domingo, maio 17, 2009

por onde andam huguinho, zezinho e luizinho

sempre achei que os escoteiros tinham um quê de lavagem cerebral . Mas isso é surreal.

terça-feira, maio 12, 2009

melhor typo falho do ano até agora

trabalhando num já quase mítico conto de ficção científica erótica que ninguém leu (mas que eu acho massa), fui trocar "peitos" por "seios" na frase
"o troço escorregou praticamente sozinho até a cintura dela, revelando uns peitos até bem firmezinhos e gostosos."
e aí depois de apagar ali, escrever ali, etc. etc., de repente eu olhei pra tela do computador e constatei que tinha escrito
"o troço escorregou praticamente sozinho até a cintura dela, revelando uns seis peitos até bem firmezinhos e gostosos."
ô, cabeça suja. Nessas horas que eu penso que deveria melhorar a qualidade da pornografia que ando consumindo.

segunda-feira, maio 04, 2009

enquanto o H1N1 toca o horror
















o zaffari marca passo. Eu é que não compro um negócio desses.

sexta-feira, maio 01, 2009

impregnados até a medula

hilário trecho de uma reportagem da revista Época de janeiro sobre "vida simples" lida no consultório da minha otorrino ("Viver Bem com Pouco, Revista Época,nº 555, p. 44 - 05/01/05)

reparem no item 3 da tabela de "sintomas da vida consumista e suas curas":

sintoma: não acreditar que existe diversão boa e gratuita.
cura: comprar um guia da cidade e conhecer seu bairro a pé.
(itálicos meus)

como diria o tio patinhas, quack.

não sei se tomo isso como um ato falho involuntário ou como apoio (bem pouco) subliminar das Organizações Globo ao mundo capitalista. Mas na real até acredito mais na primeira hipótese. Em todo caso, suponho que a conclusão seja a mesma: todo sistema que só consegue se criticar a partir do lado de dentro sempre estará fodido e mal pago. Lógicas como o capitalismo impregnam, a ponto de nem as nossas críticas conseguirem escapar da lógica que criticam. No fundo, é tudo o mesmo discurso.

terça-feira, abril 28, 2009

entrelinhas fora do tom, sem melodia

pensamentos soltos depois de três dias de vida literária particularmente intensa (vulgo “várias horas por dia tirando onda de escritor”) às custas da tal festipoa literária divulgada no post abaixo.
(a) porto alegre não é um lugar tão ruim assim. Na quinta-feira desci da sacada de casa e fui até a palavraria pra dar uma força pro evento (afinal, parecia impossível que alguém teria tempo ou paciência de assistir debate em livraria às quatro da tarde de quinta-feira). E me caiu o queixo ao constatar que o lugar tava relativamente cheio. Dei a volta na quadra pra ir pagar a academia e o café da oca tava igualmente bombando de gente. E terminando a volta na quadra já tinha gente passando som no ocidente. Pra vida cultural às cinco da tarde de um dia de semana, não tá nada mal.
(b) esse tal meio literário é uma das instituições mais esquisitamente retrógradas e conservadoras do planeta. Ou pelo menos de porto alegre. Assisti a dois debates do evento (fora o que eu mesmo participei), um sobre “o fim do livro” e outro sobre “o papel da literatura da sociedade contemporânea”. E em ambos a tônica (um pouco por parte dos palestrantes, mas muito mais ainda por parte da platéia) era um discurso apocalíptico sobre “a literatura está sob assalto”, “não estamos cuidando do livro como devíamos”, “vamos perder espaço para a cultura visual”, “a autoria vai se diluir no hipertexto até virar pó” e outras coisas do gênero. Fora as mesmas perguntas repetidas que sempre pipocam nesses eventos, tipo “o livro vai acabar”, “blog é literatura?”, etcétera e tal. E todo mundo parece abordar essas questões com um medo paranóide de que a literatura vai acabar do dia pra noite.
mais e mais eu me dou conta que mesmo nos meios mais letrados, ou especialmente neles, muita gente equaciona “literatura” com o mundinho literário ultrarestrito do final do segundo milênio, em que a comunicação escrita era predominantemente realizada através de um objeto chamado livro cujos direitos de exploração eram detidos por uma certa companhia que imprimia cópias para vender. E falham em se dar conta de que a palavra já existia antes disso, e vai seguir existindo depois, em uma imensidão de outras formas possíveis, e que a passagem desse caso particular ao próximo é simplesmente mais uma metamorfose na história das idéias. E provavelmente uma das positivas: é provável que nos últimos dez anos, com o advento da internet, tenha se lido muito mais do que em qualquer outra época na história da humanidade. E se isso é literatura ou não é uma questão totalmente irrelevante: o blog ou o msn ou o twitter são o que são. As definições abstratas, tipo a palavra “literatura” é que tem que se atualizar pra acompanhar as coisas concretas, e não o contrário.
e o melhor exemplo disso foi quando alguém perguntou se a internet “poderia propiciar a autoria coletiva” (e, mais estranhamente, o pessoal da mesa se manifestou meio contra). Não sei se alguém parou pra pensar, mas o livro mais lido da história da humanidade nos últimos dois mil anos já era de autoria coletiva, e ainda por cima meio desconhecida. Assim como a maior parte da herança literária de quase todas as civilizações humanas. Novamente, esse conceito o objeto livro atribuído a um autor é apenas um caso particular na história. E provavelmente pode sumir sem fazer muita falta. As idéias seguirão em frente, como sempre, porque nunca dependeram disso mesmo. E provavelmente vão dar um jeito de se espalhar além da meia dúzia de gatos pingados que de fato tem dinheiro pra comprar livros e paciência pra lê-los no nosso país.
(c) me consola saber, pelo menos, que essa insistência conservadora e empoeirada em divinizar pedaços de papel não é uma exclusividade de porto alegre. Outro dia fui assistir ao “Farenheit 451” do Truffaut e fiquei pasmo com a boçalidade do final. No fim da história, a reação das pessoas contra a queima de livros e a censura cultural era decorar um único livro escrito por pessoas de outro século e se transformar em “pessoas livro” que levavam o conhecimento dessa outra pessoa adiante. E a resistência parecia se limitar a isso. Excuse me, mas por que caralho elas não resolviam escrever, ou trocar idéias, ao invés de perder tempo decorando palavras dos outros? Não que manter o patrimônio cultural não seja importante, mas produzir novas idéias me parece bem mais. E aquela cena final de pessoas caminhando de um lado pro outro vomitando palavras de outras pessoas me deu uma certa vergonha alheia. Ô culturinha besta.
(d) hm, tinha mais conclusões a serem tiradas. Mas talvez fiquem pra alguma outra hora. Enquanto isso, vou tentando levar adiante (e parafraseando em leituras públicas) os ideais do tio Caetano, de entrar em todas as estruturas pra sair de todas. Nós entramos em festival pra isso.
(em tempo, fica o agradecimento pra organização da festipoa por botar em prática um evento legal e improvável desses, me convidar pra fazer parte dele, e ainda por cima fazer ele dar certo. O meu ranzinzar não tira nenhum átomo dos méritos de você(s) - inclusive o de estimulá-lo e permitir que ele aconteça).

