terça-feira, junho 26, 2007

se alguém ainda duvidava que a indústria cultural é um mero subproduto do capitalismo sem coração




















(contracapa da última BRAVO!, junho/2007)
sério, esse deve ser o anúncio de pior gosto que eu já vi em toda a minha vida. Vá lá, suponho que um banco tem que manter uma certa imagem de capitalismo sisudo e malvado. Mas putz, isso é ridículo. E o mais engraçado de tudo é que essa é em tese a revista de cultura mais importante do país. Suponho que isso deva dar alguma medida de quem seja o "consumidor de cultura" dessas paragens. Afinal, o banco deve fazer uma boa pesquisa de marketing antes de decidir onde botar um estrupício desses.
aliás, não sei se é ironia de propósito de algum editor mais clarividente e adepto do autoescárnio, mas abrindo a página a primeira coisa que se encontra é um trecho de novela do Marçal Aquino sobre um escritor frustrado que assiste impotente a um bando de mulheres que gravita em torno dum anão milionário. Se tiver sido de propósito, parabéns ao responsável, não podia ter sido mais eloqüente. Mas se tiver sido o destino, enfim, isso é só mais uma prova que esse cara é um artista massa.

terça-feira, junho 19, 2007

extremely loud and incredibly close

e ainda assim, pouquíssima gente chega a se dar conta do tamanho do que está acontecendo embaixo dos nossos narizes. E o que me angustia nisso tudo não é a mudança em si, e sim o fato de que o futuro estar caindo de maduro e quase ninguém se dar conta parece uma janela de oportunidade única, enorme, arregaçada na minha frente. Na qual eu não chego a entrar por falta de tempo, apego aos velhos hábitos, imaturidade eletrônica, ou sabe-se lá o que for. Mas que cada vez mais dá vontade de largar tudo e sair por aí inventando o futuro, ah isso dá.

terça-feira, junho 05, 2007

arco-íris sem degradê


"pela livre expressão sexual", será? Sei lá, às vezes parece que não tem nada mais preconceituoso do que algumas minorias (particularmente as mais organizadas) quando têm a oportunidade. O nome da comunidade é genial, mas o conteúdo é um lixo. Porra, deixa os adolescentes em paz. Pelo jeito não pode mais existir nada sem rótulo no mundo.

segunda-feira, maio 28, 2007

brasil-sil-sil-sil-sil

ah, o que seria da gente sem esse mundo massa...
(da agência estado):
"Executado com 18 tiros há dez anos, o comerciante Paulo Roberto Pires teria mandado do além uma mensagem psicografada na qual inocenta o acusado de ser o mandante do crime [...] A carta, psicografada numa sessão espírita, foi apresentada no processo como prova da inocência do acusado, que era concunhado da vítima. O advogado do réu, Marco Antonio Martins Ramos, alegou que a mensagem de 11 folhas manuscritas foi psicografada pelo médium Rogério Leite, do Centro Espírita Paulo Ferreira, da cidade paulista de Lorena. Na tentativa de provar a veracidade do documento, ele juntou no processo fotos da sessão espírita e do médium."
quem precisa de ficção quando se tem o yahoo notícias?

domingo, maio 20, 2007

e por falar em tempo...


chegou esse mail agora. Dá-lhe Shiva.

(...) Isso mesmo. Todos os cds de música do Acervo da Cd Express estão à venda por R$ 5,00. Nem cd pirata custa tão barato.
Todos os cds nacionais e importados a R$ 5,00
Ainda tem mais de 4.000 cds dos mais variados estilos como MPB, Lounge, Trance, Eletrônico, Reggae, Surf Music, Dance, Blues, Metal, Jazz, Trilhas Sonoras, Pop, Rock, enfim, o melhor da música que a Cd Express adquiriu nos últimos 19 anos.
APENAS R$ 5,00 !!!! APROVEITE E COMPRE MUITOS!!!!

um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho

comemorar aniversário é um pouquinho como ser judeu no velho testamento. Afinal, celebrar o tempo é praticamente a mesma coisa do que adular aquele cara hediondo de barbas brancas que manda dilúvio pra cima da terra quando fica bravo e mata a família do pobre Jó por causa de uma aposta com o diabo (tipo de situação que na literatura atual está mais associada com o Jason, o Freddy Kruger e outros seres menos divinos). Mas o fascínio com tudo aquilo que é maior do que nós mesmos é quase intrínseco a espécie, e não é de hoje que olhamos deslumbrados para as avalanches e os temporais. Então acho que vale. E se não vale, pelo menos acaba acontecendo. São oito da noite de domingo, e eu mal e mal consegui acordar da letargia.

terça-feira, maio 15, 2007

o mundo virou uma rede que o efeito estufa...

... ou alguma coisa assim. Tô há horas pra criar uma frase idiota (daquelas tipo "a mata é virgem porque o vento é fresco") em homenagem ao século XXI me apropriando desses termos fashions e midiáticos. Algo como "a modernidade é líquida porque o aquecimento é global". Ou qualquer coisa do gênero. Mas não sai a que eu quero. Alguém dá uma ajuda?

dólar a 1,99!


Suprema humilhação pra terra dos Klingons. Agora quando eu for viajar não precisa ir na casa de câmbio, é só passar no bazarzinho de porcaria aqui na frente de casa.

quinta-feira, maio 10, 2007

sou alcoólatra mas sou saudável

ah, o tédio... ah, o antropormofismo... ah, a constrangedora facilidade de botar qualquer merda na rede hoje em dia...

quarta-feira, maio 09, 2007

e que ninguém venha falar do meu silêncio

não se mexe no temporal antes dele começar a chover.

mandando o conflito de interesse pra puta que o pariu

vá lá, propaganda dos amigos, colaboradores e pessoas próximas dificilmente conta. E mesmo falar de coisas que parecem muito próximas, mesmo que tu não tenha nada a ver com elas, também é sempre complicado. Mas conflito de interesse à parte, não dá pra negar que o Cão sem Dono me recuperou, e muito, a sensação de que tem alguma coisa pra ser dita. E de o que tem pra ser dito é muito simples. Em todo caso, tirem suas próprias conclusões. Estréia sexta.

segunda-feira, abril 16, 2007

paradoxos do cinema brasileiro #1

o que acontece com o sobrenome dos motoristas nos créditos? Será que eles nunca têm pai nem mãe?

sexta-feira, abril 13, 2007

mão na massa

minha estabalhoante estréia no fabuloso mundo da animação, no melhor estilo "sem verba e sem noção" (ou "com uma câmera na mão e as mesmas idéias doentes de sempre na cabeça"). Enjoy.

segunda-feira, abril 09, 2007

mais um
























dessa vez vestido de camiseta de futebol com anteninhas de marciano, se tudo der certo. Quem vier verá.

terça-feira, abril 03, 2007

sábado, março 31, 2007

invenções geniais # 233 - pela adequada exploração do trabalho infantil


cansado de ser criticado por explorar o trabalho infantil? Que tal utilizar o potencial das crianças de uma maneira política e ecologicamente correta? Nada mal, hein?
seja bem-vindo ao projeto da 1ª creche exportadora de energia elétrica do mundo!
o conceito é simples: qualquer pessoa que já tenha entrado em uma creche sabe da capacidade infinita das crianças entre 3 e 6 anos de fazer algazarra, correr, pular, subir nas paredes e coisas do gênero. A questão, então, é simples. Dada a crise energética vigente, por que não apropriar-se desta energia?
é com esta pergunta em mente que apresentamos o projeto de nossa creche/usina. Baseado na idéia de uma discoteca auto-sustentável duns holandeses viajantes , que puxará toda a eletricidade que necessita de sensores mecânicos que captam a energia mecânica dos pés das pessoas que dançam, tiramos a conclusão óbvia: se um bando de adultos podem sustentar uma discoteca com sua energia, um bando de crianças infernais pode sustentar uma nação. Daonde nascem os nossos princípios:
a) recrutamento ativo de crianças com insuportáveis distúrbios de conduta junto às creches vizinhas, com possível cobrança de comissão para aceitar os pestinhas.
b) contratação de professores surdo-mudos, uniformizados com armaduras.
c) recreio contínuo, intercalado com pequenas pausas de lanche para repor as energias.
d) animais de estimação à vontade (mantendo-se a sociedade protetora dos animais à distância, naturalmente).
e) instalação dos mesmos sensores mecânicos da tal discoteca, não só no chão como em qualquer lugar passível de ser pisoteado pelas crianças (ou seja, paredes, telhados, armários, postes de luz e possivelmente cabeças dos professores).
f) instalação de dispositivos produtores de biodiesel a partir de fraldas sujas, como fonte de energia complementar.
como as grandes civilizações da história, utilizaremo-nos uma vez mais do suor humano como o verdadeiro motor da sociedade. E ainda venderemos essa idéia via Greenpeace pros quatro cantos do mundo. Não tem como dar errado. Tô patenteando esse troço amanhã. E semana que vem começo a abrir o capital da empresa na bolsa.

os deuses podem não estar loucos ainda


mas os cientistas certamente estão. Dum artigo duns iranianos doidos numa das minhas revistas de ciência bizarra favoritas, a Medical Hypotheses:

"Intense romantic love (RL) is a cross-culturally universal phenomenon. RL, in its early stages, is associated with specific physiological, psychological and behavioral indices such as euphoria, obsessive thinking and intense focused attention on a preferred individual, emotional dependency on and craving for emotional union with the beloved one, and increased energy [1]..."

