por uma questão de coerência, não me moveria até o mundo começar a fazer sentido. Mas por uma questão de realismo, sei que ele só começa a fazer sentido depois que eu me mover.
terça-feira, julho 20, 2010
filosofia zen feita em casa (xviii) - sobre a inevitabilidade da incoerência
por uma questão de coerência, não me moveria até o mundo começar a fazer sentido. Mas por uma questão de realismo, sei que ele só começa a fazer sentido depois que eu me mover.
domingo, julho 11, 2010
do lento aprendizado das tortinhas de palmito congeladas

uma só é pequena pra dois
mas abrindo duas vai sempre sobrar
pra guardar pra alguém que chegue
ou convidar um a mais pra jantar
mas embora pareça certo
a partilha nunca é precisa
as facas são cegas, as divisões toscas
e alguém sempre acaba com fome
então quem sabe melhor
comer três quartos sozinho
guardar o resto no congelador
e esperar que acumule, caso não
chegue ninguém inesperado
nenhuma fome imprevista
e sem saber do futuro
ir juntando os pedaços
aos poucos
sábado, julho 10, 2010
sobre a sanidade escoando pelo ralo
quinta-feira, julho 01, 2010
quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas (mcxviii)
reclamar que a internet vai acabar com o português culto é a repetição exata da velha ideia de que escrever no vernáculo vai acabar com o latim. Só que com uns quinhentos anos de atraso. É incrível como tem gente com dificuldade pra mudar o disco.by the way, a resposta é "sim, vai mesmo." Mas e daí?
quarta-feira, junho 23, 2010
das verdades mais imbecis que já se conseguiu botar na boca de um público com doutorado completo
americanos: um povo que resolve botar um país abaixo e reerguê-lo do zero no meio do deserto no oriente médio, mas que se considera terminantemente incapaz de financiar um ensaio clínico sem ajuda da indústria farmacêutica porque é “muito caro”. Como se, no fim das contas, não fosse um pobre coitado com alguma doença crônica de merda que fosse pagar a conta. Porra, com toda a franqueza, vão catar coquinho.
domingo, junho 20, 2010
quase solstício de inverno
domingo, maio 30, 2010
novas roupas coloridas
como dizia a minha mãe, e também aquela outra menina que chamava o mensageiro da caridade pra levar as minhas coisas embora no meio da tarde, eu sempre tive uma puta dificuldade pra esvaziar o meu armário. Por outro lado, ao contrário do que dizia o belchior, o passado é uma roupa que continua quase sempre me servindo. Ainda que eventualmente eu tenha que me apertar um pouquinho dentro dela. E somando todos os figurinos que vão se acumulando pelo caminho, eu sinto quase como se pudesse acordar de manhã e escolher a idade com a qual eu quero viver o dia. E também como se todo fim de noite eu chegasse em casa e me despisse dela, e deitando no colchão inflável assumisse a idade que levo colada no corpo, que a essa altura nem eu mesmo sei direito qual é.
terça-feira, maio 25, 2010
i'm not there
não sei porque achei que devia compartilhar isso, mas em egosearches recentes a função autocompletar do google tem sempre me sugerido "olavo amaral medicina" e "olavo amaral médico" como opções. Como se alguém lá fora andasse procurando o meu nome e resolvesse refinar a busca depois de bisolhar os primeiros hits, talvez por não achar que eu fosse médico. Ou, melhor ainda, por não achar que eu fosse eu. Vai saber por quê, mas ambas as possibilidades me orgulham pra burro.
quinta-feira, maio 13, 2010
regras pra justificar uma exceção
sempre desconfiei do conceito de “music video”. Tanto no que diz respeito a videoclipes (ai que palavra mais século passado...) como a DVDs de shows ou a imagens randômicas pra acompanhar música nas mais variadas mídias. Pura e simplesmente, nada contra a idéia em si. Mas nunca me pareceu algo que olhar alguém tocando um instrumento numa tela adicionasse suficientemente à música pra que justificasse o marketing em volta.
e no fundo, no fundo, esse troço de botar imagens em música sempre me pareceu simplesmente empacotá-la pra tornar algo vendável. Primeiro passando videoclipes na TV, que naturalmente é um veículo de publicidade muito melhor do que o pobre rádio. Depois com o ridículo advento dos “DVDs de shows” (e DVDs em geral) que alguém empurrou goela do público abaixo como algo a ser comprado (alguém lembra de alguma vez ter comprado uma fita de videocassete? Pois como diabos convenceram a geral que a mesma coisa numa mídia diferente era algo pra comprar?). E sem vender nada, mas ainda por força do mercado, hoje em dia se abate sobre o mundo uma terceira onda de vídeo forçosamente acoplado à música. Meramente porque por razões obscuras, compartilhar vídeo em streaming tornou-se fácil e universal enquanto fazer isso com áudio nunca chegou a ficar tão simples assim. Fazendo com que hoje em dia o jeito padrão de mostrar uma música pra alguém online seja mandar um link do Youtube. O que seria ótimo, não fosse o fato de que 95% dos vídeos feitos por pessoas bem intencionadas que devidem compartilhar suas músicas são sequências toscas de imagens piegas que eu jamais teria coragem de enviar pra ninguém.