terça-feira, abril 21, 2009

agenda cultural da semana em curso

pros que não sabem, rola de quarta a domingo aqui em porto alegre, lar doce lar ainda, a segunda edição da FestiPoa literária, provavelmente o maior evento literário da cidade, excetuando-se aquele outro que tem banquinhas vendendo livros na praça da alfândega.
em meio aos vários outros eventos legais a serem conferidos na programação saudavelmente heterogênea, faço jus a condição de escritor e porto-alegrense dando as caras em dois deles.
primeiro, participo em um debate sobre a "brevessência" do conto com a Monique Revillion, o José Antonio Silva e a Carol Teixeira (os que me conhecem sabem que não tenho muito a ver com essa tal de brevessência, e devo tomar as dores da verborragia e do excesso na discussão). Rola na livraria Letras & Cia. (Osvaldo Aranha, 444), na sexta (24/04) às 19h30.
depois, no encerramento da festa, participo na segunda edição do Porão da Palavra, um desses saraus eletroacústicos (ou alcoólicos) com gente lendo, tocando, ou fazendo macaquices diversas em cima do palco. Eu e um monte de gente legal estamos listados no flyer aí abaixo. Rola no Porão do Beco (Independência, 936), no domingo (26/04), começando às 20h. Mas se metade dos convidados aparecer, já parece diversão suficiente pra durar até depois da meia-noite.



quinta-feira, abril 16, 2009

princípio de alguma coisa

de cabeça, em linha reta, traço minha rota de colisão com os paredões de pedra. E imagino meus próprios escombros dentro de ônibus que ziguezagueiam insanos entre túneis e fumaça, corredores improvisados e ratos soltos. O silêncio explode em pedaços espalhados pela cidade, que o trânsito não permitirá que se juntem tão cedo. Urubus e albatrozes pairam sobre a minha cabeça e aposto minhas fichas em que eu seja capaz de pairar também. Pairar sobre o lixo, sobre o asfalto, sobre as infinitas paredes de tijolos, como a linha vermelha imperando magnânima sobre a favela. E retribuir as pedradas e balas perdidas e o redemoinho do mundo ao redor com uma esquisita leveza. A mesma leveza dos rostos desconhecidos, da conversa superficial das pessoas, do vazio que serve de denominador comum à cidade, que assiste ao futebol nos botecos de suco das esquinas. Pra não deixar que o barulho me afaste de mim, prometo-me em voz baixa que flutuarei por cima de tudo, me deixando afundar apenas pra regressar à superfície no maelstrom permanente do asfalto em ebulição. Prometo que com pés e mãos sobre as garrafas plásticas resistirei a afundar, como as garças que pisoteiam as águas infectas da guanabara. E de alguma forma usarei o nome e os poderes dessa insólita nova casa como um atalho esdrúxulo pra algum outro fundo, por debaixo das planilhas de notas, das ruas cheias de fumaça, das geringonças imensas guardadas em improvisados galpões. Pra através da neblina de sonho da maresia tentar chegar uma vez mais ao silêncio, fortalecido e feito mais denso pelo caos ao meu redor. Pra que uma vez mais seja eu, em meio a tudo, a ilha mais funda e mais viva nesse imenso mar de ruído e espuma.

segunda-feira, abril 06, 2009

metendo o pé na guanabara

como parte do atual plano de dominação do estado do Rio de Janeiro*, aqui vai o calendário de curtas-metragens meus, quase meus ou um pouco meus na Mostra do Filme Livre 2009, mostra anárquico-libertária que rola no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil nas próximas semanas:

a minipílula conceitual Um Filme Brasileiro, obra concatenada com duas tardes e 13 reais por mim e pela vanessa, passa em vários horários, no CCBB, na Casa de Rui Barbosa em Botafogo e no Second Life, conforme descrito a seguir:

  • Dia 07-04-2009
  • 00:00 - MFL no Second Life (SECOND LIFE - Cine Alexandria - www.mainlandbrasil.com.br)
  • Dia 08-04-2009
  • 16:00 - Panorama 2 (CCBB - Sala de Cinema)
  • Dia 19-04-2009
  • 18:00 - Pílulas (CCBB - Sala de Cinema)
  • Dia 24-04-2009
  • 18:00 - Panorama 2 (CCBB - Sala de Cinema)
  • Dia 25-04-2009
  • 17:00 - Pílulas (CCBB - Auditório 4º Andar)
  • 16:00 - ASCINE-RJ - Cineclube ABDeC (Casa de Rui Barbosa: Rua São Clemente, 134 - Botafogo)
já o Dois Coveiros, do caríssimo Gilson Vargas, com uns diálogos e uns pedaços do roteiro que eu já não me lembro quais são escritos por mim, passa em horários um pouco mais restritos, mas igualmente nobres:

  • Dia 11-04-2009
  • 16:00 - Panorama 4 (CCBB - Sala de Cinema)
  • Dia 22-04-2009
  • 18:00 - Panorama 4 (CCBB - Sala de Cinema)

e o mesmo acontece com o Perro en el Columpio, do igualmente caríssimo Eduardo Rabin:

  • Dia 18-04-2009
  • 18:00 - Panorama 10 (CCBB - Sala de Cinema)
  • Dia 21-04-2009
  • 16:00 - Panorama 10 (CCBB - Sala de Cinema)
enfim, se por algum acaso improvável alguém lê esse blog e encontra-se no Rio de Janeiro, tá dado o recado. Aliás, eu também ando por aqui até a semana que vem, se alguém quiser tomar umas cervejas.

* Legal Disclaimer direcionado ao Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e facções análogas: a expressão "dominação do estado do rio de janeiro" tem caráter meramente metafórico, não denotando intenções reais em relação a interesses econômicos e políticos do autor deste blog.

quarta-feira, abril 01, 2009

primeiro de abril

depois de ter viajado meio mundo afora, a conclusão simples é que em nenhum lugar do mundo eu me sinto tão em casa como numa manhã nublada e fria, seja onde for. E a primeira manhã de moleton em Porto Alegre é sempre como se eu estivesse voltando a mim mesmo depois de algum tempo vivendo uma outra vida qualquer num verão estrangeiro.