e depois de muito falarem sobre o tal “RL”, acabam por concluir:
"...The authors hypothesize that the hormonal products of pineal gland may attenuate the romantic love, particularly in its early stages, through their anti-dopaminergic properties and inhibitory effects on the caudate nucleus, which is a crucial brain region in the evolution of love. Hence, exogenous administration of the melatonin and vasotocin might be a potential therapeutic option in attenuating RL."
(Shoja et al. A cure for infatuation?: The potential ‘therapeutic’ role of pineal gland products such as melatonin and vasotocin in attenuating romantic love. Med Hypotheses 2007;68: 1172–1190)

sério, sou tri a favor de liberar a psicofarmacologia pra população em geral usar como lhe convenha, sem que se tenha que inventar doenças psiquiátricas ridículas e fictícias pra isso, como já disse alhures. Então por princípio eu não deveria me manifestar contra um troço desses. Mas têm certas coisas que doem na alma. A começar pela abreviação científica pra “romantic love”, que já beira o ridículo. Mas se querem atenuar alguma coisa, porque essas pessoas não fazem uma lobotomia em si mesmas de uma vez?
em todo caso, é bom que se possam dizer absurdos em algum lugar, nem que seja pra gente se divertir de vez em quando.

quarta-feira, março 28, 2007

pequena nota sobre preconceitos antinaturais

BBC Brasil - E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?
Matilde Ribeiro - "Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou."
(do site original da entrevista na BBC Brasil)

reclama a ministra da igualdade racial (?) que a sua fala foi "descontextualizada". Sinceramente, acabei de olhar ela no contexto e considero ela tão estúpida quanto fora dele. Eu particularmente não me lembro de ter açoitado ninguém nos últimos tempos, independentemente de cor de pele. E me sentiria um tanto injustiçado se alguém não gostasse de mim por isso.
pra começar, não consigo entender o que diabos ela possa querer dizer com essa história de "uma reação natural" (ou "uma reação subjetiva normal", como disseram uns antropólogos aí) que os negros não gostem dos brancos. E as reações dos brancos que não gostam de negros são o quê, "artificiais"? "Antinaturais"? "Extraterrenas"? Também me parece uma reação obviamente "natural" que um branco tenha preconceito contra os negros, considerando-se que ele cresceu num meio preconceituoso, em que os pais e amigos fingem tolerância mas falam mal desses "negros filhos da puta" tão logo se sentem prejudicados por um, em que a TV mostra negros nas notícias policiais todos os dias, e em que nenhum negro anda por seu bairro elitista e limpinho. Mas não é por ser "natural" que tal reação deveria ser uma coisa normal ou tolerada. E certamente não é por isso que deixa de ser racismo.
mas o mais patético de tudo, no fim das contas, é que me parece que esse tal "racismo reverso" ou alguma forma de ressentimento da população negra é um problema absolutamente mínimo no Brasil, se é que existe. Confesso que no pontinho míope de vista que o meu local no país e na pirâmide social me oferecem, talvez eu não esteja tão exposto assim a grandes conflagrações raciais. Ainda assim, eu não me lembro de nenhuma vez em uns quase vinte e oito anos de vida de ter sido hostilizado por ninguém de etnia alguma por causa de cor de pele. Então a ministra consegue a proeza de se antecipar e perdoar o tal "racismo reverso" antes mesmo dele nascer no Brasil. Superbom.
dizer que não existe racismo no Brasil, como tem feito algumas pessoas que andam levantando a voz contra a idéia de afirmação afirmativa e cotas raciais, é obviamente uma bobagem grotesca. Mas não me parece uma bobagem achar que as tais políticas de "igualdade racial" do governo enxergam um país que não parece muito com o Brasil. Em primeiro lugar, a noção de raças distintas, como qualquer geneticista concordaria, é uma bobagem sem tamanho. E mesmo a noção de comunidades étnicas no Brasil me parece um tanto sem sentido: não me parece que exista grande segregação geográfica ou de costumes devido a etnia, e sim uma imensa segregação por classe social: bairros pobres e bairros ricos, costumes de pobres e costumes de ricos, produtos pra pobres e produtos pra ricos. Mas não vejo nenhum bairro negro, e se há "música negra" ou "moda negra" de uns tempos pra cá, isso parece ter sido largamente importado dos Estados Unidos - o samba, como canta o João Gilberto, sempre foi mistura de raça e mistura de cor. Da mesma maneira, a existência de tensão racial de fato, a tal "insurgência" levantada pela ministra, também nunca foi um problema dos maiores. O que existe é preconceito e discriminação, certo. Mas isso é bem diferente do que insurgência étnica.
ainda assim, por algum motivo, o pessoal lá de cima segue martelando essa história das duas populações separadas em franco conflito. E de tanto martelarem, são capazes de qualquer dia criarem exatamente isso (até porque a oficialização constitucional da separação parece só questão de tempo). Às vezes parece incompreensível. Mas como já nos ensina há tempos a indústria farmacêutica, se a gente tem um remédio popular pra vender, a melhor opção é sempre criar a doença.

segunda-feira, março 19, 2007

don't be evil


Cenário legal pro conflito do post abaixo:
Acuado por processos de violação de direitos autorais, por que o Google não resolve comprar um país de uma vez? Tipo uma ilha chinfrim dessas no pacífico, tipo Tuvalu, Nauru ou algum outro lugar ridículo desses com não muito mais do que uns 10.000 habitantes, que os nerds bilionários possam sustentar sem muito esforço. E que ao mesmo tempo, como são autônomos, independentes do mercado global e plenamente supridos pelo Google, possam reescrever sua constituição de maneira a cuspir na cara da Organização Mundial do Comércio e liberar a pirataria geral na ilha. E aí o Google Tuvalu poderá instalar na ilha seus servidores do Youtube, e de toda a forma de conteúdo arrebanhado de outras fontes, se aproveitando da legislação, com a qual ele não terá afiliação direta alguma, visto que foi decidida de livre e espontânea vontade por seus cidadãos. E então centenas de sanções internacionais voarão na cara da ilhazinha, que apenas rirá, visto que o Google terá espalhado mesas de sinuca, poltroninhas de chá e café de graça em todas as praias do país. Mais cedo ou mais tarde, os lobistas da indústria do entretenimento dirão que a GoogleIsland tem armas de destruição em massa, e o Jack Valenti exigirá a presença de inspetores da ONU no local. Os ânimos se exaltarão, com os tavaruanos sendo tachados de demônios, terroristas e tendo vistos negados por toda a comunidade internacional, fazendo com que em uma bela manhã do Pacífico a ilha amanheça coberta de bandeiras piratas por todos os lados. Sentindo-se ultrajados, os Estados Unidos ameaçarão invadir, o que mobilizará uma imediata e inédita mobilização de nerds de todas as partes do mundo, que migrarão para a ilha a fim de defendê-la, armados de celulares e espadas laser do Star Wars. E num voto inédito, a população de algum país oriental como a Coréia do Sul ou a Tailândia se aliará com nossa querida ilha, formando um novo Eixo do Mal em pleno Oceano Pacífico. Isso sim seria uma crise global divertida. Tô pagando pra ver. Aliás, alguém aí tem o mail daqueles dois nerds bilionários que mandam nessa várzea pra mim enviar a idéia?

(observação óbvia, antes que venham as críticas: sim, eu também acho meio deprimente quando a empresa mais poderosa do mundo começa a monopolizar as esperanças de uma revolução global (além de ser a dona desse humilde espaço em que elas são veiculadas, diga-se de passagem). Mas fazer o quê, bem ou mal essess nerds são bem melhores do que os republicanos. Pelo menos até o dia da vingança dos Sith)

e agora um boicote que vale a pena


quer dizer, valeria a pena, se não fosse um movimento restrito a um punhado de nerds norte-americanos que mal sabem escrever, tipo esses aqui, esses aqui, e uma larga quantidade de outros ainda mais ridículos. E me deixa sinceramente chateado que todo mundo se preocupe com os filmes de terror, mas que nessas horas ninguém chie. Porque sério, parece ser o clássico caso de uma imensa maioria silenciosa e passiva cedendo a uma minoria de cinco ou seis megaconglomerados extremamente vocal, ativa e legalmente assessorada. Porque eu não consigo realmente imaginar que alguém que não seja acionista da Viacom realmente apoie eles nessa ridícula pataquada de partir pra cima do Youtube pedindo um mísero bilhão de dólares em danos. E que por favor ninguém me venha com uma argumentação legal em cima disso (ainda que a maior parte das pessoas que entende do assunto parece ser da opinião de que eles não têm razão de qualquer maneira). A questão é muito mais simples. Se uma única supercorporação multimilionária pode legalmente estragar o veículo de expressão de milhões de pessoas botando conteúdo no mundo por pura boa vontade (misturada com o narcisismo, naturalmente, mas nada mais saudável do que isso) por causa de copyrights de pedacinhos de coisas que em grande parte das vezes já foram ao ar, nunca mais irão, e não dão dinheiro pra mais ninguém, é a lei que está errada. Ponto. E nenhum ato digital de copyright do milênio ou Sepúlveda Pertence vai me convencer do contrário.
mas aparentemente ninguém parece se preocupar muito. Talvez porque todo mundo tenha crescido desde o bercinho com essa noção absolutamente criada que pirataria é um troço ruim e feio (sem nunca ter se questionado como diabos um troço cujo nome técnico é “compartilhamento” tenha o nome legal de “pirataria”). Ou porque elas tenham crescido com a idéia de “viva o sonho americano” de que se o CEO da Viacom chegou lá é porque ele trabalhou duro e merece ter três bilhões de dólares ao invés de dois (mesmo que pra isso seja necessário suprimir a produção intelectual de alguns milhões de pessoas, já que o sonho americano, como todo mundo sabe, é sempre só pra uns dois ou três). Ou simplesmente porque prefiram deixar a questão pros advogados. O problema é que, pelo menos nessa briga, os advogados estão todos do lado onde costumam estar. Do lado onde o dinheiro está concentrado. E assim a oportunidade de uma revolução cultural de verdade ainda é capaz de escapar por entre os nossos dedos (digo, por entre as letras miúdas da legislação), por pura inércia.
não pretendo começar movimento nenhum, nem adentrar na organização política nesse exato momento, até porque tá na hora da janta e além disso a minha namorada acabou de se atirar em cima da cama. Mas acho que cada um de nós podia pelo menos tomar um pouquinho de consciência e fazer um único gesto político. Que pode ser muito bem o de piratear desesperadamente tudo o que tenha alguma coisa a ver com a Viacom, pra começar (ou seja, paramount pictures, CBS, dreamworks, MTV, nickelodeon e mais meia torcida do flamengo, como mostra a figura acima). Ou de xingar a mãe deles em público e pelo menos colocar a questão em pauta. Mas já que isso pega mal em jantares chiques, ainda acho que piratear é a melhor opção. Pelo menos pros mais quietinhos. Se alguém precisa, os links pro Pirate Bay e pro Soulseek tão aí do lado. E pros mais tradicionalistas, o centro de sua cidade certamente está zunindo de camelôs com DVDs a cinco reais. Eu tenho certeza de que algum bem pelo mundo a gente vai estar fazendo. E não é todos os dias que se tem a oportunidade de fazer isso comendo pipoca.

