

(Utah, 10/12/06)

depois de cruzar com incontáveis cinemas que viraram igrejas pelo mundo, eu finalmente encontrei uma igreja que virou uma discoteca. OK, pode ser só uma gota no oceano, ou só um gol de honra numa goleada contra. Mas mesmo que seja, ainda assim é uma bicicleta de fora da área.
(Denver, 8/10/06)

na real nunca gostei muito do Nirvana. Mas depois de ver o Sebastian Bach com quarenta e poucos anos abrindo um show do Guns n’ Roses e gritando uns troços tipo “are you ready to fuckin’ rock n’roll with guns n’ fuckin’ roses” pruns gordos cabeludos de quarenta anos, deu pra ter um feeling tipo aquele de “o que teria sido do mundo se os nazistas tivessem ganhado a segunda guerra”. E enfim, um pouquinho de gratidão eterna não faz mal pra ninguém.
nunca me senti tão estrangeiro. E não são os Estados Unidos da América que fazem isso comigo. Verdade que a cara dos funcionários da alfândega não colabora muito pra eu me sentir em casa. Como não colabora a proibição de levar pasta de dente no avião a não ser que seja num saco plástico transparente (alguém me explica?) E como definitivamente não colaboram as placas que dizem que fazer piadas sobre bombas pros fiscais da alfândega é passível de punição por lei (tristes aqueles que perdem a capacidade de rir de si mesmos, aliás). Não surpreendentemente, um fiscal da alfândega me cutucou quando fui tirar uma foto da placa e eu tive que enfiar a câmera na mochila às pressas (o registro fora de foco tá aí em cima).
























ou então...
... pra que, se eu der sorte, algum republicano débil-mental pegue raiva e resolva jogar míssil na gente também.
Aliás, agora falando sério, é sempre bom pensar que essas tirinhas saem no jornal há anos e o máximo que se fez a respeito foi recortar e guardar na carteira pra mostrar pros amigos, que nem eu fazia. Só pra lembrar aqueles que dizem que o Brasil é o fim da picada que o fim do fundo do buraco é muito, mas muito, mais embaixo. Num país onde ninguém tem saco pra ser fundamentalista, quando tudo for por água abaixo, a gente pelo menos vai ter senso de humor. Isso é um puta elogio.
E, mais sério ainda, que o Kofi-Annan , o dono do France Soir e todos os outros contemporizadores que vieram com um papo de que "a liberdade de expressão tem seus limites" (e assim tentaram dar alguma razão pros lunáticos de turbante que estão guinchando por causa da história) se dirijam tranqüila e calmamente pra puta que os pariu. Sério, é óbvio e evidente que os pobres dinamarqueses não deviam ter feito isso pelo mesmo motivo que eu não saio no parque aqui nos fundos de casa às três da manhã (ou seja, porque o mundo não é um moranguinho). Mas que eles tem plenos direitos de estampar o Bush comendo o cu de Maomé na capa (assim como eu tenho direito de ter o meu próprio comido se for dar uma volta no parque) é algo que não deveria sequer entrar em discussão. É verdade, vá lá, que o cu de muita gente pode ser comido por causa de uma rateada dessas. Mas isso é motivo pra puxar a orelha dos caras em particular, não pra abrir as pernas em público pra ameaças de religiosopatas do outro lado do planeta. Porque, porra, se a gente for deixar o Irã ditar o que a gente pode ou não pode falar do mundo, a gente tá total e definitivamente fodido.
(aliás, é engraçado me dar conta que eu me sinto muito mais lesado e ameaçado por um troço desses do que pelo world trade center explodindo. Porque atentado terrorista, por pior que a coisa fique, continua sendo um acidente estatístico infeliz se um dia acontecer comigo. Mas escrever merda no computador é o meu dia-a-dia. E espalhar censura e medo é muito mais fácil do que espalhar explosivos)
Ah, quer fazer alguma coisa a respeito? Toma uma Carlsberg pelos caras. Pra mais informações, entre aqui. Nem que seja só pra demonstrar que o melhor jeito racional de reagir a uma crise ridícula dessas é tomando cerveja.




O mundo foi feito pra olhar pros lados. Mas a minha capacidade de concentração na frente do computador é grande o suficiente pra me absorver por completo. E eu bem que tento compensar, é verdade, abrindo quinze janelas do Windows por vez toda vez que sento na frente desse troço. Mas não é tão bom quanto passarinhos e bundas passando na rua. E enquanto os spammers não inventarem coisa parecida, a porra do monitor vai continuar levando de dez da minha janela.