(p.s. o vídeo acima é um lixo sob inúmeros aspectos, mas era um de dois no youtube com a trilha sonora que cabia ao post. E no fim das contas confesso que alguma coisa na combinação "look super 8 de filme porto-alegrense dos anos 80 + abóboras e laranjas in the sky with diamonds" acabou me cativando. Pode até ser ruim, mas ainda assim parece esquisitamente pertinente.)

segunda-feira, março 30, 2009

às vezes eu queria que o mundo fosse mais concreto

se esse botãozinho do Vista de fato fizesse o que promete ia ser o máximo. Volta e meia tenho vontade de arrastar o computador inteiro pra cima dele.

sexta-feira, março 27, 2009

todos filhos de deus

enquanto a mallu tocava no teatro no segundo andar do shopping, entre luzes e aplausos, e chorava por causa de um violão que não funcionava, um tiozinho com o triplo da idade dela quebrava a pedra de todos os dias com uma guitarra na praça de alimentação do andar de baixo. E o pior é saber que as posições não vão se inverter, porque a seta do tempo tem direção única. Enfim, apenas o mundo, em toda a sua exuberância injusta. Sem poder fazer muito a respeito, resta manter os ouvidos e os olhos abertos.

domingo, março 08, 2009

sobre ter 29 anos e um bocado de amigos mais velhos

é um pouco como estar num filme de zumbis. Subitamente você olha para o lado, para alguém em quem até ontem confiava, e exclama apavorado "oh, não, você também tem 30". E uma a uma as pessoas à sua volta vão caindo, até você se dar conta que não tem escapatória e que logo será o próximo.

domingo, março 01, 2009

posts perdidos no meio de um caminho sem wi-fi (ii): assistindo à platéia do palco central

depois de anos sendo forçado a acompanhar o carnaval do nordeste pela tv enquanto sentava exilado em algum lugar ao sul do trópico de capricórnio, a internet me promoveu esta vingança maligna. Em pleno carnaval de Olinda, alguém resolveu mostrar o agito pra dois ingleses incrédulos via videochat. E então eis que subitamente, numa incrível inversão de papéis, eu, no meio da multidão, podia assistir dois coitados a menos cinco graus chuvosos contemplarem o agito com cara de tacho. Muito se disse sobre a capacidade da internet de fazer os que eram espectadores se tornarem protagonistas. Mas muito mais gostoso é ser o protagonista e virar espectador da platéia boquiaberta.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

posts perdidos no meio de um caminho sem wi-fi (i): frestas

não sei se alguém já disse que somos a soma dos nossos limites. Sei lá, parece algo que alguém já teria dito numa frase célebre. E também parece verdade.

a lógica é um pouco darwinista: no fim das contas, fartura nunca induziu adaptação ou evolução em ninguém. As dificuldades e os limites, por outro lado, construíram a vida inteira a partir de um sopão de moléculas. E a individualidade surge do que é imposto, do que não pode ser mudado. O que é flexível, plástico e cheio de espaço acaba estagnando. Ou simplesmente caindo no fluxo.

ando no Nordeste há quase um mês, e o excesso de espaço me incomoda. Em cidades e bairros que até pouco tempo atrás eram um punhado de casinhas de reboco, o espaço pra qualquer coisa crescer parece imenso. E o resultado disso parece quase sempre uma Miami disforme.

meu possível quem sabe futuro lugar de trabalho em Natal fica a duas quadras duma estrada de várias pistas. A referência pra entrar na rua é uma revendedora de veículos gigantesca da Chevrolet. Do outro lado da avenida, há um shopping a cada três ou quatro quadras.

saindo da estrada, por outro lado, a meras duas quadras de distância, a rua é de terra batida. As casas parecem ter sido tiradas de uma favela mais ou menos arrumadinha. Eu, que não almocei, procuro um lugar pra comer. O pessoal que trabalha ali diz que o jeito é dirigir até o shopping.

LA, Miami, Barra da Tijuca ou Natal, já pouco importa. A impressão é só a de estágios diferentes de um mesmo processo que acaba por formar um emaranhado inespecífico de avenidas de várias pistas, carros cruzando de um lado pro outro, e arranhas-céus disputando espaço entre as casinhas simples que ainda restam. Tudo o que importa fica ao lado da estrada. Ser pedestre, nem pensar, exceto num curto espaço de orla marítima entregue aos turistas.

porque parece que tudo que tem espaço pra crescer acaba evoluindo hoje em direção ao mesmo capitalismo indistinto sem espaço urbano, a uma mesma lógica repetida de discursos, mentes e condomínios fechados.

a não ser nos lugares onde existem limites.

limites como as ladeiras infectas levando até a cidade alta de Salvador. Como o cenário brega de cartão postal desbotado da orla de Copabana. Como os canais poluídos e favelas de palafitas do centro do Recife. Ou até como os prédios baixos de famílias judias do Bonfim em Porto Alegre. Onde não há espaço pra estradas e especulação imobiliária, parece que os fabricantes de condomínios perdem um pouco o vigor. Deixando espaço pra algo crescer que se parece um pouco mais com o que eu chamaria de vida.

vida que parece florescer exatamente sobre a decadência de alguma outra coisa. Igrejas barrocas no Pelourinho viram campo de pelada pra moleques das ladeiras de Salvador. Grama nasce entre os ladrilhos toscos de estradas coloniais. Prédios históricos caem em pedaços e são cobertos por montanhas de graffitis coloridos. Prostitutas e militares aposentados preenchem o espaço efervescente por trás das fachadas com espessura de cartão postal em Copacabana.

e de alguma forma essa decadência me parece infinitamente mais aprazível do que o crescimento obstinado de onde há espaço. Até porque decadência é uma palavra relativa: meninos jogando bola no pátio da igreja parecem uma evolução enorme em relação a padres vestidos de branco falando bobagens num altar banhado em ouro. No fundo, o que cresce pelas frestas no meio das ruínas de algo em destroços parece conseguir escapar da lógica dominante com muito mais facilidade do que o que cresce com espaço, meios e planejamento. E o que quer que ainda queira ser único em meio ao fluxo contínuo e acachapante do capitalismo global só parece conseguir crescer nas frestas.

e se em nossa geração o pouco que cresce com graça o faz nos espaços mais restritos, disfarçado de decadência e estrago na paisagem, é interessante nos perguntarmos onde crescerá algo que valha a pena no futuro. Uma vez que a miamização do mundo estiver concluída, espaço certamente haverá muito menos. Então sei lá, talvez ainda haja esperança: se a lógica vale alguma coisa, talvez nunca haverão tantas frestas apertadas pra forçar o mundo a se transformar em alguma outra coisa que não o que era antes.

verdade que é pouco provável que essas novas frestas gerem especificidades geográficas bonitas como as que ainda restam hoje, já que o mundo é cada vez mais igual em todas as partes e seus limites e furos também o serão. Mas talvez as novas frestas pelo menos permitam o surgimento de algo único no tempo, senão no espaço, já que o formato exíguo e sinuoso do espaço que sobrar vai ser forçosamente diferente de todos os espaços anteriores.

então quem sabe alguma espécie de discurso novo cresça entre os pequenos espaços escondidos em cantos remotos da rede e nas ruelas entre os condomínios fechados, como se fosse vegetação entre tijolos de igrejas barrocas, ou uma pelada espontânea com bola de meia no pátio da prisão. O mundo é cada vez mais o mesmo, mas os limites e os buracos seguem aí: resta saber aproveitá-los pra tentar criar um troço novo entre as frestas, e existir como ainda não se existiu exatamente antes. É o mínimo que eu esperaria de um bando de gente que quisesse um dia se chamar de uma geração.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

pra quem não conseguiu comprar o abadá do trio da ivete















a fascinante vida cultural da paraíba segue me surpreendendo.

sábado, fevereiro 07, 2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

condição humana, redux















DEATH

how will you outwit Death in your game?