terça-feira, março 13, 2007

arte, sem desculpas











vou ver se consigo assistir ao filme "Turistas" essa semana. Não que eu de fato esteja a fim de ver essa bosta. Talvez até saia no meio do filme. Ou no início. Mas é só um ato político, pra pagar o ingresso e boicotar essa choradeira ridícula de “boicote esses americanos que querem ganhar dinheiro denegrindo o nosso país”. E defender assim o direito de neguinho ambientar o seu filme de terror no lugar que bem entender. Até porque, cá entre nós, francamente: se você, leitor escandalizado, fosse roteirista de cinema e algum produtor picareta largasse na sua mão uma sinopse de trabalho que dissesse “turistas vão pra um lugar exótico em busca de festa e putaria e acabam seqüestrados e perdendo os rins”, alguém aí consegue pensar num lugar mais provável e convincente pra isso acontecer? Sinceramente, eu não. Mesmo. E isso que eu gosto pra caralho do país em que eu vivo.
bom, aí vem a argumentação. Argumento número 1 da choradeira: “o filme pega um estereótipo deturpado do nosso país e passa a impressão de que tudo aqui é assim”. Resposta óbvia: sim, é claro que ele faz isso. A questão é que isso é normal e necessário em qualquer forma de arte. Usar estereótipos e exagerar as coisas é um recurso básico da ficção, pra mexer com o imaginário das pessoas. E é ridículo cobrar dum filme de terror ou duma comédia um compromisso fiel com a realidade. Vá lá, um pouco de verossimilhança não faz mal a ninguém, até pra própria obra não parecer idiota. Mas se coisas tipo a polícia usar facões como armas ou a floresta amazônica acabar numa favela são necessárias pra história, então que seja assim, porra. Porque se o mundo não puder contar histórias direito, a gente tá muito mais fodido do que se roubassem os nossos rins.
verdade que no caso dessa (provável) bomba cinematográfica é mais difícil argumentar que tenha sido por uma boa causa dramática: mais provavelmente deve ter sido por ignorância mesmo. Mas aí começa a virar questão de gosto. Porque se o argumento vale, algum cara que trabalhasse na pesca baleeira também podia ler Moby Dick e dizer que “isso é um absurdo, porque os capitães dos barcos não são malucos, e nenhum capitão que se preze mataria toda a sua tripulação pra se vingar duma baleia branca” e patatipatatá pelo mundo afora. A questão é que a história não é sobre a pesca baleeira; ela é sobre a obsessão, sobre a monomania, sobre a condição humana, e sobre uma infinidade de outras coisas. Ou melhor, minto: os poucos que de fato leram o livro sabem que tem longuíssimas passagens meio documentais sobre a pesca de baleias que são invariavelmente um saco. Por outro lado, quando entra o capitão maluco cruzando o mundo atrás da baleia branca, o livro vira um ponto altíssimo na história da civilização. Tão inverossímil quanto possa ser.
e mais: se usar estereótipos e exageros pra retratar alguma coisa é um problema, por que diabos a gente não boicota os filmes do Todd Solondz? Ou o Beavis and Butthead? Ou os Simpsons? Tipo assim, alguém de fato acredita que os americanos sejam todos tão idiotas quanto esses troços mostram. Não tenho certeza. Mas quando eles riem de si mesmos ninguém parece se importar, o máximo que se oferece de resposta é “eles merecem”. Aliás, nem precisa ir tão longe: quando nós avacalhamos com nós mesmos, seja com o Casseta & Planeta fazendo reportagem sobre a violência no Rio ou com o Fernando Meirelles entregando a morte do Zé Pequeno e a liderança do tráfico prum bando de crianças de oito anos no fim do "Cidade de Deus" (ah, isso sim é super verossímil...), vira tudo licença poética. E, porra, essa capacidade de criar riso ou medo com a própria tragédia é uma grande coisa que a gente sempre teve de sobra. E espero que a gente não esteja perdendo isso no meio de um ufanismo recalcado vindo não sei de onde.
mas claro, o padrão moral e ético nunca é exatamente o mesmo quando pisam no nosso calo. Por esses e outros recalques o mesmo PT que lutou contra a ditadura é o que resolveu extraditar (?!?) sumariamente, em questão de horas, o magrão americano que disse que o Lula bebia. E essa classe pseudoculta que reclama (com razão) do preconceito dos americanos em relação aos estrangeiros deveria se dar conta que o preconceito dela mesma em relação aos americanos é provavelmente tão grande quanto. Recentemente todos os meus amigos com pós-graduação que andaram pelos Estados Unidos ficaram realmente surpresos com o fato de que as pessoas de lá eram bem mais legais do que eles imaginavam. Provavelmente porque, sem que se perceba, a visão dos EUA por parte dos brasileiros que nunca foram pra lá deve ter se tornado pra muita gente bem mais parecida com o tal filme “Turistas” do que a gente se dá conta. Ou seja, de fato, talvez a gente devesse ter proibido os Simpsons.
deveria? Óbvio que não. Assim como os seus opositores, seja lá quem forem (Paulo Francis no céu, os cantores country na terra e alguns outros por aí) também não deveriam. Simplesmente porque o discurso politicamente correto de oposiçãoaopoderamericanoeaocapitalismomalvado eaostransgênicoseaoaquecimentoglobaleaopositivismocientífico eàdominaçãoisraelenseeafavor
dosocialismointernacionaledasminorias edofeminismoedaresistência iraquianaeàsupremaciado terceiromundoetc.etal (segundo um amigo meu, essas convicções aparentemente díspares são herdadas “em haplótipos”, ou seja, andam juntas porque devem estar no mesmo cromossomo), ainda que tenha seu mérito, é no fundo um discurso tão pronto quanto o que ele pretende criticar. E se ninguém puder criticar isso, das duas uma: ou ele se torna estéril e impotente, ou um dia ele toma o poder e vira tão ditatorial quanto o primeiro. Aliás, já não tomou? Ou morreu no processo? Alguém se manifesta? Mãozinhas na platéia? Bom, sei lá. Mas viva a contradição, em todo o caso.
e se há alguma regra coerente que possa ser estabelecida pra evitar isso, ela é relativamente simples: a ficção tem que poder bater em quem bem entender. Sem desculpas, e sem compromisso com verdade jornalística, a não ser que o autor ache que deva. Se ela tiver que se comprometer com gestos políticos bem intencionados antes de com o que quer que o artista queira dizer, fodeu. Primeiro, porque diminui terrivelmente a qualidade do que se produz: como já dizia Oscar Wilde, “por trás de cada mau poema existe sempre uma boa intenção”. E não é à toa que o professor e amigo Assis Brasil, quando lhe perguntam por que diabos ele só escreve romances históricos, sempre responde que é “pra poder mentir melhor”, porque se ele faz um troço contemporâneo sempre vai ter neguinho implicando que “pô, na verdade não é bem assim”. Parece provocação, mas eu tenho a impressão que não é. É só que a mentira e a fantasia (inclusive a fantasia preconceituosa do leitor/espectador) são fundamentais pra literatura. E duvido que alguém consiga contestar isso.
mas talvez tenha uma razão mais funda, qualidade à parte, pra filme preconceituoso existir. Bem ou mal, o único preconceito que é discutido é o que aparece. Afinal, tem uma caralhada de gente discutindo o tal preconceito a respeito do Brasil por causa dessa história. Pra não falar da caralhada infinitamente maior de gente discutindo se o filme do Borat é preconceituoso contra o Cazaquistão, ou contra os americanos, ou contra os judeus, ou contra as mulheres, ou contra as pessoas que apareceram. Aliás, esse filho da puta é tão genial que consegue se aproveitar de um humor revoltantemente preconceituoso (e, não por coincidência, hilário) pra fazer rir, e ao mesmo tempo questionar o próprio preconceito. E consegue criticar os americanos avacalhando completamente com um país coitado no meio da Ásia Central. Infelizmente, é uma obra praticamente irrepetível na história do cinema, porque ninguém vai cair nessa de novo. Mas é legal aproveitar enquanto ainda dura.
e talvez por isso o lugar das suásticas não seja no porão, e sim na praça pública, onde todo mundo pode jogar as laranjas. Senão, elas acabam virando um objeto demoníaco, proibido e tentador pra qualquer magrão revoltado com o mundo. Alguém duvida? Então vão até os Estados Unidos (ou até o youtube ou o google), onde não tem lei Afonso Arinas nem nada parecido, e liguem num talk show do meio da tarde pra ver uns gatos pingados da Ku Klux Klan que de vez em quando aparecem pagando vale. Porque, naturalmente, nada pode ser mais ridículo do que um cara com chapéu de pica na cabeça pedindo morte aos negros. E, no fim das contas, talvez nada possa ser mais salutar pra acabar com o racismo.
e, se alguém aí continua achando que Borat ou o cara do “Turistas” devem desculpas aos ofendidos, whatever, não vou contrariar a opinião de ninguém. Mas eu recomendaria acima de tudo que assistam o próprio Borat se desculpando pro presidente do Cazaquistão. Talvez assim elas se sintam um pouco mais satisfeitas. Eu pelo menos fiquei.

