez dez ou vinte anos de vida com isso? (b) Se ela tivesse câncer terminal, será que ela não tomaria analgésico pra tratar sua dor excruciante porque “o tratamento não cura”? (c) Se ela tivesse gastado ridículos cinco minutos da carreira acadêmica dela cruzando “taxa de mortalidade” e “câncer” no google, será que ela teria descoberto que câncer se cura sim?)
(e no fim das contas, deixo o mesmo apelo à autora que costumo deixar a todo defensor da abolição da experimentação animal: NÃO SUBMETA SEU FILHO A NENHUM TRATAMENTO MÉDICO! Deixe a criança arder em febre ao ser consumida por uma pneumonia. Deixe ele urrar de dor quando quebrar a clavícula. Deixe ele ficar seqüelado pra vida inteira porque não tratou uma meningite. É o mínimo que se pode esperar, em termos de coerência. Espero que eu tenha sido claro.)
SÔNIA TERESINHA FELIPE, 53, doutora em filosofia moral e teoria política pela Universidade de Konstanz (Alemanha) com pós-doutorado em bioética-ética animal pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (Portugal)
(alguns cientistas pró-experimentação diriam que filósofo não tem nada que se meter em assunto do qual não entende; eu discordo absolutamente: acho que o assunto não é dos cientistas que fazem experimentação, é da humanidade em geral. Mas um mínimo de estudo e conhecimento do assunto, do qual a autora obviamente não dispõe seria, digamos assim, útil, antes de escrever prum jornal de circulação nacional)
é professora da graduação e da pós-graduação em filosofia e do doutorado interdisciplinar em ciências humanas da Universidade Federal de Santa Catarina
(ou seja, esse descalabro desvairado foi sustentado com grana do meu bolso. Super legal).