KNIGHT
I use a combination of the bishop and the knight which he hasn't yet discovered. In the next move I'll shatter one of his flanks.

(Ingmar Bergman, Det sjunde inseglet)

sexta-feira, janeiro 30, 2009

dedinhos pra cima

em ritmo de marchinha de carnaval, tentando disfarçar sem sucesso que alguma coisa fica pra trás.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

sobre a vida de ganchos em diante

garrafas de cerveja vazias pela casa, papéis de sonho de valsa no chão do carro. Areia no olho, noites mal dormidas, noites não dormidas. Queimaduras de sol, algas nos bolsos e cicatrizes de toboágua. Asfalto, ventiladores a pino, despertadores desligados. Centenas de mensagens não lidas na caixa de entrada. Fones nos ouvidos, sonhos de homens voadores. Os menores toques ganham o peso de pontes. O corpo deitado sobre os furos da represa, e cada rolar na cama traz novas inundações. Hoje sou todo correnteza, até o fim da semana restarão os escombros.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

vinde a mim as criancinhas

já que a fama e a fortuna não vieram por outros meios, resolvi abrir meu coração e aceitar jesus. Sei lá, de repente funciona.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

novas formas de solidão no mundo moderno (xsiviiix): tentando chamar a atenção no orkut

sentindo-me carente de atenção esses tempos, e constatando que quase ninguém me ligava, mandava e-mails ou dava qualquer sinal de vida, elocubrei um plano genial ao ver a minha namorada fuçando na vida dos outros no orkut e ver que o monstro da telinha azul agora tinha aprendido a avisar todos os meus amigos sobre atualizações no meu perfil.
vou trocar o meu perfil para "solteiro", pensei. Assim todos vão se preocupar comigo, me ligar pra ver se eu estou bem, mandar recados, ficar preocupados, espalhar boatos sobre a minha pessoa, etc. Em resumo, eu serei novamente um cara importante na vida das pessoas.
parecia um plano genial. Eu até troquei umas configurações pro troço avisar toda a minha lista de amigos, avisar quem entrou no meu perfil, etc., etc. E a vanessa ficou superentusiasmada porque ia descobrir "todas essas putinhas que vão começar a te mandar recados". Enfim, uma idéia brilhante como eu não tinha há tempos.
ou não.
pois hoje, passada umas duas semanas da experiência, sou forçado a constatar decepcionado que ninguém percebeu. Sério. Bom, pra não mentir, uma única pessoa obsessivamente cibernética chegou a perguntar a respeito (e logo descobriu que era mentira). Mas de resto, o troço continua às moscas como sempre, com seis visitas no tal perfil na última semana. E eu não pareço ter ganho uma única ligação a mais no celular com esse esforço todo. Pra não falar em cafuné.
mas enfim, talvez ser solteiro não seja uma notícia tão significativa. Provavelmente na semana que vem vou tentar trocar o item "orientação sexual" para "gay", pra ver se chama mais a atenção. Mas já de antemão suspeito que o fracasso vai ser tão retumbante quanto. Sei lá, no fundo talvez a melancia no pescoço ainda seja a minha melhor opção.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

adolescendo

tenho me sentido cada vez mais adolescente, e isso pouco tem a ver com crises de meia-idade estilo beleza americana e congêneres. Senão com uma impressão esdrúxula de inadequação, de mudanças que fazem com que eu volta e meia não me reconheça mais. Até o meu corpo muda, depois de começar a fazer academia pela primeira vez em trinta anos, mudar o corte de cabelo pela primeira vez em cinquenta e ter criado uma espinha permanente embaixo do olho esquerdo. Sinto uma certa inadequação em cada movimento, tomando consciência de toda uma nova constelação de dores e cansaços novos nos músculos. E uma curiosidade intensa ao me olhar no espelho, mesmo sabendo (ou talvez precisamente por saber) que o corpo entra na fase das consequências, em que as merdas que se faz não vão repercutir algum dia quando tu ficar adulto, senão no dia seguinte (e lá vai ressaca, dor no ombro, ouvido entupido, hemorróidas). E como um legítimo adolescente me sinto perdido entre gerações, desacomodado demais pra ter assunto com gente da minha idade, velho demais pra interessar a gente mais jovem. Pulo na sala batendo cabeça escutando radiohead ao mesmo tempo que começo a medir algumas experiências a partir do que os meus filhos vão pensar dela daqui a uns anos. Volta e meia me apaixono feito bobo, inclusive pelo corpo que dorme do meu lado todas as noites. E tenho uma afinidade com essas coisas pequenas e sólidas tipo o cheiro do asfalto depois que chove, a espessura do filé da lancheria do parque, o vento que entra pela janela do quarto quando as frentes frias dão o ar da graça. Tenho adormecido cedo às custas do meu próprio sono, ao invés de por causa da hora em que tenho que acordar no dia seguinte. E demoro horas no soneca antes de levantar. Mais do que tudo, tenho ouvido muito mais música, e num volume mais alto, o que pra mim costuma ser o primeiro sinal de vida acontecendo. Não sei dizer se ando mais feliz. Mas sei dizer que tem feito mais sentido.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

câmara escura, guaxinim, trompete, raio-x, gambito da dama, lesmas, Frida, aquário, abdómen, míssil, esturjão, ósmio, aranhas, oxigênio, magnetos...

...pêndulo, radiologia, ponto preto, vassoura.
palavras chave do meu livro de acordo com algum algoritmo automático do google books. Fiquei tri orgulhoso de tamanha salada. Parece até melhor do que realmente é.

eles

eram prateados. Quando chegaram na terra, pensaram em dominá-la. Modestos, porém, contentaram-se com os sinais. No fim do dia, ao sair do trabalho, pintavam-se de cor de pele.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

esse post não é um sapato

ok, esse troço (um preview do próximo livro do Chris Anderson, o cara da cauda longa) tá no ar desde o início do ano, mas eu não sou nerd a ponto de ler a wired todos os meses. Em todo caso, achei que ainda valia a pena linkar. Algumas pessoas são capazes de expressar de maneira ultraclara alguns conceitos que são simples, porém anti-intuitivos o suficiente pra continuarem sendo insistentemente negados por muita gente. Particularmente por dinossauros que insistem em achar que cultura e informação possam ser distribuídas através do mesmo tipo de economia que rege o comércio de sapatos (incluindo aí executivos de gravadora, compositores frustrados e jornalistas culturais que terminam críticas com o preço do "produto" de que estão falando). O que é uma causa pra lá de perdida. Como já dizia o Raul, nós não vamo pagá nada. É tudo free.