sexta-feira, março 09, 2007

sobre a sábia utilização dos recursos nacionais


pô, solta o PCC pra cima do homem... Onde diabos estão esses malditos bandidos quando a gente precisa?

quinta-feira, março 08, 2007

patrolando o panóptico

meu lado (anti)psiquiatra a mil na Nature Medicine. Se por acaso alguém não tiver acesso e quiser ler, nesse estúpido mundo de conteúdo científico protegido, me pede que eu mando por mail.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

cartinha aberta ao papa


Para
Papa Bento XVI
Aposentos Papais
Basílica de São Pedro
Cidade do Vaticano
Vaticano


Caro papa Bento XVI,

Estamos escrevendo esta carta para lhe pedir um favor. Mas pode ficar tranqüilo, dessa vez não tem nada a ver com a camisinha ou com os anticoncepcionais. Até porque a gente adora bebês. Também não tem nada a ver com os muçulmanos, com os homossexuais ou com a masturbação. Ainda que pelo menos nessa última o senhor podia dar uma aliviada. Mas vá lá, a gente pode deixar essa discussão pra outra hora.
Voltando ao nosso assunto, então, o que a gente queria era pedir um apoio da sua parte pra uma amiga nossa que anda sendo injustamente denegrida pela igreja. Sim, estamos falando da Preguiça. Não conhecemos o autor da tal lista dos pecados capitais, e nem sabemos o que ele tinha na cabeça quando incluiu a Preguiça nela. O que a gente sabe, sim, é que desde que ela foi colocada na lista negra a Preguiça nunca mais conseguiu nada na vida. Nunca mais arranjou emprego em lugar nenhum, nunca mais apareceu com namorado por aí. Marido, então, nem pensar. Faz alguns séculos, pelo menos, que ela sai de noite e até consegue atrair a atenção de um gatinho ou outro (afinal a preguiça tem lá o seu charme), às vezes chega a dar um beijinho, quando muito uma rapidinha no banheiro. Mas quando ela se apresenta como Preguiça o papo sempre envereda pra algo tipo “pois é, sabe, eu tô aqui com um amigo e não posso deixar ele sozinho. Ou então “putz, esqueci de deixar comida pro cachorro em casa”. Ou até um “não, é que eu sou gay”, por parte dos mais desesperados. Particularmente se começa a aparecer gente conhecida em volta. Porque com essa história de pecados capitais ninguém hoje em dia teria coragem de admitir que namora a Preguiça. Não em público.
Resumindo, faz uns vinte séculos que ninguém liga pra Preguiça no dia seguinte. E isso não se faz com ninguém.
E se estamos falando da Preguiça, não é porque achemos que ela seja a única injustiçada da lista. De vez em quando trocamos uma idéia com a Gula e com a Luxúria também, e achamos elas umas gurias superlegais. Mas essas já tem lá os seus defensores pra fazer o seu marketing: a Gula tem o McDonald’s pra dar uma força, e a indústria pornográfica nunca deixa a Luxúria na mão. Mas a Preguiça, agora que o Jorge Amado morreu e o Dorival Caymmi não sai da rede há uns cinco anos, ficou sem ninguém pra defendê-la. E a gente gostaria de poder fazê-lo, mas ninguém escreve o que a gente lê nem ouve o que a gente diz. Então a gente achou que a única coisa cabível era pedir ajuda pro senhor. Ou pro Senhor, mas a gente não tinha o endereço desse aí, então resolveu tentar o senhor primeiro.
Assim, Sr. Papa, gostaríamos muito que você pensasse com carinho na situação da Preguiça. Não sabemos como funcionam esses assuntos internos de vocês, mas supomos que o senhor deva pelo menos conhecer um que outro cardeal na comissão de pecados capitais que lhe deva algum favor. Então confiamos que o senhor possa fazer alguma coisa pra livrar a cara da nossa amiga. E pode ter certeza, se nos ajudar, que se um dia o senhor for colocado na lista de pecados capitais, ou em alguma comunidade do Orkut que fale mal do senhor, a gente vai tentar ajudá-lo também.
Um grande abraço, agradecidos pela atenção,

Olavo Amaral e abaixo-assinados
Porto Alegre, RS
Brasil

sábado, fevereiro 10, 2007

pequenos esclarecimentos a respeito dos anos oitenta


(especificamente destinados a esse pessoal por volta dos 30 anos)
a) não, os anos oitenta não foram os mais loucos e selvagens da história da humanidade. Você é que era jovem naquela época.
b) sim, existiu música que presta no mundo depois dos anos oitenta. E você pode até dizer que eu tô por fora, ou então que eu tô inventando, mas isso não me importa nem um pouco.
c) jogar atari não tinha lá muita graça.
d) os desenhos animados e seriados de tevê de hoje em dia são infinitamente melhores do que o que quer que passasse no final da tarde daquela época. Isso que eu nem vejo tevê.
e eu poderia continuar pra sempre, mas na verdade só o que eu queria dizer é que chega de nostalgia por essa década idiota! O que se passa com essas pessoas? Será que ninguém consegue criar significantes depois dos quinze anos?
mas se essa humilde reclamação não conseguir mudar o mundo e fazer as pessoas verem que existe alguma emoção do mundo depois da adolescência, vou partir pro plano B, e lançar ao mesmo tempo um almanaque dos anos 90, uma festa thrash anos 90 que toque aquele som dance argentino bagaceiro de FM (...no te preocupes mááás... o no... mantienga el movimiento...), uma edição comemorativa de quinze anos do megadrive, uma banda cover do Oasis e um brechó de camisetinha xadrez amarrada na cintura. Fazendo as contas, o pessoal que era adolescente nessa época andou se formando nos últimos dois ou três anos, e os primeiros otários dessa geração a adquirirem poder aquisitivo já devem estar nas ruas. O filão de mercado lateja. É só cravar os dentes.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

cadernos de literatura brasileira, vol. 3478


apareceu a nova literatura. Depois de uns vários anos de críticos chatos dizendo que "pois é, a internet ajudou a veicular os escritos de muita gente, mas ainda não criou nenhuma forma literária nova de fato, etcétera e tal", eis que surge... o conto-comunidade-do-orkut-vindo-do- inferno. Sério, se vocês usam o dito cujo, chequem out as pérolas desse maluco. Verdade que uns noventa por cento das seiscentas e tantas são irritantemente idiotas, mas os dez por cento que sobram (tipo essa, essa, essa, ou ainda essa) valem a viagem. E não há quem possa dizer que não seja obviamente literatura.
mas o mais louco de tudo é que não há nenhum troço desses que não tenha pelo menos uns 500 membros que, pasmem, discutem a respeito do que foi escrito. Ou seja, pelo menos em termos de divulgação pessoal, esse cara é um gênio maior. Provavelmente nesse exato momento (quarta-feira de noite às 23h20) tem mais gente discutindo a obra dele do que a de Machado de Assis. E o pior é que é sério. No fim das contas, não sei o que diabos eu ainda tô fazendo no blogger. Menos ainda o que eu tô fazendo no word. E eu não vou nem entrar no mérito do papel.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

as veias abertas da américa latina


hã, se alguém aí ainda tem alguma esperança nesse continente, dêem uma olhada na interminável tripa de comentários sobre esse vídeo oportunista, tosco e vagamente genial de um coitado no equador. Sério, me parece que de cada três insultos ao filme, dois começam com "indio de mierda". E o terceiro começa com "negro de mierda", porque aparentemente gente meio escurinha dá tudo na mesma. E cada um desses insultos é imediatamente respondido por um "calate argentino hijo de puta", ou algo do gênero. Na real a coisa parece igual em qualquer lugar: vale a máxima que ninguém é racista até ser insultado por um negro, ninguém é xenófobo até ser lesado por um estrangeiro, e assim por diante. Mas o mais engraçado é ler esses troços e depois ver a elite branca da américa latina perplexa por não saber de onde vêm os hugo chávez e evo morales da vida. Talvez ela possa olhar pra dentro dos seus próprios apartamentos com internet a cabo e ver a mentalidade da sua prole no youtube. Tudo volta.
e no meio da distopia toda, provavelmente o único comentário insultante que se salva (e que eu não consigo achar mais) é um troço que dizia algo tipo "uau...se esse cara fosse boliviano, ele seria ministro da cultura". Vá lá, talvez seja preconceituoso igual. Mas pelo menos tem um saudável resquício de inteligência.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

saudades do fórum social mundial

Na praça de alimentação:
- bom dia, senhor, o que vai ser?
- hmm... você sabe me dizer se essa bolachinha é feita com sal marinho?
- hããã...
(vai perguntar no fundo da cozinha e volta)
- É... Tudo o que a gente tem é orgânico e natural.
- Ah bom. Então me vê duas.
Porra, não dá pra imaginar que algum lugar no meio do Quênia tenha as mesmas condições de apreciar devidamente um evento onde se vendiam camisetas com a cara do Stalin. Onde se agitavam bandeirinhas de Cuba em shows de rock. Onde se linchavam suspeitos de estupro com as próprias mãos. E onde até rolava alguma coisa legal nas entrelinhas quando se sabia procurar direito. Ou mesmo se não se soubesse, porque a deriva costuma ser mais eficiente nesses casos. Bem ou mal, um evento tão complicado, confuso, desorientado e vital quando o mundo que ele buscava representar. Foram uns tempos legais aqueles em que Porto Alegre existiu no mapa múndi. Até um bando de tapados resolver que um outro mundo só era possível sob as benesses de um único partido, incidentalmente aquele que governa o país (aliás, será que isso só parece estapafurdicamente absurdo pra mim?). Enfim, a tacanhice sempre vence, no fim das contas. Mas foi legal enquanto durou.