enfim, só pra dizer que o excesso de imagens que não acrescentam nada às vezes cansa. Mas só pra dizer também que sempre tem uma exceção. Essa em particular transtornou meu dia por várias horas no início da semana depois que algum obcecado jogou no meu twitter. E o pior de tudo é que fica bem melhor em alta definição. Chamem-me de vendido. Mas sei lá, devem ser as mãos.
e no fundo, no fundo, esse troço de botar imagens em música sempre me pareceu simplesmente empacotá-la pra tornar algo vendável. Primeiro passando videoclipes na TV, que naturalmente é um veículo de publicidade muito melhor do que o pobre rádio. Depois com o ridículo advento dos “DVDs de shows” (e DVDs em geral) que alguém empurrou goela do público abaixo como algo a ser comprado (alguém lembra de alguma vez ter comprado uma fita de videocassete? Pois como diabos convenceram a geral que a mesma coisa numa mídia diferente era algo pra comprar?). E sem vender nada, mas ainda por força do mercado, hoje em dia se abate sobre o mundo uma terceira onda de vídeo forçosamente acoplado à música. Meramente porque por razões obscuras, compartilhar vídeo em streaming tornou-se fácil e universal enquanto fazer isso com áudio nunca chegou a ficar tão simples assim. Fazendo com que hoje em dia o jeito padrão de mostrar uma música pra alguém online seja mandar um link do Youtube. O que seria ótimo, não fosse o fato de que 95% dos vídeos feitos por pessoas bem intencionadas que devidem compartilhar suas músicas são sequências toscas de imagens piegas que eu jamais teria coragem de enviar pra ninguém.
enfim, só pra dizer que o excesso de imagens que não acrescentam nada às vezes cansa. Mas só pra dizer também que sempre tem uma exceção. Essa em particular transtornou meu dia por várias horas no início da semana depois que algum obcecado jogou no meu twitter. E o pior de tudo é que fica bem melhor em alta definição. Chamem-me de vendido. Mas sei lá, devem ser as mãos.
segunda-feira, maio 03, 2010
domingo, abril 18, 2010
me autodivulgando a mim mesmo de novo
como parte da festipoa literária, que chega ao seu terceiro ano (pelas minhas contas) já dando passos decididos sem apoio e falando em português fluente, vai aí o meu calendário de eventos literarioportoalegrenses da semana:- dia 21 de abril (quarta) às 20h, estarei no lançamento da coletânea O Melhor da Festa - volume 2, com textos do pessoal que participou da edição 2009 do evento. Sim, tem um troço meu lá no meio, como seria de se esperar. E a companhia em volta é deveras honrosa. Vai ser no Boteco do Pé (João Alfredo, 571), e além dos autógrafos deve rolar alguma espécie de agito cultural depois.
- dia 25 de abril (domingo) às 14h, estou num debate com Flávio Wild e Cássio Pantaleoni sobre "Conto, imagem e construção do invisível". Rola na Palavraria (Vasco da Gama, 165), ali pertinho de casa.
o resto da programação do evento tá no site, pros interessados. Apareçam. É tudo de graça, (ok, minto, o livro deve custar alguma coisa). E eu tenho várias saudades pra matar.
sexta-feira, abril 16, 2010
quinta-feira, abril 08, 2010
ressaca do apocalipse
velho chinês grita com a moça da lavanderia do outro lado da rua, em chinês. Garotos ensaiam jogadas de rugby na beira da praia em Copacabana. Na TV do boteco um amigo meu beija uma atriz gostosa na novela das oito. A vida parece voltar lentamente ao normal no Rio. Mas em cada canto alguma coisa insiste em indicar que não foi só um sonho ruim, do mar em ressaca furiosa à lama barrenta das calçadas ao trânsito que inexplicavelmente flui à pequena multidão aglomerada em frente ao IML da Leopoldina. E mais do que incitar pensamentos de fim do mundo, tudo isso meramente me faz pensar se algum dia houve ou haverá alguma coisa que possa ser chamada de vida normal por aqui. Pra mim ao menos, acho que não. E mesmo se a Lagoa seguir aumentando e acastanhando e completar sua lenta metamorfose em Rio Guaíba, mesmo se todos os morros desabarem até chegarem na altura do Ricaldone, ainda assim nunca será exatamente a minha casa. Por mera falta de repouso. Aqui é o acontecer permanente.