a uns vinte centímetros da glória

às vezes um único cara toma nas próprias mãos o desejo reprimido da humanidade inteira. E quase consegue satisfazê-lo. Afinal, deve querer dizer alguma coisa o fato de que todas as versões do vídeo do Bush atacado pelo sapato voador tenham cinco estrelas no youtube. Uns vinte centímetros mais pra baixo e teria sido a glória. Mas, parafraseando o que o Bin Laden uma vez disse sobre aviões (e por sorte não cumpriu), a chuva de sapatos não parará tão cedo. Quem dera virasse moda.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

segunda-feira, dezembro 01, 2008

ainda sobre deus, e sobre o silêncio, que é mais legal que Ele

"se não fosse o silêncio a verdade mais suprema, Deus não seria tão lacônico."
(roubado do "Solenar", do Rafael Jacobsen)

sexta-feira, novembro 28, 2008

ainda sobre música pop

deus fez o mundo em três acordes maiores (e seus relativos menores, posto que de bonzinho não tinha nada). Qualquer coisa a mais do que isso é invenção da soberba humana.

sonhos despedaçados pelos sistemas de vigilância eletrônica (xix): dormir no caixa eletrônico numa noite de verão

será que eu sou a única pessoa sem ar condicionado em casa que daria tudo pra poder acampar num caixa eletrônico de banco, daqueles com ar condicionado atômico? Porra, é só chegar o verão que cada vez que eu passo no Banco Real da minha quadra eu me pego fantasiando a respeito de exercer os meus direitos de correntista, passar com um colchão pela porta giratória e me acomodar num cantinho ali dentro. E aí logo depois eu penso na resposta imediata de seguranças carregando fuzis e metralhadoras que isso ia desencadear, e vou pra casa cabisbaixo suar mais um pouco. Maldito grande irmão.

quinta-feira, novembro 27, 2008

urgência, papapás

estava eu no show da mallu magalhães no gig rock há uns dez dias atrás quando uma amiga minha do meu lado largou um “impressionante, não?”. Eu meio que estranhei, afinal as pessoas costumam descrever shows com palavras tipo “legal”, “a fudê”, “do caralho” ou algo assim. Não foi senão uns dias depois que eu descobri que aquilo no palco não era uma guria de vinte e poucos tentando aparentar um certo charme infantil (afinal, mulheres cantando com voz de criança viraram um troço cool e fashion de uns tempos pra cá), senão uma criança de verdade.

sim, eu sou meio lento e vivo em marte. Anyway, aí eu entendi o comentário.

uma semana e vários tchubarubas e papapapapás depois, ainda não sei se concordo.

na real me parece que o que soa tão charmant nessa guria tem qualquer coisa a ver com uma certa confiança de se saber o centro do mundo enquanto tá no palco. Mesmo na época em que ela cantava pra câmera no youtube. Ter presença em música é um pouco uma questão de se fazer imbuir de uma verdade, de ter algo urgente pra dizer. Mesmo quando não se tem. E sair dizendo de um jeito de quem não tá nem aí se aquilo faz sentido ou não. Tipo o Caetano jovem gritando que o Gil fundiu a cuca de vocês por debaixo das vaias. Ou o Stephen Malkmus cantando sobre a data de validade de nozes brasileiras. Ou até a Panquis tocando covers toscos no violão, mesmo que só eu e mais meia dúzia tenham visto essa última.

e talvez fazer música no fundo seja mesmo conseguir cantar um refrão que diz “papapapapá” com uma voz meio desafinada, e que se foda o resto. E claro, alguns sabem fazer isso com graça particular, como é o caso dessa pirralha.

isso dito, no entanto, confesso que nem me parece tão impressionante assim. Pelo contrário, acho que quando se tem dezesseis anos e todo o charme do mundo, soar genial é simplesmente natural. Difícil é conseguir fazer isso depois que a vida te botou no devido lugar. O que deve ter algo a ver com o fato de que mesmo os gênios incontestáveis acabem declinando com a idade, pelo menos na música. Se botar no próprio lugar pode ser uma virtude humana, mas no palco inegavelmente fode com tudo.

o que me leva a concluir é que impressionante de verdade é o Neil Young, que depois de sessenta e tantos anos, toneladas de drogas pesadas, depressões infindáveis, dois filhos deficientes de casamentos diferentes, um aneurisma cerebral, vários cabelos perdidos e uns cinqüenta discos gravados, ainda parece imbuído da mesma verdade. E da capacidade de te fazer sentir instantaneamente que a angústia dele é a mesma que a tua quando abre a boca e pega a guitarra, mesmo que todas as músicas tenham três acordes e letras toscas de dar dó. Um cara que uma vez escreveu que é melhor queimar do que enferrujar, e segue queimando continuamente por três décadas desde então (ao contrário de um certo imitador supervalorizado que não agüentou o tranco e citou esse verso numa nota de suicídio).

isso sim é impressionante. A mallu é simplesmente o óbvio.

mas ser o óbvio às vezes é um puta mérito. Que siga soando assim pelo tempo que der.

segunda-feira, novembro 24, 2008

novas formas de solidão no mundo moderno (xix): puxar papo no soulseek

deixando o desktop ligado por dias a fio, volta e meia agora me deparo com mensagens esquecidas de usuários do soulseek perguntando "ei, cara, posso baixar sua música?". Tipo assim, desde quando alguém pede permissão pra essas coisas? Se ela tá ali compartilhada poderia ser por algum motivo que não fosse esse?
enfim, só pra dizer que deve haver um bocado de gente mais solitária do que eu pelo mundo afora.

terça-feira, novembro 18, 2008

se algum dia eu abrir uma empresa

eu quero pra minha assessoria de marketing o cara que fez a campanha publicitária da proteína de soja. Sério, é incrível como em algum momento alguém tenha tido sucesso em convencer a opinião pública de que um troço repugnante e obviamente industrializado desses pode ser não só saudável como até saborosos. Nem vem ao caso se é verdade ou não, a pergunta é simplesmente a seguinte: num mundo livre de marketing e discursos sobre o que é saudável, alguém no universo comeria esse troço aí do lado?

segunda-feira, novembro 17, 2008

novas formas de solidão no mundo moderno (xviii): melancolia do ipod de 80 GB

literalmente todos os dias eu ouço alguma coisa no meu iPod que me parece do caralho. Que me dá vontade de gritar pro mundo "cara, olha só que do caralho". E aí logo depois me pego fantasiando com cenas imaginadas em que eu mostro isso pra alguém, boto o som pra tocar numa festa, ou até toco um cover num estádio lotado, ou faço qualquer coisa que me permitisse compartilhar o sentimento de estar achando aquilo do caralho de alguma maneira.
E aí me lembro que
(a) minha banda só se apresenta uma vez por ano pra meia dúzia de pessoas, e por pura preguiça acaba voltando pros mesmos sons de sempre, até por causa das nossas limitações óbvias.
(b) eu não sou dj, festa lá em casa só uma vez a cada dois meses, e pra alguém se animar a ir pra pista tu sempre tem que acabar tocando os mesmos infectos hits pop dos anos oitenta.
(c) pouquíssima gente à minha volta parece realmente interessada em música, e quando eu encontrar esses poucos já vou ter esquecido do qeu eu queria mostrar, até porque provavelmente já não vai fazer sentido mesmo.
e então me resta tentar escrever algo pra tentar partilhar algo com o mundo, mas simplesmente não tem a mesma graça: letrinhas são sempre medíocres perto das suas amigas notas.
ou então deixar o soulseek ligado, e acreditar que alguém em algum canto do universo vá baixar aquilo e ser feliz. O que é um pouco como postar isso aqui.
no fim das contas é sempre questão de fé.