terça-feira, janeiro 23, 2007

URGENTE - alerta de vírus FATAL de iPod


(praticamente uma história de terror)
estava eu trabalhando tranqüilamente no laboratório hoje de tarde quando comecei a ouvir baixinho aquela voz esganiçada cantando "eu dormi na praaaaaça... pensando nelaaaaaa...". E aí comecei a olhar em volta pra procurar de onde estava vindo, mas não vi nem computador nem caixa de som à vista. E aí me dei conta, com um arrepio na espinha, que o som estava vindo do meu bolso!
É sério. Eu juro, juro, juro por deus, por mais que essa história pareça literatura, que o meu iPod começou a tocar Bruno & Marrone sozinho. E tentei disfarçar na hora, peguei o troço rápido pra desligar. Mas eu já era motivo de chacota pra todos os presentes no resto dos dias.
Então sensibilize-se com essa causa e faça seu dever. Espalhe este alerta de vírus de iPod pelo mundo afora. Nem a Norton, nem a McAfee, nem a Microsoft e nem a Interpol tem um antivírus que funcione. Então pelo amor de deus nem sequer pense em fazer seja lá o que eu fiz pra merecer tal maldição. Seja lá o que tenha sido. Da minha parte, em todo caso, já prometo de antemão pro papai do céu que não compro mais aquelas revistas de pornografia tcheca bizarra em quiosque de beira de estrada.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

a uma leitora anônima


eu queria ter poesia pra botar aqui. Há pouquinho alguém perguntou se eu tinha um blog e aí eu dei o endereço e pensei “putz, aquela pessoa anônima vai entrar naquele troço anódino esperando, sei lá, pelo menos um pouco de literatura e... cadê?”. Sei lá, desde que eu dei pra me preocupar com coisas e causas maiores a poesia parece ter tirado férias. Talvez porque a poesia não tenha sido feita pra causas maiores. Maiakovski que me perdoe, mas acho que a poesia (verso ou não verso, não é uma questão de parágrafos, eu podia usar “literatura” mas não é uma palavra tão bonita) precisa de coisas que sejam apreensíveis numa escala humana. E o mundo já deixou de ser apreensível há tempos, pra mim ao menos. Pelo menos de uma vez só. Na real mesmo o meu restritíssimo metiê de cientista já me parece grande demais pra ser apreendido de uma vez só, então o que dizer do mundo inteiro. Então talvez eu precise voltar os olhos pras coisas simples. Hoje de tardezinha um pouquinho antes do sol se pôr ele entrou pela fechadura do banheiro do Elo, bar adentro, e formou um raio comprido e pungente que dava pra acompanhar por uns dois, três metros, até ele se chocar com a madeira velha do bar. Eu queria um troço mais ou menos assim pra poder trabalhar. Por outro lado, eu não posso ficar sem o mundo, porque enfim, ele tá aí, e isso já parece um bom motivo pra estar nele. Então talvez o verdadeiro desejo é que o mundo se transformasse em alguma coisa simples assim. Simples o suficiente que desse pra cantar com o meu conhecimento tosco de música sem que ninguém sentisse falta das diminutas, sem que ninguém sequer cogitasse a hipótese de um acorde aumentado. Se alguém tiver uma boa sugestão faça o favor de me avisar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

lava, passa, seca, cozinha, amarra os seus cadarços e faz cafuné, com flocos crocantes

mais duas do extreme tracker, só pra deixar o papai polímata todo coruja com o seu blog multiuso:
as+melhores+prostitutas?
máquina+para+desentupir+cano?
taquilalia: a solução que você precisa.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

eu na área (e a jovem fla também)























verdade que se todo mundo for não vai ter espaço no elo. Especialmente se todos os trinta em transe resolverem aparecer. Mas suponho que a boa e velha brincadeira de botar metade da cena cultural de porto alegre dentro dum mesmo cubículo continue legal como sempre. Longa vida a esse tal de elrodris.

domingo, janeiro 07, 2007

alguém com mais coragem do que eu


isso é o que eu chamo de encarar o demônio de frente

começou a revolução cultural!!!



estapafurdicamente, parece que é verdade. Aparentemente a brasil telecom e a brturbo ambas acataram a ridícula decisão da justiça de bloquear o youtube inteiro por causa de uma mísera trepada no mar. Alguns avisos de utilidade pública.

1. O site ainda acessa normalmente usando um proxy qualquer, inclusive o da ufrgs (e suponho que o de qualquer universidade pública). Senão, dá pra pegar um proxy de web (tipo esse aqui) e entrar por ele, que aparentemente funciona do mesmo jeito.

2. E segunda-feira é começar o panelaço. Eu ao menos pretendo me descadastrar do BR turbo o quanto antes. Não porque o youtube me seja tão importante pra mim, mas pelo puro dever cívico de mandar a falência qualquer idiota que aceite censura arbitrária assim tão facilmente. Tô escrevendo pro jornal amanhã, também. E espero sinceramente que bem mais gente esteja se mexendo. Não acho que essa pataquada vá durar. Mas se por acaso dura, a gente tá completamente fodido. Então não custa fazer escândalo, pra garantir que não se repita.

belisquem-me, please

hã, o youtube tá fora do ar aqui em casa. Alguém por favor me belisque e diga que isso não tem nada a ver com essa pataquada ridícula da justiça de São Paulo a respeito do vídeo da Cicarelli.
Vá lá, é mais provável que tenha sido só um crash, mas em todo caso tô me antecipando pra discutir o assunto. Não acho que sequer caiba a discussão de se faz sentido ou não fechar o veículo de mídia mais importante dos últimos tempos por inteiro por causa de uma mísera trepada no mar (algo um pouquinho análogo a dinamitar uma cidade inteira porque tem uma maçã podre num mercadinho de bairro). Ainda por cima depois que todo mundo já assistiu. Isso é uma discussão ridícula na qual sequer vale a pena argumentar sob pena de soar óbvio ao ponto do ridículo, e suponho que nenhum argumento em contrário possa se sustentar por muito tempo.
A questão maior, a meu ver, é como diabos um tribunal de justiça tem poder pra determinar isso de uma hora pra outra, assim na maior? Tipo assim, eles também podem resolver que todas as televisões tem que ser retiradas das casas das pessoas porque tem algum canal passando putaria? Ou bloquear todas as emissões de rádio porque alguém disse palavrão? Não entendo muito bem como o judiciário funciona, mas será possível que não tenha nada na constituição que previna que um juiz oligofrênico em algum lugar ponha a mídia do país abaixo por causa de um surto de apoplexia?
E bom, se for verdade, alguém me acorda, por favor. E no que a gente acordar, é começar o panelaço geral. Eu particularmente sugiro que todo mundo que baixou essa merda de vídeo mande ele por e-mail pra toda a sua lista umas 10 vezes. Se ficar muito grande, mandem só a parte que ela se sacode que nem um sapinho no cio. Ah, e não se esqueçam de enviar pros nossos deputados também. O site da câmara tem o mail de todos eles. E não se esqueçam de colocar alguma coisa tipo "no youtube tem muito mais desses" no subject. Talvez aí aqueles putos que pintam o cabelo e beliscam a bunda das secretárias tomem alguma atitude a respeito.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

sinais de vida terrena inteligente



verdade que é na escandinávia, mas é sempre um alento. Aliás, os suecos continuam tão na frente do resto do mundo que eu me pergunto porque diabos a gente não dá mais bola pra eles. Vá lá, o partido pirata (motivo do post que vos fala, com o logotipo aí do lado) só ganhou 0,63% dos votos nas últimas eleições. Mas só a existência de um troço desses em algum lugar do mundo é sinal de que existe vida muito mais inteligente por aí do que a gente costuma imaginar.

Não convencidos de que há motivo prum troço assim? Chequem out essas estatísticas de investimentos que os putos da Pfizer, Novartis e AstraZeneca têm a cara dura de botar no ar. Aliás, o resumo da "política sobre patentes" dos amigos piratas é tão simples, singelo e convincente que eu não sei porque eu não fiz essa conta antes.

Esse papo todo parece sério demais? Leia as respostas do pessoal do PirateBay a ameaças legais diversas.

Necessitado de estímulo audiovisual? Assista um filminho de meia hora sobre essa história toda. Tem um quê de filme institucional, e umas imagens de Hollywood explodindo meio constrangedoramente adolescentes. Mas a intenção e a causa são as melhores possíveis. Tô entrando no paypal amanhã pra dar o dólar que eles pedem no final.

E lembrem-se antes de dormir, fofos, que um mundo em que "compartilhar" é considerado uma atividade ilícita, ilegal e perigosa é um mundo sem a menor possibilidade de redenção. Nada é mais claro e óbvio do que a palavra, no fim das contas. E se os monstros verdes escrotos da MPAA quiserem ganhar essa briga, eles vão ter que reescrever o dicionário.