sábado, março 27, 2010
segunda-feira, março 22, 2010
porque afinal não há nada de errado em foder com o pau dos amigos de vez em quando
no fim da tarde de sábado em Porto Alegre peguei um táxi até o Gasômetro pra ver os amigos cartolas tocarem no aniversário da cidade. Às vezes me pergunto por que ainda faço isso, posto que já devo ter visto os caras tocarem umas dez ou quinze vezes pelo menos. A resposta simples (que eu já tinha antes de ir) é que eu sempre saio do show um pouco mais feliz do que entrei. O que já devia bastar. Mas dessa vez o mundo fez questão de me dar a resposta complicada também. Porque no gramado tosco da beira do Guaíba, no meio de adolescentes de preto saídos de algum subúrbio obviamente não abastado da grande POA, que pulam feito uns maníacos como se fosse show dos Stones, eu me dou conta que de todos os meus amigos artistas, esses caras são os únicos que verdadeiramente conseguiram cruzar a barreira que realmente importa. A de falarem e serem entendidos com toda a sinceridade por gente realmente diferente deles. O que eu (assim como todos os escritores que eu conheço, e como praticamente toda a academia brasileira de letras, a bem da verdade) falho miseravelmente em fazer, por estar restrito ao mundinho literário tamanho cabeça de alfinete do país. E isso tudo me daria uma puta inveja, se não me deixasse muito feliz. E nem é por ser amigo da banda. Mas muito mais porque, ali pulando junto na beira do palco, no fundo eu consigo compactuar nesse processo. E, mesmo estando do lado dos fãs, sentir que juntos, todos nós, a gente tá fazendo alguma coisa que preste.incidentalmente, os caras acabam de lançar um disco chamado “Quase Certeza Absoluta”. Aparentemente tá nas melhores lojas de discos, pelo menos em Porto Alegre (pra quem tem menos de vinte anos, “loja de discos” é um lugar em que a gente costumava ir de vez em quando há muito tempo atrás). Pros que moram longe, dá pra comprar aqui. Ou então esperar que não demore pra cair no soulseek. Ave.
sábado, março 20, 2010
atrator estranho
uma época, quando eu era mais jovem, minha desculpa favorita pra nunca ter escrito um romance era que a vida mudava rápido demais pra se manter estável em qualquer projeto literário duradouro. E eu prometia pra mim mesmo que uma hora dessas, quando as coisas aquietassem, aí sim eu ia poder entrar na brincadeira.hoje em dia eu continuo nunca tendo escrito um romance. Mas essa promessa parece cada vez mais furada. Primeiro porque eu já não sou tão jovem pra usá-la. Segundo porque já duvido de que um romance dependa de idéias estáveis sobre qualquer coisa, até porque elas não existem – minha impressão é que tudo o que dá pra fazer é se imbuir da verdade de um poema, de uma máscara sincera que se possa vestir de vez em quando. E terceiro porque a idéia de que a vida viria a ficar mais estável tem se revelado a mais estúpida de todas elas. Pelo menos até agora.
porque se é verdade que as descobertas e idéias e estados de espírito realmente novos vão rareando, por outro lado a idade vem me fazendo acumular um número de máscaras grande o suficiente pra me pulverizar por completo. E nesses tempos de dispersão geográfica e emocional, cada vez mais a vida parece ciclar incrivelmente rápido por atratores estranhos e desconexos. Todos eles urgentes e palpáveis, todos eles eu. Todos máscaras sinceras e vitais pra se conseguir dizer qualquer coisa. E no tempo presente eu sou capaz de me reconhecer em todos, e tudo parece muito natural. Com a exceção dos vinte segundos de estranhamento ao acordar em uma cama cujo atrator não tem nada a ver com o do sonho.
e pensando por esse lado deveria ser a fase mais eloquente da minha vida: afinal, se não existe poesia que não nasça do espanto, não há nada como o deslocamento do olhar pra poder espantar-se. Mas cada máscara e cada olhar novo tem me durado no rosto por tão pouco tempo que eu não consigo sequer sentar na frente do computador pra escrever qualquer coisa. Antes que qualquer palavra sedimente, alguém gira o caleidoscópio e a imagem já é outra.
é desses atratores estranhos da vida que vem a palavra, granted. Mas também é deles que vem o silêncio. Por ora, tenho andado com o segundo. Por respeito a ambos, e por pura incapacidade de fazer diferente.
segunda-feira, março 01, 2010
do manual de técnicas básicas de vendas para empresários da indústria fonográfica (xiv)
então, querido empresário, o que você faz pro consumidor voltar a sentir a música como “sua” depois que comprar um disco deixou de fazer qualquer sentido, já que o mercado inteiro internalizou que música é um bem gratuito?o plano é simples:
(a) convença a banda que você empresaria a fazer shows
(b) cobre bem caro pelo ingresso
(c) permita a entrada de câmeras digitais
(d) deixe a presa entrar, fotografar e filmar. E depois colocar as fotos e vídeos do show no seu orkut, facebook ou youtube, ao gosto do freguês.
pronto,você acaba de fazer com que um bem universal se transforme mais uma vez numa exclusividade para poucos. E, melhor ainda, uma exclusividade passível de exibição para os que não a possuem. O que, no fundo, sempre foi a essência dos melhores bens de consumo.
agora sente em sua poltrona e aproveite seu martini. Quem está ligando pra música, afinal?
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
quinta-feira de cinzas
terça-feira, fevereiro 16, 2010
sábado, fevereiro 13, 2010
insônia branca, manhã de carnaval
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