sábado, novembro 15, 2008

oh but i was so much older then

passei as 24 horas de sexta-feira sem checar o meu e-mail. Suponho que isso deva ser um bom sinal. Algo deve estar ficando mais saudável na minha vida.
mas em todo caso é estranho. Até um tempo bem curto atrás checar e-mail era um processo essencialmente prazeroso. Eu me lembro que não faz nem uma década que eu caminhava quilômetros e perdia horas em cidades estrangeiras atrás de uma lanhouse de graça. E que aquilo às vezes era tão ou mais importante do que o mundo lá fora.
talvez porque eu ainda achasse que ainda tinha assunto com alguém naquela época. Ou porque era um tempo onde o tal correio eletrônico de fato servia pras pessoas se corresponderem. Com todas as vantagens da comunicação escrita: o tempo de escolher as palavras, a oportunidade de poder falar por oito parágrafos sem ser interrompido, etc.
aí veio o trabalho. Os yahoogrupos. As notificações automáticas de periódicos científicos. O spam. Os arquivos de powerpoint. E a infernal scrapização da comunicação da internet, que de uma hora pra outra deixou de ser correspondência pra ser mensagem de texto. E checar a caixa de e-mail virou um suplício pra ser aturado todos os dias.
e ainda que o volume de correspondência tenha decuplicado de lá pra cá, a impressão é cada vez mais a de que não tem nada mais sendo dito. OK, eu costumo colocar a culpa nas pessoas por não ter nada pra dizer. Mas acho que talvez os meios disponíveis pra dizê-lo algo hão de ter alguma coisa a ver com isso também.
ainda que provavelmente o maior problema seja só a idade mesmo, que me faz escrever um post rabugento desses à uma da manhã. Aliás, nostalgia dos tempos áureos da internet é o cúmulo da falta de charme: novo demais pras cartas escritas, velho demais pro msn. Como sempre, andamos no limbo. Que aliás me cai muito bem.

quarta-feira, novembro 12, 2008

mais autopromoção gratuita (fxviii)

eu já tinha avisado por e-mail, e suponho que a maior parte das pessoas que acessam esse blog regularmente deva estar no meu mailing list. Mas enfim, se você por acaso veio aqui atrás de frases que digam quem você é pra botar no perfil do orkut:
(a) eu não sei quem você é.
(b) e mesmo que soubesse, não ia estar espalhando isso na internet.
(b) por outro lado, estarei participando de um tal Encontro de Jovens Escritores na Feira do Livro, o que é quase tão legal quanto uma frase pra botar no orkut. Vai rolar nesse sábado, dia 15 de novembro às 19h num lugar chamado Ducha das Letras na área infantil da Feira (a parte que fica no Cais do Porto).
(c) comigo vão estar o Carlos Augusto Brum, o Antônio Xerxenesky, o Rafael Jacobsen, a Carol Teixeira e a Larissa Martins, com mediação do Juremir Machado da Silva. Mais informações aqui.
(d) se você já foi num evento similar no ano passado, ou acha que debates literários geralmente são um saco (eu tenderia a concordar), eu prometo tentar me comportar pior do que a minha timidez normalmente me permite. Mas só tentar.
(e) se ainda assim eu não conseguir causar polêmica, pelo menos vale um passeio na beira do rio. Bem na hora do pôr-do-sol.

ainda sobre quem sou eu

não sei exatamente se estavam falando de mim, mas adorei o "pessoa tranqüila, agradável e desonesta".

terça-feira, novembro 11, 2008

pictures of me

qual é o verdadeiro?













(segundo a minha identidade de leão)
















(segundo o kzuka)















(segundo o open source cinema)


















(segundo o Leandro Dóro)













(segundo a Vanessa)

domingo, novembro 09, 2008

versatilidade sem limites

eu mesmo, agora também pesquisador em nanociências. Seja lá o que quiser dizer, parece chique.

segunda-feira, novembro 03, 2008

é sábado






















o quê
: Um debate sobre literatura e outras mídias (cinema, música, quadrinhos and the like) seguido de um sarau literário-musical-bêbado-caótico. Eu participo dos dois, em tese.
aonde: no porão do beco (independência, 936)
quando: esse sábado, dia 8, das 20h em diante.
por que o meu nome aparece em itálico no flyer: não faço a mais vaga idéia. Mas em termos de fontes especiais, sou muito mais o negrito

é hoje

dá-lhe.

quarta-feira, outubro 22, 2008

literatura (iv)

a literatura é um subproduto de olhar a janela. Mas não é a parte que importa. A parte que importa é olhar a janela. E escrever, quando importa, é apenas uma maneira de olhá-la com palavras.

terça-feira, outubro 21, 2008

sobre masturbação e copyright

estava eu assitindo o trailer do "Rip", documentário do projeto Open Source Cinema (que parece bem legal, pra quem quiser dar uma olhada) quando um dos caras na tela (talvez até seja o diretor do filme) lascou a melhor frase sobre copyright nos últimos tempos, namely:
"what's happening to copyright is essentially what happened to masturbation, in that people are starting to admit that "uh, well... I do it too."
e aí pensei em postar esse troço no blog. Então fui ver se catava a frase no google pra copiar e colar. Mas o melhor link que achei sobre masturbação e copyright foi esse, numa página com a letra da música "Garota Cabeção", da banda First Masturbation, em que somos informados que
"All First Masturbation - Garota Cabeção lyrics

(mais especificamente estes)

Passo dias e noites
sempre pensando em você
acabo fikando loko
tentando te entender
e como vc me agrada com esse seu jeitinho
se naum fosse pelo troxa
pau no kú Juninho viadinho.

Refrão:
Garota Kbção
olhe para mim
esse seu jeito loko foi q me deixou asssim.

E todo meu esforço
para agradar vc
andando sempre junto
vc me olha e naum me vê
se me pede para parar
então pq me trata assim
nessa porra eu naum agüento mais um dia
agonia sem fim.