Evite lavar o seu cérebro. O mundo agradece.

sábado, dezembro 23, 2006

auschwitz no quintal de casa



por algum motivo acho que essa versão moderna da lista de schindler não vai ganhar aqueles óscares todos. Mas me fez botar o link da anistia internacional aí no canto da página. De vez em quando um soquinho no estômago faz bem. Pena que tenha estreado com ridículas 15 cópias lá na terra dos klingons e tenha desaparecido da programação do cinema por aqui tão rápido quanto entrou. Suponho que a assessoria de imprensa dos judeus deva ser melhor do que a dos paquistaneses. De qualquer maneira, não custa clicar no link da anistia. Funcionando ou não, é sempre divertido mandar e-mails pra endereços tipo f_castro@cuba.gov.

terça-feira, dezembro 19, 2006

breviário de uma ponte aérea comprida

todos os posts que eu teria colocado anteontem se já tivesse internet na estratosfera

(a) agradecimentos à Organização Mundial do Comércio e às Leis de Propriedade Intelectual
pela oportunidade única de ver as economias de pessoas doentes serem revertidas para entreter o meu vôo de San Francisco pra Miami com anúncios televisivos de homens de meia idade felizes recomendando remédios pro colesterol, antialérgicos e descongestionantes nasais. Era exatamente o que eu queria ter de volta por toda a grana que já gastei em Claritin D na vida. Sério, como diabos o mundo pode ter sido convencida de que a grana que se gasta em remédio serve pra fazer ciência?

(b) frases que eu gostaria de ter dito mas deixei a oportunidade pra alguém mais (i)
“If you’re a creative doctor, someone dies and you get sued”
(um certo Miles Beckett, ex-residente de cirurgia plástica e atual co-criador do bizarro fenômeno pop chamado Lonelygirl15).

(c) gestos brilhantes de autopromoção gratuita (i)
se algum dia eu for grande o suficiente em qualquer coisa pra despertar a ira dos críticos, eu juro que quero fazer igualzinho a esse cara. A história tá na “wired” desse mês.

(d) aliás
você sabe que o mundo anda estranho quando as tuas fontes sobre cultura pop passam a ser as revistas de informática.

(e) e por fim, um último comentário sobre idiotas correndo atrás duma bola do outro lado do mundo
tal como eu disse na alfândega, tão logo terminei de assistir o jogo no desembarque internacional, nada a declarar.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

américa, essa puta

digam o que queiram, o fato é que os Estados Unidos são uma puta. Uma puta fazida, é bem verdade. Fazem um charminho aqui e ali e vivem se fingindo de difíceis, feito na hora de te deixar tomando chuva na calçada enquanto espera pra pegar visto (pra alegria dos camelôs vendendo guarda-chuva a vinte reais), ou na cara cada vez mais mal-humorada dos funcionários da imigração. Mas no fim das contas, em menor ou menor grau, a América acaba dando pra todo mundo. Verdade que a qualidade do sexo varia conforme a grana do cliente. Pra alguns ela se entrega de fato, bundinha e tudo; pra maioria, por outro lado, sobra só um carinho de vez em quando, um cafuné aqui e ali, uma rapidinha num banheiro público. Mas qualidade do sexo à parte, todo mundo nesse país vai te contar que alguma vez teve uma de suas maiores fantasias realizada pela América.
Como uma meretriz da melhor qualidade, os Estados Unidos conseguem atender a todos os tipos de demandas, desejos e fetiches. Porque independentemente das possibilidades e expectativas do cliente, sempre haverá algo a ser conquistado aqui. Uma casa de subúrbio pra molhar o jardim depois de quarenta anos de dedicação à empresa? Got it. Internet sem fio com um emprego part time numa república de estudantes? Também tem. Educação razoável pros filhos que ficam em casa enquanto você carrega sofás? You bet. Maconha importada do Afeganistão via tele-entrega? Quando quiser, é só ligar.
É foda ter de admitir, mas essa ainda é a terra das oportunidades pra muita gente. E numa idade em que a minha geração está no momento de se agarrar nelas com unhas e dentes isso só se faz mais claro. E em cada cidade por que passo eu encontro alguém que de alguma maneira foi seduzido pelo fascínio da Grande Puta e conta que anda comendo ela de um jeito ou de outro. Uns são imigrantes clandestinos, outros são importados com méritos, outros estiveram aqui desde que se conhecem por gente. Mas todos parecem ir atrás de alguma coisa, e parecem encontrá-la. Sejam eles mexicanos de inglês porco trabalhando no McDonald’s, jovens empresários promissores em empregos de quatorze horas por dia, pseudointelectuais que acabaram a universidade e relaxam trabalhando como baby sitters ou surfistas brasileiros subempregados na Califórnia. Todos se aproveitando dos Estados Unidos, cada um pros seus próprios fins.
E ainda assim, mesmo com a genitália assada de tanta gente pra satisfazer, a América segue se comportando como uma profissional do sexo por excelência. E como as melhores prostitutas, ela jamais se deixa apaixonar por nenhum dos seus clientes. Por mais que trepe com montes de gentes nos mais diferentes níveis e posições, ela nunca se entrega de fato, e o seu cerne permanece intocado e inalterado. Porque independentemente do uso que se faça do sistema, o pressuposto básico da vida aqui é que o sistema em si permaneça imutável, e que sua lógica fundamental não seja questionada. Paga-se uma quantia e se recebe por um serviço, de maneira geralmente mais regular e previsível do que em qualquer outro lugar. Os Big Macs são sempre iguais, como são os Whoppers, como são as highways, como são os shoppings de beira de estrada, como são as lojas de souvenirs. As ruas são sinalizadas, os correios funcionam, os garçons são gentis, e os Republicanos e Democratas se alternarão eternamente no poder pelo resto dos dias. Mudar o mundo e fazer revolução já saíram de moda há uns 40 anos, e mesmo mudar o país não parece um discurso particularmente efetivo. Até porque quem ia alimentar os mendigos se o Mc Donald’s fosse embora?
E o que me deixa meio perplexo, de vez em quando, é tentar entender como diabos a máquina continua rodando tão vigorosamente e sem acidentes quando a vida é fácil mesmo pra quem se mantém à parte dela. É fácil entender que a galera estrebuche trabalhando no Brasil, em que mesmo com uma jornada de doze horas muita gente mal consegue pagar as contas. Mas quando qualquer um se sustenta mais ou menos tranqüilo trabalhando de entregador de pizza, às vezes parece paradoxal que o sistema não entre em colapso. Mas suponho que o grande mérito da América seja exatamente o de saber seduzir as pessoas pra continuarem correndo. As cenouras na frente dos cães são inúmeras, elas brilham nas vitrines da Quinta Avenida enquanto o pessoal faz as compras de natal, elas se escondem atrás da parede de clubes lotados em que seguranças expulsam arbitrariamente as pessoas da fila, elas escorregam entre as celebridades nas revistas de fofocas. E mais do que qualquer outra coisa, talvez a maior das cenouras que mantêm a máquina girando seja a própria indiferença da Grande Puta. Porque como qualquer mulher esperta, ao nunca se entregar por inteiro, ela sempre deixa entrever alguma coisa a mais. E enquanto houver alguém que parecer estar comendo ela dum jeito diferente, é quase certo que todo mundo vai continuar tentando melhorar.
E assim, independentemente da gente, das eleições, do Iraque, do aquecimento global ou de quem quer que seja, a América segue andando em frente como um monolito imutável, proporcionando a satisfação garantida, imediata e previsível do consumo, contanto que se tenha grana. E ao mesmo tempo em que nunca pareceu tão fácil mudar o mundo (pelo menos se você for o dono do Google), nunca pareceu tão improvável que alguém consiga mudar os Estados Unidos, que vão continuar botando gasolina nos carros, comendo fast food, comprando nachos em jogos de baseball e enrolando copos de plástico em sacos plásticos pra servir drinks de plástico. O sistema é simples e direto demais pra aceitar sutilezas, e é exatamente isso que torna ele acessível pra tanta gente. E os detratores não se dão conta que o que faz o fascínio da América é justamente a sua previsibilidade.
Vá lá, pra quem quer virar o mundo de cabeça pra baixo, pode parecer péssimo. Mas a maior parte das pessoas está mais preocupada com a certeza do sustento em troca duma quantidade pré-estabelecida de suor e de grana. E pra isso, feliz ou infelizmente, continua não havendo lugar melhor no mundo. Pouco poético? Sim, e certamente em alguma outra terra os poetas hão de continuar sonhando com pássaros revoando e fontes murmurantes de água fresca. Mas em resposta a eles, os americanos hão de perguntar, perplexos, por que diabos se precisa de água fresca quando o Gatorade é mais barato. E não deixarão de ter alguma razão.

você sabe que a sua anorexia está ficando séria quando...

... até as placas de trânsito começam a rir da sua cara.















(Big Sur, 14/12/06)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

este blog orgulhosamente anuncia

que já é o sexto hit do google para os termos de procura "bebendo+própria+porra". Agradecimentos ao extreme tracker pela estupefaciente notícia. Aparentemente o meu hábito de usar a palavra "porra" pra qualquer porra finalmente anda rendendo frutos.

duas imagens pra ficar com um pé atrás em relação à tal de esperança


duas imagens pra se ter esperança no mundo
















(Utah, 10/12/06)

sábado, dezembro 09, 2006

uma razão pra perder a esperança no mundo

Discotecas que tocam hip hop nos EUA. Algo assim tipo um baile funk em que ninguém come ninguém.

uma razão pra ter esperança no mundo



depois de cruzar com incontáveis cinemas que viraram igrejas pelo mundo, eu finalmente encontrei uma igreja que virou uma discoteca. OK, pode ser só uma gota no oceano, ou só um gol de honra numa goleada contra. Mas mesmo que seja, ainda assim é uma bicicleta de fora da área.