..., artist names and images are copyrighted to their respective owners. All
First Masturbation - Garota Cabeção song lyrics are restricted for educational and personal use only."

o que, bem ou mal, ilustra ainda muito melhor o quão ridícula uma legislação de propriedade intelectual pode ser. Assim sendo, posto no blog. Para fins educacionais, antes que alguém me processe.

pra quem por acaso ainda ande aí do outro lado do atlântico

nessa cidade tão terrivelmente fora de moda desde que eu saí de lá, nessa sexta (24) às 22h30 rola no Casal (Ausiàs March, 60) mais uma exibição do "Perro en el Columpio", dessa vez com direito a cerimônia de entrega de prêmios pra nós, conforme explicado nesse cartaz terrivelmente escuro aí abaixo no qual não dá pra ler uma única vírgula. Que aprovechen por mim, nois e noias do mundo afora.

domingo, outubro 19, 2008

por essas e outras, ando tão desesperadamente necessitado de amigos com uns cinco anos a menos que eu, pelo menos

é urgente, sério.

uns vinte, vinte e cinco anos

é o que demora pra algo que algum dia talvez até tenha sido legal ser definitivamente absorvido pelo mundo cão e virar um troço indescritivelmente brega. Não é por acaso que tudo o que foi feito em meados dos anos oitenta com a melhor das intenções hoje virou trilha sonora pra bares vazios com gente careca, reuniões nostálgicas de dez anos de formatura, programas de rádio em estações caretas, casamentos de gente divorciada e festas lotadas de mulheres desesperadas tentando fazer valer os óvulos que restam. Exatamente como tinha acontecido com o que tinha sido feito em meados dos anos setenta há dez anos atrás. E é menos por acaso ainda que esse é o tempo pras pessoas irem dos quinze ou vinte anos aos quarenta.
minhas previsões? esperem videokês gold edition do Nirvana pra dois mil e quatorze, musicais melosos com trilhas sonoras do Oasis em dois mil e dezessete e peças sobre a vida da Amy Winehouse em dois mil e vinte e dois.
meu conselho? como eu já tinha comentado nesse blog alguma vez, por favor parem com essa moda insuportável. Não é que os anos oitenta tenham sido melhores do que os outros: eram simplesmente vocês que eram jovens naquela época.

não se fazem mais líderes como antigamente

é incrível como quase dois mil anos depois desse cara, esse troço de presidente ser chupado pela secretária ainda dá algum ibope. O mundo pode até ter melhorado um pouco no sentido de que é menos provável ser decapitado ou castrado ritualisticamente por qualquer bobagem. Mas que virou um lugar com bem menos graça, ah virou.

quarta-feira, outubro 15, 2008

vida breve, janela aberta, primavera feroz


minha janela da sala não fecha mais desde que pintaram a casa. E de certa forma não podia haver melhor metáfora dos meus dias. Não me lembro da última vez de ser tão sensível aos rumores do mundo, da rua, dos discretos caprichos e idiossincrasias de cada dia. E mesmo nesses dias primaveris tão agradáveis e tranqüilos o mundo se alterna em parecer infinitamente desfrutável ou verdadeiramente feroz lá fora. Sem que isso signifique sofrimento. Apenas uma forma milenar e obscura de sensibilidade. E apesar dos rumores e da janela aberta, tantas vezes houve tanto silêncio. Um silêncio bonito que quase chega a acolher, cada vez que eu ando atento pela casa escura. O que me faz pensar, um pouco budista e envergonhado, que o ruído quase sempre tem vindo de dentro. E ao me afastar da rotina, seja por acaso, por opção ou mesmo pelo sono diurno do qual eu acordo assustado já no princípio da noite, me aproximo dum fluxo íntimo das coisas, de um mundo contendo espaços imensos de liberdade e silêncio. De uma vida breve e secreta, como dizia o Onetti, sem nem mesmo ter que ir até o apartamento do vizinho. Dentro da minha própria casa, o mundo ruge com o som e a fúria de seus encantados objetos imóveis. Logo ali na sala ensolarada, aquela da janela aberta.

sábado, outubro 04, 2008

metafísica

"Sinto-me profundamente na superfície." (Pedro Maciel)

eu também. As águas andam claras esses dias.

domingo, setembro 28, 2008

filhos rebeldes e surpresas legais

abri minha caixa de e-mails hoje e fui surpreendido por um punhado de mails me parabenizando por um texto meu que tinha saído no cronópios (um dos sites realmente legais de literatura do brasi, no qual até onde eu me lembrava nunca tinha publicado nada). E aí eu me perguntei "ué, que texto?", e procurando dei de cara com um troço que tinha escrito há uns seis meses atrás pro jornal vaia, em mídia impressa mesmo, que de alguma forma se esgueirou pra dentro da web sem eu saber e acabou postado lá.
suponho que algumas pessoas poderiam ter ficado bravas com a história. Eu diria que é exatamente por causa desse tipo de situação que eu escrevo. Como os filhos, as palavras só começam a ter graça de fato quando saem do teu controle. Por mim, podem seguir roubando o carro da garagem quando quiserem.

segunda-feira, setembro 22, 2008

abismo generacional

de uns tempos pra cá meus amigos saíram pra jantar e nunca mais voltaram.

quinta-feira, setembro 11, 2008

ganhando o mundo enfim


já faz um tempo, já tinha avisado pra alguns, mas tardei um monte pra fazer o anúncio oficial por causa da correria dos últimos tempos

em todo caso, a notícia é que o Estática, meu livro de contos lançado pelo IEL no final de 2005, tá disponível online em PDF há mais ou menos umas duas semanas. E, ao que tudo indica, deverá permanecer assim para todo o sempre.

o livro tá licenciado sob uma licença creative commons (assim como esse blog, aliás), que permite a distribuição, citação e utilização da obra pra fins não comerciais, contanto que citada a fonte e que as obras derivadas sejam disponibilizadas também. E me parece quase uma obrigação ética mantê-lo assim, já que:

(a) o livro foi editado por um órgão público, com dinheiro público, e portanto não pode ser mantido fora do alcance do público.

(b) a distribuição do IEL é mínima, fazendo com que o livro seja muito difícil de encontrar fora de Porto Alegre (e às vezes mesmo dentro).

(c) o que sobrou em livrarias já estava meio encalhado mesmo, ou seja, a exclusividade de direitos autorais não me dá retorno financeiro algum.

e

(d) a tiragem do livro é de 1.000 exemplares, enquanto o número estimado de usuários da internet ao redor do mundo está estimado em cerca de 1.463.632.361 pessoas, e crescendo rápido.

ou seja, não faz o menor sentido pra alguém que pretende ser lido se limitar a um troço tão tosco e restrito quanto papel.

até o momento o livro pode ser encontrado no overmundo, no scribd e no cypedia, mas talvez a lista venha a aumentar. E eu certamente não me importo nem um pouco com quem queira espalhá-lo por outros lugares.

a minha parte na história do livro está cumprida, portanto.

o resto da vida dele é com vocês bilhões de leitores todos.

compartilhar a aventura será um prazer.

segunda-feira, setembro 08, 2008

coisas a fazer quando você anda meio down (xxvii)

poucas coisas no mundo são tão terapêuticas quanto mexer no currículo lattes. O único lugar no mundo em que tudo se adiciona e nada se subtrai. Nada jamais é perdido depois de ser ganho no lattes, num confortante contraponto ao tempo, que nunca é ganho depois de perdido. Não que essa simétrica substituição da vida pela obra chegue perto de ser alguma forma de compensação. Mas é um grato refúgio pra desviar os olhos do desmoronamento contínuo da vida nos momentos de fraqueza.