(Denver, 8/10/06)

seja artificial, mas seja sincero















(num McDonald's no meio do kansas, 7/12/06)

terça-feira, dezembro 05, 2006

brinque você também de robin hood

nunca fui muito com a cara desses filhos da puta da indústria farmacêutica. Mas já que eles querem expiar a sua parcela de culpa pelo sofrimento do mundo e melhorar a sua imagem, não custa entrar no site da Bristol-Myers Squibb e doar um dólar deles pro National Aids Fund. Dinheiro fora do bolso dos outros é colírio.

todos os caminhos levam a Roma


a) New York é o centro do mundo
b) O Times Square é o centro de New York
c) No centro do Times Square tem um centro de recrutamento das forças armadas norte-americanas
não sei o que isso quer dizer, mas na dúvida não parece muito bom. Ainda mais quando botaram o posto das forças armadas exatamente no lugar aonde costumava ter uma barraquinha que vendia ingresso com desconto pro teatro.

breve agradecimento a deus pela existência de Kurt Cobain

na real nunca gostei muito do Nirvana. Mas depois de ver o Sebastian Bach com quarenta e poucos anos abrindo um show do Guns n’ Roses e gritando uns troços tipo “are you ready to fuckin’ rock n’roll with guns n’ fuckin’ roses” pruns gordos cabeludos de quarenta anos, deu pra ter um feeling tipo aquele de “o que teria sido do mundo se os nazistas tivessem ganhado a segunda guerra”. E enfim, um pouquinho de gratidão eterna não faz mal pra ninguém.

terça-feira, novembro 28, 2006

confissões de um ex-cidadão do mundo

nunca me senti tão estrangeiro. E não são os Estados Unidos da América que fazem isso comigo. Verdade que a cara dos funcionários da alfândega não colabora muito pra eu me sentir em casa. Como não colabora a proibição de levar pasta de dente no avião a não ser que seja num saco plástico transparente (alguém me explica?) E como definitivamente não colaboram as placas que dizem que fazer piadas sobre bombas pros fiscais da alfândega é passível de punição por lei (tristes aqueles que perdem a capacidade de rir de si mesmos, aliás). Não surpreendentemente, um fiscal da alfândega me cutucou quando fui tirar uma foto da placa e eu tive que enfiar a câmera na mochila às pressas (o registro fora de foco tá aí em cima).
Mas não, não é isso que incomoda. A verdade é que já ontem, ainda no Salgado Filho, eu já tinha me dado conta que não me sentia mais tão cidadão do mundo como em outros tempos. E não sei bem se a culpa é minha ou do mundo. Mas como me disseram um escritor deveria ser acima de tudo “humano”, vou tomar a atitude mais humana de todas, que é botar a culpa nos outros. E partir do princípio que foi o mundo que começou a briga, quebrou a xícara e deu laxante pro cachorrinho.
Foi em algum ponto ao longo desse ano que eu senti que o filho da puta do mundo tinha fugido definitivamente do meu controle de acompanhá-lo. É verdade que um pouco disso é circunstância. Depois que eu passei a morar num lugar sem assinatura do jornal nem TV a cabo e o google virou a forma predominante de informação na minha vida, eu passei a receber só a informação que ativamente procuro. Pelo menos na maior parte do tempo. E aí nos restritos momentos em que a mídia não-interativa se intromete na minha vida (geralmente uns dois almoços semanais de cerca de hora e meia na casa dos meus pais, ou alguma noite solitária em que eu perambulo além dos cinco ou seis sites de sempre na internet), eu tenho a impressão de que não tenho mais como dar conta do ritmo em que as coisas acontecem. E o problema não é mais simplesmente não conseguir entender o mundo. O problema é não ter mais certeza se o jeito em que eu vivo nele ainda faz algum sentido.
Eu sei que vinte e sete anos parece cedo pra estar se queixando que a vida anda rápido demais. Mas é sincero, mesmo que seja exagerado. Até porque o pior de tudo é pensar que a situação só tende a piorar. Porque hoje, por mais que me queixe, a verdade é que eu represento a nata intelectual da sociedade. Pelo menos em termo de faixa etária. Afinal, ainda faço parte do estreito grupinho que consegue lidar com o transbordamento de informação e ao mesmo tempo ter idade e educação suficiente pra conseguir fazer algum sentido dele. Mas esperem uns cinco anos, e aí vejam se vocês vão conseguir acompanhar esses adolescentes que cresceram no MSN quando eles entrarem na pós-graduação.
O que mais me incomoda, no fundo, é que as formas de comunicação se renovam muito rápido, e aquelas que foram minhas (e da humanidade) até agora parecem se esvair. E isso não é o futuro, é o presente. Mesmo postar isso aqui nesse exato momento (por mais simples que pareça) já parece ocupar com atraso um espaço e um formato e uma linguagem que já foram colonizados e determinados por outrem. Verdade que isso é uma frustração eterna do artista, mas ao contrário de coisas como “a língua portuguesa”, ou “o livro”, que pareciam imemoriais, blogs, youtubes e congêneres estão sendo inventados por caras da minha idade do outro lado da rua. Pela primeira vez na história, mudar o mundo sem sair do sofá de casa é uma possibilidade factível (pensem em quantos milhares de relacionamentos o tal Orkut Seiláoquê destruiu pela idiossincrática invenção de uma página de recados que todo mundo podia enxergar). Mas pros noventa e nove vírgula nove por cento que chegam atrasados, a frustração de não conseguir só se torna maior.
E na mesma linha de raciocínio, se a infelicidade das pessoas no mundo moderno de fato era fruto de não poder ser ou ter o que elas vêem na TV, a web só há de piorar as coisas cada vez mais. Porque, sem exagero, a oferta de coisas para se ter, ver, fazer e viver é bilhões de vezes maior (eu, por exemplo, ainda não consegui superar o trauma de saber que de alguém financiou esse cara). Então fechem as portas e as janelas, maidarlins, e protejam-se dos rumores da rua. Ou então deixem entrar todos os insetos, e preparem-se para a grande depressão.
Não me parece que eu seja uma voz de consenso, no entanto. Pelo contrário, a reação natural da maior parte da minha geração a tudo isso, como a de todas as outras antes dela, parece ser feita de frases tipo “ah, isso é modismo, vai passar”, “isso é tudo uma grande bobagem”, “bons mesmos eram os velhos tempos”, e outras variantes nessa linha. E de fato eu ando ouvindo isso cada vez mais ao meu redor, e de gente que não tem sessenta, e sim vinte e poucos anos. Mas por experiência própria, tipo lembrar de professores meus no início da faculdade me pedindo pra procurar artigos porque “ah, eu não gosto dessas coisas de internet, não me dou bem com o computador, sabe”, não me parece que a opção de aderir ou não à modernidade seja completamente verdadeira. O mundo não dá opção, o mundo engole a tecnologia e é transformado por ela, fazendo que não seja possível viver dentro dele e ignorá-la. Mesmo que a gente opte por não dirigir, a gente ainda assim tem que aprender a atravessar a rua cheia de carros pra não ser atropelado. E ao ver que em pleno ano de 2006 a gente continua pensando em lançar livros, gravar discos e fazer filmes em 35 mm, isso às vezes me parece um frenesi riponga quase tão bizarro viver sem luz elétrica. Ou pior do que isso, parece simplesmente tentar ignorar os carros e atravessar a rua sem olhar pros lados.
E o mais bizarro de tudo isso, no fim das contas, é saber que, no meio desse tsunami todo, os fatos fundamentais da condição humana não mudaram um milímetro. O mundo em volta pode ser um troço completamente diferente do século passado, da década passada, do ano passado, mas a porra do DNA não deve ter mudado mais do que uns poucos pares de bases. E os hard facts de estar vivo e preso a um corpo que come, dorme, fode, defeca e apodrece continuam exatamente os mesmos. Então a aeromoça pode até dar o aviso de “desliguem os seus wi-fis” antes da decolagem, mas isso não disfarça o fato de que se a porra do avião cair a morte vai ser a mesma de sempre. E tentar equilibrar a condição humana de sempre com o mundo nunca dantes visto é um troço que dá um nó na cabeça. Porque o aumento exponencial das escolhas e opções disponíveis não é capaz de mudar o fato inexorável de que elas continuam todas únicas, intransferíveis e sem precedentes.
E é assim confuso, modesto, com a dimensão da própria pequeneza e com os pés mais fincados no meu próprio nicho, que eu rumo humildemente pro centro do mundo uma vez mais. Nunca antes tão livre pra andar pelo mundo, e nunca antes tão preso ao que eu já sou e não posso mudar. Porque no fim das contas dizer que foi o mundo que quebrou a xícara é só uma maneira de esconder que quem envelhece é a gente. E, por mais que tente evitar, a gente vai se tornando cada vez mais parte do próprio nicho, da própria casa, da própria vida. Todo gesto é uma escolha, toda escolha é uma porta que se fecha, toda porta que se fecha é uma morte pequenininha. E isso não é necessariamente ruim, os nossos neurônios também morrem numa velocidade astronômica a partir do nascimento e nem por isso a gente fica mais burro. Limar, refinar, podar, esse trabalho de ourives todo é necessário, e é intrínseco a estar no mundo. Mas que dói um pouquinho, ah dói.
E enquanto as portas do mundo se abrem e as nossas se fecham, por mais devagar que aconteça, estrangeiro é aquilo que a gente vai se tornando. Coincidência ou não, da última vez que eu tinha vindo pra essas bandas, uns meses antes do Bin Laden mudar tudo, o fiscal da alfândega olhou pro montão de entradas e saídas no passaporte e disse “Welcome back, Sir”. Hoje, seja por causa do passaporte novo, do buraco no sul de New York ou por alguma coisa transparecendo no meu rosto, tudo o que o cara que me botou pra dentro do país me disse ao fazê-lo foi “Take care”. Por mais estúpidos que sejam, às vezes esses americanos acertam na mosca.

quarta-feira, novembro 15, 2006

das incômodas fontes de perplexidade na era digital

olha, não que eu tenha grandes ânsias de popularidade. Mas o fato de que a gata morta duma amiga minha tenha 4 vezes mais amigos, 7 vezes mais fãs e (pasmem) 11 vezes mais recados do que eu no orkut me perpassa. Vá lá que esses gatos mortos tendem a se comunicar bastante, mas isso chega a ser meio constrangedor.

terça-feira, novembro 14, 2006

mais um maldito livro que eu queria ter escrito













mais placas legais no site do lonely planet. Não sou muito de fazer marketing de graça, mas esses filhos da puta são dos poucos merecem.

quarta-feira, novembro 08, 2006

pra quem tinha medo da pastorinha do youtube...


...tremble in fear! jesus... digo, pelo amor de deus... digo, goddamnit... digo, damn god...

segunda-feira, novembro 06, 2006

cinco minutos para salvar o mundo

licenciei essa porra no creative commons hoje. Como "uso liberado, contanto que não comercial e igualmente compartilhado, citando a fonte", ou alguma coisa assim. Me levou uns cinco minutos, e parece um gesto de civilidade tão óbvia que eu não sei como eu não fiz antes. E ao contrário dessa brincadeira de votar e tantas outras coisas duvidosas, essa não tem como vir pra mal. More on this to come. E espelhem-se, please.

domingo, outubro 29, 2006

foi comprar cigarros e nunca mais voltou

não sei porque diabos eu não fumo também.

terça-feira, outubro 03, 2006

nunca foi tão fácil


alguém tá a fim de uma boquinha no Congresso Nacional? Hein? Ouvi alguém dizer “sim”?
Então porra, galera, mexam-se! Sério, acho que se lançar na vida pública nunca foi uma barbada tão grande. Basta ter menos de quarenta anos e um mínimo de carisma. Tipo, a tal da Manuela fez uns duzentos e tantos mil votos simplesmente sendo jovem. O cara do tempo fez uns outros cento e tantos mil. O Mano Changes se elegeu com um slogan que dizia “chega dos falcatrua” (além de ter quatro vezes mais amigos do que o pessoal do orkut deixa). Pra não falar no Clodovil, obviamente. Sei lá, acho que é o enfado da população com a classe política. Mas nunca foi tão fácil se eleger sem outra arma que não seja a própria juventude. Se combinada com ausência total de experiência, então, acho que é melhor ainda.
Sério, olhando a propaganda política na TV, onde todos os candidatos a deputado falam exatamente a mesma coisa, sempre me vem à cabeça o fato de que não pode ser tão difícil. Tipo assim:
1. Arranje uma causa pop que ninguém ou quase ninguém assumiu de bandeira, tipo a defesa dos animaizinhos perdidos.
2. Arranje um trejeito que te identifique, tipo um jeito engraçado de falar, um chapéu esquisito, ou algo assim.
3. Mostre o quão jovem e cheio de hormônios vicejantes você é, e o quanto você não tem absolutamente nada a ver com política.
4. Mostre um mínimo de senso de humor. É incrível como ninguém consegue fazer isso em campanha eleitoral.
5. Diga que você vai militar pelos jovens, patatipatatá.
6. E, sei lá, acho que tá feito.
Sério, se tem alguma coisa que me deixa otimista nessa eleição é que parece que a classe política dominante, que na prática me parece mais ou menos a mesma desde que acabou a ditadura (ou seja, desde que eu me conheço por gente), nunca pareceu mais desgastada. Ao mesmo tempo que, pelo outro lado, nunca foi tão fácil conseguir exposição nos Orkuts e youtubes da vida. Sério, alguém aí duvida que a velhinha do Tapa na Pantera se elegeria? Ou a Cicarelli? Ou talvez até o Astronauta Roger, pelo menos enquanto ainda era famoso?
E se alguém aí acha que eu tô sendo irônico e ridicularizando a situação, estão redondamente errados. Sério, se as Manuelas da vida não entrarem na política, sobra quem? Nelson Marchezan Júnior? Mendes Ribeiro Filho? ACM Netto? Sinceramente, eu não conheço pessoalmente nenhum dos três. Mas só pelo adendo depois do nome, já sou mil vezes o Mano Changes.
Só resta achar quem tenha saco de ser deputado no meu círculo mais próximo. Se alguém se dispuser, tô lançando candidatura pra dois mil e dez amanhã. Lembrem, comparsas dos vinte pra cima e quarenta pra baixo, que pelo menos por um tempinho a gente ainda pertence à restrita elite cultural que consegue ter diploma universitário, pagar as contas e ser proficiente no MSN. É a nossa hora. Aproveitem porque não dura muito. Mas enquanto dura, vamo patrolá.

segunda-feira, outubro 02, 2006

e onde andará a veia que salta?


o Chico é foda. De tão profeta, previu até o seu próprio destino.

“...Muito bem, Jasão. Você é poeta, perigoso, porque de repente está dando às palavras a intenção que interessa a você. Só que essa ansiedade que você diz não é coisa minha, não. É do infeliz do teu povo, ele sim, que anda aos trancos, pendurado na quina dos barrancos. Seu povo é que é urgente, força cega, coração aos pulos, pois carrega um vulcão amarrado pelo umbigo. Ele então como não tem tempo, nem amigo, nem futuro, e uma simples piada pode dar em risada ou punhalada como a mesma garrafa de cachaça acaba em carnaval ou desgraça. É seu povo que vive de repente porque não sabe o que vem pela frente, então ele costura fantasia, sai fazendo fé na loteria, se apinhando, se esgoelando no estádio, bebendo no gargalo, pondo no rádio sua própria tragédia a todo volume, morrendo por amor e por ciúme, matando por um maço de cigarros e se atirando debaixo de carro. Se você não agüenta essa barra, tem mais é que se mandar. Se agarra na barra do manto do poderoso Creonte, e fica lá em pleno gozo de sossego, dinheiro e posição, com aquela mulherzinha... Mas Jasão, já lhe digo o que vai acontecer: tem uma coisa que você vai perder, que é a ligação que você tem com a sua gente, saber o cheiro dela, o cheiro da rua. Você pode dar banquete, Jasão, mas samba é que você não faz mais não. Não faz! E aí é que você se atocha, porque vai tentar, e sai samba ruim. Essa é a minha maldição! Gota d’Água nunca mais! Samba aqui, ó! Você não engana ninguém! Gota d’Água nunca mais!...”
(Monólogo de Joana, em Gota d’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, 1975)

e de fato, eu ao menos não consigo achar explicação melhor pro fato da maior parte da obra musical recente do Chico parecer trilha sonora pra ficar tomando uísque numa cobertura do Leblon. Porque porra, quando o país te idolatra, as mulheres te amam, a crítica te unta continuamente de creminhos, e tu é provavelmente o maior cidadão brasileiro vivo, em algum lugar há de se perder a veia que salta. E, junto com ela, a ligação com um povo de cuja angústia já não se compartilha. E o que resta então é ficar enfileirando harmonias e enfeitando com letrinhas líricas. Ou então aprender húngaro e tentar se expressar na língua nova. Pensando bem, o Chico continua foda.

segunda-feira, setembro 25, 2006

o incrível mundo dos typos falhos

ô vocês da psiquiatralha, alguém sabe se algum psicanalista atinado já se prestou a estudar os atos falhos cometidos no teclado? Sério, esses "typos falhos" (acabo de criar o termo, o google registra zero ocorrências anteriores - um dia serei citado nos compêndios de psicanálise, vocês verão!) são uma das coisas mais doidas do processo criativo. Acabei de abrir o rascunho da minha coluna do argumento nessa semana e onde deveria ler-se "contemplem minhas pernas" eu tinha escrito "contemplem minhas perdas". E não tem como explicar sem meter o inconsciente no meio, pois tem umas boas 4 ou 5 teclas entre o "n" e o "d" no teclado. Lembro também uma vez de ter escrito um troço tipo "apanho o microfone e falho", e assim por diante, quase sempre coisas nessa linha, frustrações recalcadas se infiltrando no texto onde não deviam. E o mais doente é que não precisa nem de analista pra apontar, porque esse é um pedacinho particular da tua história psicanalítica fica salvo nos meus documentos.
enfim, só uma sugestão. Se alguém criar um teste projetivo em cima disso, fico feliz com um reles depósito de 1% da renda obtido com ele na minha conta bancária. Aceito cheque pré-datado, também.

domingo, setembro 24, 2006

do impacto do vestibular sobre a comunicação escrita

pra aproveitar o link do último post, é incrível como múltipla escolha faz parte do nosso inconsciente coletivo. Aliás, acho que quase daria pra construir toda uma obra literária escrevendo só em múltipla escolha. Tava até pensando em começar, mas morro de medo de procurar no google e descobrir que alguém já fez isso. Melhor guardar como carta na manga e não me dar o desgosto, por enquanto.

presságios funestos (manhê, eles tão dentro do meu quarto!)















quando você começa a enxergar e fotografar monstros como o da imagem acima nas tomadas do seu quarto, isso deve ser um aviso. Mas do quê?
a) é hora de dar uma ligada pro psiquiatra
b) é mais do que tempo de sair do quarto
c) talvez comprar um estabilizador de voltagem não fosse uma idéia tão ruim assim
d) talvez você esteja ficando meio dependente de aparelhos elétricos demais
e) cadê aquele anúncio de seguro contra incêndio da semana passada mesmo?

quinta-feira, setembro 07, 2006

pequenas atrocidades pra se ouvir de 4 em 4 anos


dum candidato obscuro do PRONA a algum cargo de deputado, no horário eleitoral:
"Direitos humanos? Direitos humanos são pra você e pra sua família! Vote PRONA, deus, pátria e família"
(ou seja, a humanidade termina na sua família, pelo que dá pra entender)
a gente sempre teve fodido, na real. Mas às vezes a gente só se dá conta em ano de eleição.

quarta-feira, setembro 06, 2006

panapaná














a minha singela e básica coluna do argumento não aceita figuras. Mas deu uma puta vontade de botar uma ilustração pra acompanhar, então resolvi jogar aqui mesmo. Os leitores que se virem com o hipertexto.
p. s. devo mais uma pro scott por ter trazido essa palavra massa à minha atenção.

(do arquivo, Xingu, 6/2005)