sexta-feira, agosto 22, 2008

enxurrada de lançamentos com o meu nome nos créditos (ii)























ok, esse é mais curtinho. Mas é bem mais meu. Minha primeira e gloriosa incursão no cinema espanhol (junto com uma outra gente legal de POA), o Perro en el Columpio, tá sendo lançada oficialmente em Porto Alegre em exibição única no dia 28/8 (5a feira) às 20h30, na sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro. Cinco minutos de cinema, mais umas taças de champanhe pra comemorar uns prêmios que o filme ganhou do outro lado do globo terrestre enquanto a gente tava longe demais pra avisar. Espero-vos lá de verdade. Vai ser massa.

quinta-feira, agosto 21, 2008

pirateie um filme que passa no cinemark

semana passada fui assistir o filme do batman no cinemark de porto alegre. primeiro multiplex em um tempão. eu tinha até esquecido porque não vou muito nesses lugares. agora lembrei.
1.1. o ingresso custou 10 reais numa segunda-feira.
1.2. depois de pagar o ingresso, eu entrei na sala e fui forçado assistir pelo menos uns 8 comerciais.
1.3. como cada um tinha uns 2 minutos, mais os trailers, o filme começou com quase meia hora de atraso.
1.4. e como cereja no sorvete, depois de pagar o ingresso e perder meia hora da minha vida, eu ainda fui acusado de financiar o crime organizado no Brasil por esse comercial patético, que me recuso a postar aqui pra não manchar esse blog.
então faça a sua boa ação do dia:
2.1. entre no site do cinemark.
2.2 veja os filmes que estão passando.
2.3. escolha um.
2.4 baixe no emule, bittorrent ou similar.
2.5. disponibilize na rede, e com sorte alguém que baixe o filme será poupado de freqüentar esse lugar ridículo e ser tachado de assassino por um publicitário imbecil pago por uma indústria mentirosa.
porra, se é esse sistema que financia a arte no mundo, a mim pelo menos quase me dá vergonha de ser chamado de artista de vez em quando.

quarta-feira, agosto 20, 2008

enxurrada de estréias com o meu nome nos créditos (i)

depois de um ano de frescurinha de festival aqui, festival ali, o incomparável ainda orangotangos finalmente chega num cinema perto de você. Pré-estréia aberta ao público pagante dias 22 e 23 de agosto em Porto Alegre. Hora e lugar, pergunte a alguém mais da equipe ou ao seu jornal preferido, já que nem eu consegui descobrir (mas como já vi o filme três vezes, não chegou a me preocupar). Senão, entra em cartaz dia 29 de agosto em Porto Alegre, dia 5 de setembro no Rio e em São Paulo. Uma chance única de ver o meu nome nos créditos de um longa-metragem. Aliás, única mesmo: ele só aparece uma vez e é bem curtinho. Talvez porque toda a minha participação no filme tenha sido falar mal dele.

sexta-feira, agosto 15, 2008

sinais do fim dos tempos (xxiiviilx)


em mais uma crise global, alguns basquetebolistas espanhóis malvados e racistas estão sendo acusados de terem dado a entender que os chineses TÊM OLHOS PUXADOS! É sério. Olha aqui. Ou aqui. E aqui. E aí mande o seu multiculturalista politicamente correto preferido (como esse ou esse por exemplo) catar coquinho. O mundo agradece.
e o mais engraçado, na real, é que todos os idiotas que acusaram os caras de racismo parecem ter incluído uma história de "os espanhóis são mesmo uns racistas, porque xingam os negros em jogos de futebol". Como se fossem realmente os coitados da seleção de basquete que estivessem na arquibancada. Ou seja, acusar gente de ser racista pelo simples fato de ser espanhol é super OK. Mas dizer que chinês tem olho puxado, nem pensar.

quinta-feira, agosto 07, 2008

moto-contínuo

e talvez no fim das contas o mundo como ele é hoje gire de maneira tão autônoma e implacável que ajudar a empurrar a roda pra frente já não tenha tanto mérito assim. Talvez mais louvável seja tentar empurrar pra trás. Ou pelo menos tentar corrigir a rota.

domingo, julho 20, 2008

não se torne você também um criminoso

e não deixe que os seus filhos, vizinhos, amigos, e praticamente todo mundo que você conhece e acessa a internet caiam no crime também. Passa aqui e assina esse troço. É sério.

sexta-feira, julho 18, 2008

hilaridade involuntária

dum artigo da Science sobre transtorno bipolar em crianças, citando declaração da ex-atriz mirim Patty Duke num congresso de psiquiatria, descrevendo as agruras pelas quais passou devido ao atraso em receber o tal diagnóstico:
"Former child star Patty Duke, now 61, was diagnosed with bipolar disorder at the age of 35. In her late teens, she told psychiatrists at their May meeting, she experienced “eruptions of temper alternating with taking to bed for months at a time, getting up only to go to the bathroom and attempt suicide.”
(negritos meus)
ok, pode ser trágico, mas também foi a coisa mais engraçada que eu li nos últimos tempos. Aliás, parece algo saído diretamente de um filme do Woody Allen. Aliás, não duvido que tenha sido ele que tenha escrito o roteiro do tal depoimento pro analista dele levar pro congresso.
(e, já que eu tô no assunto, alguém pode dizer que alguém que vai a público na frente de centenas de psiquiatras com uma frase overthetop dessas realmente ficou muito melhor depois de tratado? Tipo, isso me parece o pico do pico da megalomania histérica. Mas enfim, talvez aí eu já esteja entrando na minha própria implicância com o sistema. For now, let's keep it just for laughs)

segunda-feira, julho 07, 2008

razões pelas quais a volta é a maior das viagens

andar no meio dos restos e olhar o lado de fora das coisas que se costumava ver de dentro. Descobrir aos poucos que o lado de dentro persiste impregnado de sentido, mas invariavelmente feito em pedaços, uma sugestão de um cheiro familiar, um meio sorriso, uma inflexão de voz, o jeito que a neblina dá lugar ao sol. Viajar com ares de turista por lugares familiares, caminhar pela terra semidevastada e deixar a luz entrar pelas rachaduras, pra ver se em algum lugar surge alguma sombra nova. Trocar a rigidez da geografia real pelo fluxo da geografias internas, países pelas linhas da mão, continentes por oceanos de lembranças. Ver o mundo em cacos e não ter pressa em preencher o espaço. E construí-lo de novo devagar, sem a pretensão de fazê-lo a partir de tábua rasa como o pintor abstrato, nem a partir de um modelo qualquer como o retratista. Mas sim como o mosaicista, fazendo uma colagem dos pedaços que restam dos sentidos antigos, dos que explodiram e dos que permanecem, dos pedaços da cidade nova e dos da que se foi, pra criar algo novo a partir das mesmas peças de sempre. Que no fundo é o que a gente sempre faz, porque afinal de contas é a única opção que o mundo nos dá. Apenas algumas dentre as muitas razões pra que as voltas costumem ser viagens muito maiores do que as viagens em si. Espero que continuem sendo.